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NAIPEADO: projeto de artistas paraenses transforma cultura amazônica em cartas de baralho

NAIPEADO será lançado no Curro Velho, em Belém, no dia 31 de agosto, com mostra das obras e roda de conversa com artistas participantes.

Um dos objetos mais populares do mundo ganha uma identidade amazônica pelas mãos de artistas paraenses. O NAIPEADO – Baralho Amazônico será lançado no dia 31 de agosto, às 18h, no Curro Velho, em Belém, reunindo ilustrações, fotografias, artesanato e referências da cultura popular do Pará no conjunto clássico de 54 cartas.

O projeto nasceu a partir da iniciativa Naipe do Norte – Cultura Amazônica em Cartas de Baralho e reúne artistas de Belém, Cametá e outras regiões do estado, que apresentaram, por meio da arte e design, diferentes formas de expressão presentes na Amazônia.

Baralho transforma cultura amazônica em arte

Idealizado pelo designer Lincoln Nazario, o NAIPEADO surgiu durante sua trajetória acadêmica. A ideia começou a partir de uma pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que investigou o potencial do baralho como instrumento de comunicação e valorização da cultura popular.

Segundo ele, a intenção foi reunir no baralho elementos que representassem a Amazônia, já que o objeto ganhou diversas releituras ao redor do mundo, mas nenhuma com características da região. Para isso, contou com a participação de outros 13 artistas paraenses.

“O projeto nasceu a partir da minha pesquisa de TCC e de perceber, através dela, o potencial do baralho como objeto de comunicação da cultura popular. Eu acredito no design como uma ferramenta crucial para a valorização da arte e da cultura. Por isso, quis reunir 13 artistas do Pará para construir coletivamente um registro da cultura amazônica”, explica o idealizador do projeto.

A arte do baralho pensada pelos artistas percorre referências do cotidiano paraense, incluindo o chamado “caquiado”, ritmos musicais, festividades populares e outras manifestações que fazem parte da identidade cultural da região.

Ritmos do Pará inspiraram a criação

Para construir o conjunto de referências amazônicas presentes no baralho, o projeto passou por um processo de curadoria voltado às manifestações culturais e sonoras da região. O artista visual e curador Gabriel Jhonatta explica que os ritmos paraenses foram fundamentais para definir parte da identidade do projeto.

“Não tem como a gente falar da cultura amazônica sem falarmos sobre ritmos, então nós queríamos um jogo de cartas que refletisse o caquiado por meio das diferentes formas de expressão sonora do Pará”, afirma.

O brega, o melody e festivais culturais realizados em diferentes municípios paraenses estão entre as referências que serviram de base para o design. Para o curador, reunir essas manifestações permite mostrar a diversidade existente dentro da própria cultura amazônica.

“A gente buscou contemplar o brega, o melody, os festivais culturais que acontecem em diferentes municípios, porque entendemos que, por mais que cada uma dessas manifestações tenha influência sobre as outras, cada uma também possui a sua singularidade. Então, era importante que essas expressões estivessem representadas em cada naipe do baralho”, destaca o curador do NAIPEADO.

A seleção dos participantes também levou em consideração artistas e coletivos independentes que já desenvolvem trabalhos relacionados à cultura nortista.

“A gente buscou encontrar artistas que tinham um olhar mais sensível para o tema que propomos, como uma forma de valorizar essa produção que já existe e de reforçar a visibilidade desses artistas”, completa.

Artistas paraenses participaram da criação

Entre os participantes da criação do NAIPEADO estão Afrontoso, Altar Sonoro (Guilherme Takshy e Naré), Brian Costa, Coletivo Kitnet, Felipe Moia, Jadriel Alves, Luenny Magno, Maiara Castro, Matheus Aguiar, Rodrigo Leão e Vic Monteiro, além do próprio Lincoln Nazario.

Uma das artistas convidadas é Milene Tais, designer e artista digital responsável pelo projeto Endoida, o qual explora referências da cultura nortista por meio da ilustração.

Para o NAIPEADO, ela criou cenas inspiradas nos fins de tarde de domingo, quando o brega toca nas casas e se transforma em parte da memória afetiva de quem vive essa experiência.

“Participar do projeto é um marco para mim e um sinal de que meu trabalho está indo pelo caminho certo. Fico honrada de estar entre artistas de tanta relevância no meio artístico e em uma iniciativa tão bem pensada”, destaca Milene.

A embalagem do baralho também recebeu uma identidade própria, com personalização da marca paraense Rio Piriá.

Lançamento será no Curro Velho

A primeira apresentação pública do NAIPEADO acontece no Curro Velho, em Belém, no dia 31 de agosto (segunda-feira). A programação começa às 18h e terá uma mostra das obras que compõem o baralho.

O público também poderá acompanhar uma roda de conversa com a equipe e os artistas envolvidos na criação. A atividade deve abordar os processos criativos, as referências culturais utilizadas e as histórias que deram origem às cartas.

Uma oficina artística também está prevista na programação, mas as informações sobre a atividade ainda serão divulgadas pela organização.

  • Estagiária sob supervisão de Clayton Matos

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