Nesta quinta-feira, 13 de novembro, das 8h30 às 13h, o Museu das Amazônias recebe “Rompa com a balela – arte, deficiência e clima”, um evento inovador que reúne artistas e ativistas com e sem deficiência cujo objetivo é discutir e construir pontes entre arte, justiça climática e inclusão.
Um evento colaborativo e acessível
A iniciativa é da companhia anglo-brasileira ZU-UK, que é formada majoritariamente por artistas com deficiências e neurodivergências, em parceria com a organização britânica Unlimited, com o apoio do Museu das Amazônias.
O evento contará com uma programação intensa, incluindo performances, rodas de conversa, experiências sensoriais e partilhas artísticas.
“Esse evento é uma iniciativa da ZU-UK, formada por artistas com deficiências e neurodivergências, em colaboração com a Unlimited, e com o apoio do Museu das Amazônias. A programação inclui performances, rodas de conversa, experiências sensoriais e partilhas artísticas”, afirmou Jorge Lopes Ramos, codiretor e fundador da ZU-UK.
O encontro é gratuito e aberto ao público, com recursos de acessibilidade como por exemplo audiodescrição, mediação inclusiva e tradução simultânea em português e inglês.
Arte, deficiência e clima: intersecções urgentes
“O importante é colocar em evidência as intersecções entre arte, deficiência e clima, a partir da perspectiva das experiências de artistas paraenses com deficiências e neurodivergências. O evento convida o público a ‘romper com a balela’ — ou seja, questionar discursos vazios sobre sustentabilidade e inclusão, e ouvir as vozes de quem realmente tem resistido às falhas do sistema há muito tempo: as pessoas com deficiência, os artistas periféricos e os povos originários”, destacou Jorge Lopes Ramos.
Arte e ativismo como ferramentas de transformação
A proposta do evento é unir arte e ativismo como formas de escuta e transformação coletiva.
“É uma chamada à ação: não basta ‘incluir’ — é preciso reimaginar o mundo juntos, de forma sensorial, coletiva e radical. No contexto da COP30, Belém se tornou o epicentro das conversas globais sobre o futuro do planeta. Porém, essas discussões não podem excluir quem vive há séculos as consequências de sistemas insustentáveis”, afirmou Jorge.
Ele ressaltou ainda que as pessoas com deficiência têm uma vivência única de adaptação a ambientes hostis — um conhecimento essencial para pensar a crise climática.
“Elas trazem um conhecimento de adaptação, cuidado e criatividade que é essencial para pensar o clima. A inovação artística abre espaço para imaginar futuros possíveis. Quando unimos arte, deficiência e clima, estamos falando de sobrevivência com dignidade e de repensar nossas relações — humanas e ambientais — de forma mais justa.”
Protagonismo amazônico e acessibilidade radical
“Rompa com a balela” é liderado por artistas paraenses com deficiências e neurodivergências, e se configura como um evento piloto acessível e multissensorial dentro da programação oficial da COP30 — uma iniciativa ainda rara em encontros internacionais.
“Esse evento propõe novas formas de mediação, acolhimento e fruição, especialmente importantes em um contexto de diversidade sensorial e linguística como o da Amazônia. Mais do que acessibilidade, estamos mostrando o potencial não explorado das soluções que só podem ser geradas pela experiência de vida de artistas com deficiência”, explicou Jorge.
Experiência sensorial “Tudo Está Queimando”
Oito artistas se apresentam durante o evento, sendo a maioria deles paraenses. Após as apresentações, o público será convidado a participar da experiência imersiva “Tudo Está Queimando”, uma colaboração entre o MC Bruno BO e a artista Persis Jadzé Maravala.
O projeto fica em cartaz até o dia 13 de novembro, também de forma gratuita, com opções de acessibilidade e tradução em português e inglês.
“Esses dois eventos vêm se construindo a partir de intercâmbios de artistas com deficiência no Brasil e no Reino Unido, incluindo parcerias com outras organizações como os festivais AcessaBH (Belo Horizonte) e Dadafest (Liverpool)”, finalizou Jorge Lopes Ramos.
Saiba mais sobre os artistas participantes
Bruno BO
MC, cantor, pesquisador e professor. É um dos primeiros MCs de rap brasileiro a conquistar o título acadêmico de doutor em Antropologia, com foco no hip hop.
Lu Bórges
Artista amazônida, atleta e doutoranda em artes pela UFPA. Pesquisa o corpo como território de autocriação, a partir dos conceitos de arte-vida.
Marina Mota
Mulher neurodivergente, doutora em Artes pela UFPA (2022), com pesquisa sobre corpo, dança, deficiência e acessibilidades metodológicas.
Mariô Monteiro
Artista em trânsito entre artes visuais, performance e música. Explora corpo, voz e percussão como territórios de resistência e encontro.
Persis Jadzé Maravala
Cria experiências interativas e participativas, majoritariamente situadas em jogos e design de som, baseadas em sua experiência de vida com deficiências invisíveis de longo prazo.
Rô Colares
Mulher indígena, artista DEF, pesquisadora de dança na/da Amazônia, licenciada em dança, mestra e doutora em artes. Integra o Tekó Coletivo de Artivismo Indígena e a diretoria colegiada do Fórum Nacional de Dança.
Socorro Lima
Professora, pesquisadora e artista DEF. Dançarina profissional e intérprete-criadora do coletivo Corpus Sensorialis desde 2004, referência na pesquisa de metodologias acessíveis a pessoas com deficiência visual.
Wzy e Leonardo Souza
Wzy é rapper, produtor musical e cofundador da Blind Kombat, canal que promove a inclusão de PCDs nos videogames. Leonardo Souza é cineasta e artista interdisciplinar, utilizando tecnologias emergentes para criar experiências imersivas.
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