A relação entre memória, identidade e pertencimento ganha forma em imagens na exposição “Raízes Tupinambá”, que está aberta à visitação até o dia 15 de agosto, no Espaço Cultural de Colares, município do nordeste paraense banhado pela baía do Marajó. A mostra é resultado de um processo coletivo de pesquisa, formação e criação artística, e reúne fotografias que revelam traços da ancestralidade indígena ainda presentes no cotidiano da ilha.
A exposição é coordenada pelo fotógrafo e professor de arte Eduardo Kalif. Ao todo, são 22 fotógrafos, entre estudantes, moradores e fotógrafos convidados. Juntos eles apresentam uma cartografia visual que registra saberes, práticas e modos de vida transmitidos entre gerações.
O projeto integra a iniciativa “Raízes – Herança Indígena em Colares”, contemplada pelo Edital Criação 002/2025 LAB, da Política Cultural Aldir Blanc de Fomento, Governo Federal, Secult e Fundação Cultural do Pará.
A maior parte das imagens foi produzida por estudantes do 9º ano e do ensino médio das escolas Doutor José Malcher e Norma Guilhon. Eles participaram de uma oficina realizada entre abril e maio. Além deles, seis fotógrafos convidados contribuíram com trabalhos que ampliam o alcance da pesquisa. Eles atuaram abordando territórios, experiências e temas que não poderiam ser acessados pelos jovens participantes, devido a limitações de idade ou deslocamento.
Segundo Kalif, a proposta surgiu da necessidade de reconhecer e valorizar as origens culturais da população local.
“Temos aqui uma cultura marcadamente indígena, presente na maneira de ser, de comer, de trabalhar e de se relacionar com o mundo. Buscamos investigar essas origens e compreender como elas permanecem vivas no cotidiano das comunidades”, explica.
A formação dos participantes foi dividida em dois módulos. O primeiro deles, ministrado por Moisés Araújo, trabalhou a sensibilização artística por meio de atividades lúdicas, construção de câmaras obscuras e experimentações com luz. No segundo módulo, conduzido por Kalif, os estudantes utilizaram câmeras de celular para documentar os chamados guardiões dos saberes ancestrais — muitas vezes seus próprios pais e avós.
Herança cultural de Colares é reconhecida
Durante o processo, rodas de conversa ajudaram os participantes a identificar conhecimentos preservados pelas gerações mais velhas. Dentre eles, atividades como a pesca artesanal, a produção de farinha e o manejo tradicional da terra.
O município é conhecido nacionalmente especialmente como um dos casos mais importantes da ufologia brasileira, que até hoje movimentam o turismo em Colares. Mas as descobertas acabaram revelando a influência dos povos Tupinambá na formação cultural de Colares.
“Os alunos passaram a reconhecer elementos da cultura indígena nos costumes da própria comunidade. Foi um processo de conscientização sobre a origem da cultura local e sobre a importância de assumir essa identidade, muitas vezes invisibilizada ao longo do tempo”, afirma o coordenador.
As fotografias retratam paisagens, atividades tradicionais e também personagens que mantêm vivos os conhecimentos herdados dos antepassados. Entre os registros, estão cenas da pesca de camarão, das margens dos rios, de terreiros e de espaços de educação não formal. Além disso, há interpretações poéticas sobre a ancestralidade e a relação dos moradores com o território.
Exposição itinerante leva arte a diferentes locais
Além da mostra instalada no Espaço Cultural, o projeto também conta com uma versão itinerante em formato de fotovaral. Neste caso, foi pensada para percorrer diferentes localidades da sede e das vilas da ilha.
A expectativa dos organizadores é que a iniciativa continue após o encerramento do edital, com a formação de um coletivo dedicado a ampliar a pesquisa e os registros sobre a memória cultural de Colares.
Participam da exposição: Adriana Barata, Alice de Nazaré da Costa Silva, Anderson Jorge, Ariel Miranda, Eduardo Kalif, Eloah Janicy Costa Moreira, Emanuelly Barros Rodrigues, Emilyn Pantoja Ferreira , Evelyn Lorrany, Francielly Espírito Santo, Hudson Natan Costa, Jacileia Trindade dos Anjos, Jaqueliny Vitória da Silva Moreira, José Lucas Correa da silva, Juruna, Keyse Gabrielle da Silva Ferreira, Mariany Modesto dos Santos, Mirian Cardoso, Rafaelly Vitória Lobo Ferreira, Rayla Cristina vitória monteiro, Raylla Melissa Lôbo Ferreira, Rudá Pinheiro.
Serviço
Exposição “Raízes Tupinambás”
Quando: aberta até o dia 15 de agosto
Visitação: de quarta a sexta-feira, das 16h às 20h e aos sábados e domingos, das 9h às 11h e das 16h às 19h.
Onde: Espaço Cultural da Sectel – Praia do Rio Novo, Colares – Marajó.
Quanto: gratuito.
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