A Justiça da Paraíba analisa, nesta terça-feira (03/11), um recurso apresentado pela defesa do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Vicente, contra a manutenção da prisão preventiva dos dois. O casal foi condenado em fevereiro de 2026 por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes e está detido na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa. O julgamento ocorre na Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), em sessão semipresencial.
Apesar da condenação, Hytalo e Israel ainda permanecem presos preventivamente, sem iniciar oficialmente o cumprimento das penas impostas na sentença. A defesa busca reverter a situação prisional dos dois.
O influenciador e o marido estão detidos desde agosto de 2025. Inicialmente, eles foram presos em Carapicuíba, na Grande São Paulo, e posteriormente transferidos para a Paraíba, onde permanecem recolhidos no Presídio do Roger.
Como começaram as investigações contra Hytalo Santos
As apurações envolvendo o influenciador começaram antes de o caso ganhar repercussão nacional. Em dezembro de 2024, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) informou que investigava denúncias de possível exploração de crianças e adolescentes em conteúdos publicados nas redes sociais.
Natural de Cajazeiras, Hytalo acumulava cerca de 16,9 milhões de seguidores em um de seus perfis na época. A investigação buscava esclarecer a participação de menores de idade nas produções divulgadas pelo influenciador.
Na ocasião, Hytalo publicou vídeos para rebater as acusações. Ele afirmou que mantinha uma relação de proximidade com adolescentes que frequentavam sua residência, chamados por ele de “crias”, e declarou que sua assessoria jurídica acompanhava as denúncias.
Vídeo de Felca ampliou repercussão do caso
O episódio ganhou dimensão nacional em agosto de 2025, quando o youtuber Felca publicou um vídeo abordando a produção de conteúdos envolvendo adolescentes por Hytalo Santos.
Na gravação, Felca apresentou exemplos de publicações e questionou a exposição de menores de idade em situações de conotação sensual. Entre os casos mencionados estava o de Kamyla Santos, que tinha 17 anos na época.
O vídeo também trouxe trechos de conteúdos publicados pelo influenciador e levantou discussões sobre a exploração da imagem de adolescentes nas redes sociais.
Dois dias após a publicação, em 8 de agosto de 2025, o perfil de Hytalo deixou de ficar disponível no Instagram.
Justiça determinou bloqueio de redes sociais
Em 12 de agosto de 2025, a Justiça da Paraíba determinou que Hytalo fosse impedido de acessar as redes sociais e de manter contato com os adolescentes mencionados na investigação.
A decisão também estabeleceu a desmonetização dos conteúdos publicados pelo influenciador. As medidas foram solicitadas pelo Ministério Público estadual em uma ação civil pública.
Durante as apurações, Hytalo foi ouvido pelo Ministério Público em maio de 2025, no município de Bayeux. Segundo o órgão, os adolescentes já haviam prestado depoimento em outro procedimento e não seriam chamados novamente naquele momento, como forma de evitar a revitimização.
As plataformas digitais também adotaram providências. O Google informou que havia retirado conteúdos considerados contrários às suas diretrizes e desmonetizado o canal. Já o TikTok comunicou o banimento de um perfil do influenciador.
Prisão ocorreu em São Paulo
Em 13 de agosto de 2025, policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência de Hytalo, localizada em um condomínio no bairro Portal do Sol, em João Pessoa. O influenciador não estava no imóvel quando as equipes chegaram.
No dia seguinte, a Justiça autorizou novas buscas em três endereços ligados a ele, incluindo a residência e dois prédios empresariais na capital paraibana. Durante as diligências, foram apreendidos computadores e aparelhos celulares.
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Hytalo e Israel foram presos preventivamente em 15 de agosto de 2025, em uma residência em Carapicuíba, na Grande São Paulo. De acordo com o delegado responsável pela operação, havia suspeita de que os dois estivessem em uma possível rota de saída do Brasil.
No dia seguinte à prisão, o Tribunal de Justiça da Paraíba negou um pedido de liberdade apresentado pela defesa por meio de habeas corpus.
Bloqueio de bens pode chegar a R$ 20 milhões
Outra frente do caso envolve a situação patrimonial do casal. Em 20 de agosto de 2025, a Justiça do Trabalho da Paraíba determinou o bloqueio de veículos, empresas, bens e valores pertencentes a Hytalo e Israel.
A medida, solicitada pelo Ministério Público do Trabalho, poderia alcançar até R$ 20 milhões. O objetivo era garantir recursos para uma eventual indenização por danos morais coletivos e outras medidas de reparação às possíveis vítimas.
Segundo o órgão, havia indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas e suspeitas de ocultação e transferência de patrimônio.
Transferência para a Paraíba
Em 28 de agosto de 2025, Hytalo e Israel foram transferidos de São Paulo para João Pessoa. Após a chegada, passaram por exames de corpo de delito no Instituto de Polícia Científica (IPC).
Na sequência, foram encaminhados à Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Roger, onde permanecem custodiados.
Hytalo Santos e marido foram condenados em fevereiro de 2026
Em fevereiro de 2026, a Justiça da Paraíba condenou Hytalo Santos e Israel Vicente por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Hytalo recebeu pena de 11 anos e quatro meses de prisão. Já Israel foi condenado a oito anos, dez meses e 20 dias. Para ambos, foi estabelecido o regime inicial fechado.
A sentença foi proferida pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa.
Após a decisão, os advogados dos dois apresentaram um pedido de anulação da condenação. Entre os argumentos, a defesa questionou a interpretação jurídica aplicada ao caso e citou a chamada ECA Digital e a proteção à liberdade de expressão cultural.
Os advogados também sustentaram que os conteúdos produzidos pelo casal estariam relacionados a manifestações culturais periféricas, como o BregaFunk. Até o momento descrito no material, não havia prazo definido para a análise desse pedido de anulação.
Casal também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro
Em 1º de julho de 2026, Hytalo e Israel foram alvos de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Campina Grande e Recife.
De acordo com as investigações, os valores analisados poderiam ter origem em jogos e apostas ilegais, incluindo pagamentos em dinheiro relacionados ao jogo do bicho. A apuração é considerada um desdobramento das investigações sobre a exploração da imagem de crianças e adolescentes.
Na ocasião, a defesa afirmou que os dois nunca se recusaram a colaborar com a Justiça e que estavam à disposição das autoridades para demonstrar sua inocência.
Influenciador responde a outros processos na Paraíba
Além da condenação, Hytalo Santos responde a outros 14 processos na Justiça paraibana, nas áreas criminal e cível. Entre os casos estão uma ação por resistência e processos relacionados a direito de imagem, despesas condominiais e inadimplência.
Na Justiça do Trabalho, Hytalo e Israel também são réus em uma ação que envolve acusações de tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.
Segundo o Ministério Público do Trabalho da Paraíba, a investigação apura suspeitas de que adolescentes eram levados para morar na residência do casal e submetidos a condições de trabalho, além de possíveis restrições ao contato com familiares e outras pessoas. Os processos tramitam em diferentes instâncias da Justiça e envolvem investigações distintas.





