Investigações sobre crimes financeiros costumam reunir movimentações bancárias, empresas, contratos e uma série de elementos analisados pelas autoridades ao longo de meses. Quando nomes conhecidos do público entram nesse tipo de apuração, o caso costuma ganhar ainda mais repercussão e gerar desdobramentos judiciais acompanhados de perto.
O ministro Flávio Dino negou seguimento à reclamação apresentada pela defesa da influenciadora Deolane Bezerra, que buscava revogar a prisão preventiva ou convertê-la em prisão domiciliar. A decisão foi publicada neste domingo (24) no âmbito da investigação sobre lavagem de dinheiro e suposta ligação com integrantes do PCC.
Conteúdo Relacionado:
- Divulgado áudio sobre “dinheiro do crime” no caso Deolane; ouça!
- Deolane presa: filho da influenciadora está entre os alvos da operação
Segundo a investigação, Deolane é apontada como suspeita de integrar um esquema de lavagem de capitais relacionado à facção criminosa. O caso tramita na 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, e inclui apurações sobre organização criminosa e ocultação de patrimônio.
A defesa argumentou que a prisão contrariaria entendimento do Supremo Tribunal Federal estabelecido no HC 143.641, que prevê a substituição da prisão preventiva por domiciliar para mães de crianças menores de 12 anos. Os advogados sustentaram que a influenciadora possui uma filha de 9 anos e que não existiria excepcionalidade suficiente para afastar esse benefício.
Além disso, os representantes de Deolane alegaram que ela possui residência fixa, exerce atividade profissional regular e teria patrimônio compatível com sua atuação empresarial e contratos publicitários.
Investigação cita movimentações financeiras
Na decisão, Flávio Dino afirmou que a reclamação constitucional não pode ser usada como um instrumento substituto de recursos judiciais adequados. O ministro também declarou que não identificou ilegalidade que justificasse a concessão de habeas corpus de ofício.
O magistrado ainda reproduziu trechos da investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, que apontam Deolane como integrante do núcleo financeiro do suposto esquema. Segundo os investigadores, ela teria recebido recursos provenientes de empresas ligadas à organização criminosa e utilizado pessoas jurídicas com características atribuídas a empresas de fachada.
Após a prisão, realizada na última quinta-feira (21), a defesa divulgou nota afirmando que a influenciadora estaria sofrendo perseguição e que acusações estariam sendo transformadas em condenações públicas antes da apresentação de provas.
Quer ler mais notícias de fama? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
O nome de Deolane já havia aparecido anteriormente em investigações relacionadas a apostas e lavagem de dinheiro. Em 2024, ela foi alvo de uma operação da Polícia Civil de Pernambuco que investigava jogos ilegais e movimentações financeiras consideradas suspeitas ligadas ao setor de apostas online.







