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Entre mitos e resistência, Cortejo Visagento celebra o Mapinguari no Guamá

Inspirado no imaginário amazônico, o Cortejo Visagento deste ano homenageia o Mapinguari, criatura lendária do folclore amazônico, para lembrar a luta dos povos ancestrais da Amazônia. O encontro ocorre nesta sexta-feira, 31, com concentração às 18h, no Cemitério Santa Izabel, com destino à Praça Benedito Monteiro, seguindo até às 22h, com concurso de fantasias e atrações culturais. Boi Marronzinho e grupos culturais do bairro animam a manifestação cultural.

Com o tema “Lutar e resistir contra os predadores da vida disfarçados de progresso”, o cortejo dialoga com o contexto da COP 30, denunciando os impactos sociais e ambientais vividos nas periferias: despejo de famílias, enchentes, violações territoriais e a luta por dignidade e pertencimento. 

O 7º Cortejo Visagento representa a mobilização das ruas do bairro do Guamá, afirma o organizador do evento, Raimundo de Oliveira. “A nossa temática faz uma referência ao contexto em que o morador do Guamá vive de ter que enfrentar a urbanização predatória, o racismo ambiental e estrutural entre outras questões que afetam a vida da nossa comunidade”.

Outro ponto é a relação do tema com a COP-30. O evento visa dar voz aos moradores, mostrando sua situação e visão sobre a crise ambiental causada pela busca do lucro em detrimento da vida. “Está profundamente ligado também com o papel que a cidade de Belém do Pará tem neste ano, com as discussões ambientais do Planeta através da COP-30. Então, o cortejo, mais do que ser uma festa, é também a voz do morador do bairro mostrando a nossa visão diante dessa situação em que o meio ambiente, a vida no planeta, está ameaçada pela destruição causada por um sistema cujo objetivo é obter o lucro e não valorizar a vida”, pontua o organizador.

A novidade deste ano foi a inclusão da primeira festa literária e os relatos dos moradores do bairro, que serão transformadas em memoriais nos próximos anos. “O cortejo visagento é uma ação de enraizamento comunitário, também é um ponto de contato com as partes mais internas do nosso bairro e ainda um diálogo com a cidade. Dentro desse processo, a grande novidade deste ano foi o fato de termos trabalhado a primeira festa literária do nosso bairro. No cortejo, vamos passar por ruas significativas para o morador, como a Rua Augusto Corrêa e a Passagem Napoleão Laureano, cuja história – dentro do cortejo –  é a que os moradores relataram, levando para um processo de construção de memoriais das ruas”, diz Raimundo de Oliveira.

Nascido e criado no bairro do Guamá, o ativista social, diz ainda que o cortejo é fruto de um projeto maior que busca fortalecer a organização comunitária, valorizando o patrimônio local, mesmo os locais historicamente marginalizados como o cemitério e hospitais. O objetivo é criar uma nova relação com os moradores, mostrando a produção cultural e a força da comunidade, mesmo em meio à pobreza, além de apresentar o bairro para a cidade através de diálogos diferenciados.

“O Cortejo busca, a partir da valorização do patrimônio que o bairro tem –  mesmo o cemitério Santa Izabel sendo um lugar que foi feito a partir de uma tentativa de se livrar daquilo que era indesejado, do leprosário e da própria construção de hospitais de doença infecciosas – elas serem provas de uma marginalização do território, nós procuramos, através dessa nossa luta, fazer uma nova aliança com o morador, mostrando outro lado do nosso bairro, como sendo da produção cultural. E mesmo em meio à pobreza, construirmos novos laços dentro do nosso bairro e apresentarmos também o nosso bairro para a cidade”, enfatiza Raimundo de Oliveira.

O evento aprovado dentro do edital 03/2025 de Pontos e Pontões de Cultura da PNAB.

CHEGUE POR LÁ

Quando: 31/10 (sexta-feira), às 18h, seguindo até às 22h;

Onde: (concentração) – Cemitério Santa Izabel – Av. José Bonifácio – Guamá, Belém – PA. Destino: Praça Benedito Monteiro –  Tv. Ezeriel Mônico de Matos, 469-591 – Guamá, Belém – PA.

Quanto: gratuito.

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