O vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, aproveitou a apresentação da banda no Rock in Rio 2026, nesta sexta-feira (4), para fazer um discurso de críticas ao cenário político brasileiro. No Palco Sunset, antes de cantar “Que País é Esse”, o músico citou o empresário Daniel Vorcaro, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e políticos de diferentes correntes ideológicas.
“Essa próxima música aqui é pro Daniel Vorcaro. Essa música aqui é pros meninos do STF, que nos devem explicações. Essa aqui é para os nossos políticos de direita, de centro, de esquerda, que nos devem explicações”, afirmou.
Na sequência, Dinho defendeu a democracia e pregou união diante do momento político do país.“A democracia brasileira vai resistir a isso. Nós juntos somos mais fortes!”, declarou.
O show do Capital Inicial também teve a participação de Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana. A apresentação ocorreu no primeiro dia do Rock in Rio 2026.
Dinho já havia apoiado Sérgio Moro
A postura adotada por Dinho no festival contrasta com um episódio ocorrido dez anos antes, quando o cantor demonstrou publicamente apoio ao então juiz federal Sérgio Moro, que ganhou projeção nacional durante a Operação Lava Jato e posteriormente entrou para a política.
Em 2016, durante um show do Capital Inicial no Teatro Positivo, em Curitiba, Moro acompanhou a apresentação de um camarote. Antes de cantar “Que País é Esse”, Dinho mencionou o nome do magistrado e pediu aplausos ao público.
A plateia respondeu com uma longa salva de palmas, e Moro se levantou para agradecer. O momento foi registrado em vídeo e repercutiu na época.
Anos depois, porém, Dinho afirmou que se arrependeu de ter apoiado o então juiz. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o vocalista disse que inicialmente enxergava a Lava Jato como uma operação independente, mas mudou de avaliação posteriormente.
“Mordi minha língua”, afirmou o cantor. Segundo Dinho, ele acreditava que a operação alcançaria políticos de diferentes grupos, mas passou a considerar que houve uma perseguição ao PT.
O músico também criticou a posterior entrada de Moro no governo de Jair Bolsonaro, como ministro da Justiça e Segurança Pública.
“Eu via a Lava Jato como uma operação independente, que alcançaria todos os políticos, mas virou perseguição ao PT. Mais tarde, o cara ainda virou ministro da Justiça justamente da pessoa beneficiada pela Lava Jato. Não houve isenção, e eu me oponho à falta de isenção”, declarou.
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