Após quatro décadas de estrada, a veterana banda paraense de hardcore Delinquentes se prepara para a sua primeira turnê internacional, organizada pela produtora Xaninho Discos. A banda vai tocar em um festival na República Tcheca, em julho, e depois segue uma agenda de shows pelo país e pela Alemanha.
“O convite veio ano passado, para tocarmos no Obscene Extreme Festival, que ocorre em Trutnov, na República Tcheca, e é considerado um dos maiores festivais de hardcore e metal (incluindo o extremo, como grindcore, death metal…) do mundo. O festival já está em sua 26ª edição e por ele já passaram mais de mil bandas do estilo. A partir daí, a Xaninho organizou outras datas na Alemanha e na própria República Tcheca”, explica o vocalista Jayme Katarro.
Xaninho é uma produtora de shows que trabalha como agenciadora e booking, além de ser um selo, e trabalha desde bandas já consolidadas no mercado, como Crypta, Krisiun, Supla, até artistas mais independentes do underground, como Elder Effe, Baixo Calão e a própria Delinquentes.
Para fazer bonito durante a turnê, a banda está em fase de preparação intensiva, fazendo até três densaios semanais. Além de Jayme, a banda segue na viagem com Paulo Bigfoot (guitarras), Pablo Cavalcante (baixo) e com o baterista Wagner Nugoli, substituindo Raphael Lima, integrante da banda há mais de duas décadas e que não poderá ir.
“Demorou quatro décadas para conseguirmos esse feito, e é de suma importância fecharmos esse ciclo com uma turnê lá fora. Devido à distância, a gente acaba ficando muito isolado aqui no Norte, conseguindo tocar vez ou outra em São Paulo. Já fizemos três tours lá e em outras cidades e estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas conseguir levar o nosso som e nossas mensagens nas letras para o público do velho continente é único, um divisor de águas”, celebra Jayme, que acrescentou que a emoção bate forte nesse momento de expectativa para explorar novos locais e públicos.
“A expectativa está a mil. Será a primeira vez de três integrantes da formação fora do país, então a emoção bate forte”, disse ele.
A banda tem uma história iniciada em 1985, com Jayme Katarro e o falecido Régis Rodrigues, que também integrava a banda Insolência Publika – pioneiros do punk paraense. Começou fazendo um hardcore bem cru e simples, e aos poucos foi acrescentando o estilo thrash metal, se transformando no hardcore crossover que fazem hoje.
Ao longo dos anos, a formação mudou bastante, mas a banda manteve sua pertinência no cenário do rock nacional independente. “Acho que é uma trajetória, acima de tudo, de resistência e luta. São quatro décadas persistindo em fazer o que gostamos, independente de tendências ou modas dentro da música. Nós atravessamos todas as fases possíveis do rock paraense e até do país. Vimos festivais, bandas, casas de shows e cenas inteiras nascerem, crescerem e algumas acabarem. E a gente continua na estrada simplesmente por fazermos o que amamos e por acreditarmos no nosso próprio trabalho”, destacou Jayme.
Com quatro álbuns lançados em CD, dois vinis (um deles lançado pelo selo alemão Vortex) e um DVD gravado ao vivo na Praça da República, em 2012, além de vários singles e participações em coletâneas, o Delinquentes tem na turnê internacional um novo marco na sua trajetória.
“Poucas bandas do rock underground paraense conseguiram mostrar seu trabalho lá fora. Umas quatro ou cinco apenas. E esperemos que cada vez mais essa porta se abra para que a cena mostre cada vez mais a força do rock autoral local no país e mundo”, finalizou Jayme.
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