Sete agremiações se apresentaram pelo Grupo 1 no último sábado (7), na Aldeia Amazônica, no bairro da Pedreira, durante o desfile das escolas de samba dos grupos de acesso.
Quem abriu a noite, às 22h20, foi a Associação Carnavalesca Império Jurunense, que levou para a avenida o enredo “Princesinha do Vale do Acará: Onde a Ancestralidade Floresce em União e Força”, homenageando a cidade de Concórdia do Pará.
“O Império decidiu honrar na avenida a cidade, dada a sua história peculiar e cultura vibrante. Diferente de muitos municípios paraenses, Concórdia nasceu por meio da miscigenação de povos migrantes, principalmente nordestinos”, destacou Sérgio Moraes, presidente da escola.
A agremiação apresentou dois carros alegóricos e cerca de 850 integrantes — aproximadamente 20% deles naturais do município homenageado — que compuseram a ala responsável por representar a emancipação da cidade.
Um dos carros alegóricos trouxe a representação fiel da igreja tradicional do município.
“Nos últimos dois anos, a nova presidência promoveu intensa reestruturação na agremiação, com foco na responsabilidade financeira, fiscal e tributária, além de renovação artística em busca da excelência. A escola quer conquistar o acesso ao Grupo Especial, a elite do Carnaval de Belém, e a expectativa é que o trabalho desenvolvido seja recompensado com o tão sonhado acesso”, acrescentou o presidente.
Em seguida, por volta das 22h30, foi a vez da Associação Carnavalesca Coração Jurunense, a segunda escola a desfilar, com o enredo “Erê, a Encantaria de Brincar no Coração Jurunense”, uma homenagem às crianças encantadas presentes nas religiões de matrizes africanas.
“Erê, nas religiões de matriz africana, representa a criança, a pureza, a leveza e a energia. Esse erê é o erê da Aldeia, do Jurunas, do nosso grande bairro, da nossa periferia. É a alegria das crianças que têm sonhos e expectativas. Estamos trazendo essa pureza e essa alegria de brincar pelas vielas da nossa comunidade. No sincretismo religioso, o enredo também faz referência a Cosme e Damião”, explicou Nazareno dos Santos, presidente de honra da escola.
A comissão de frente representou os Erês da Casa de Umbanda. Já o primeiro carro alegórico trouxe a imagem de Cosme e Damião, além de alas formadas por crianças e brincantes vestidos como os irmãos gêmeos.
“A expectativa é ótima. Temos confiança de que o público vai compreender a mensagem do enredo e que faremos uma disputa equilibrada com as demais escolas. Estamos no páreo”, afirmou.
A aposentada Dinair dos Reis aproveitou a gratuidade para prestigiar os desfiles da arquibancada e comemorou o momento. “Amo Carnaval. É uma oportunidade que o prefeito nos deu com a gratuidade e estamos aproveitando. Graças a Deus não está chovendo. Está tudo muito bom”, disse ela, que aguardava o desfile do Rancho Não Posso Me Amofiná, sua escola do coração.
“Sou ranchista e não estou desfilando porque operei o joelho há um mês. Este ano não pude sair, mas vou esperar a escola com certeza. Lá pelas 3h da madrugada eles entram na avenida”, acrescentou.
As arquibancadas não estavam lotadas, mas o outro lado da avenida ficou bastante movimentado, com o público disputando espaço para acompanhar os desfiles.
“Viemos prestigiar esse espetáculo, que é pura cultura popular, e estamos adorando. Precisamos valorizar o que é nosso”, afirmou a professora Alice Reis.
No meio da folia, havia quem apreciasse os desfiles, mas mantinha o foco nas vendas para garantir uma noite produtiva, como o ambulante Riquelmi Rodrigues, que comercializava pipoca durante as apresentações.
“As vendas estão ótimas, maravilhosas. Está do jeito que eu queria. Se puder melhorar, melhor ainda, mas estou vendendo bem. Vou buscar mais pipoca para continuar”, disse, sorridente.
Já o ambulante Paulo Vitor, vendedor de batata frita, avaliou o movimento como abaixo do esperado.
“Desde a semana passada estou trabalhando no Carnaval, mas as vendas não estão como a gente esperava. Público até tem, mas as vendas acontecem aos poucos. Ainda assim, dá para se manter”, relatou.
Ao longo da noite, também desfilaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas da Batucada, o Grêmio Recreativo Social e Cultural Escola de Samba Mocidade Olariense, o Grêmio Recreativo Cultural e Social Guardiões do Samba, o Rancho Não Posso Me Amofiná e a Associação Carnavalesca Alegria Alegria.
A apuração dos resultados será realizada na terça-feira (10), quando serão divulgadas as notas das escolas dos grupos 1, 2 e Avaliação.
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