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De David Bowie a Billy Idol: A jornada de Supla, o “Camaleão” inesperado do Rock

Filho de políticos, o vocalista do Tóquio teve a música “Mão Direita” censurada, mas virou um símbolo sexual nos anos 80.. Foto: Divulgação

O roqueiro Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, nascido em 1966, é um dos nomes mais inesquecíveis da cena musical brasileira, conhecido tanto por seu sucesso nos anos 80 quanto por sua resiliência pessoal, de acordo com o jornalista Júlio Ettore. Supla, que já foi vocalista da banda Tóquio, ator e alvo de críticas, teve uma trajetória marcada por um berço de ouro, a vida de “zé ninguém” nos EUA e um retorno triunfal graças a um clipe considerado trash.

O Berço de Ouro e as Primeiras Críticas

Supla é filho da psicóloga e sexóloga Marta Suplicy, descendente de nobre família portuguesa, e do economista Eduardo Suplicy, bisneto do Conde Francesco Matarazzo. Ele e seus dois irmãos foram alfabetizados em inglês, após seus pais receberem bolsas de estudo nos Estados Unidos.

Apesar do contexto privilegiado, Supla (descrito como alto, magro e loiro de cabelo espetado) voltou ao Brasil para morar com os avós, onde descobriu o rock. Fã dos Beatles e da presença de palco de Mick Jagger, ele montou sua primeira bateria com latas e panelas. Nos anos 70, ele descobriu o movimento punk.

Após aventuras que incluíram surfar no Havaí, jogar futebol na Noruega e assistir a David Bowie na Alemanha, ele formou a banda Tóquio. O nome foi sugerido por Tico Terpens, da Joelho de Porco. O som da banda era classificado como synth pop ou punk tecnológico, com visual de “punk de boutique”.

Em 1985, mesmo com os pais envolvidos na política (Eduardo era deputado e Marta conhecida por seu quadro no TV Mulher), eles apoiaram o filho. O compacto de estreia pela Som Livre, que incluía a música “Mão Direita” (com insinuações sobre masturbação), foi censurado para radiodifusão.

A crítica, contudo, recebeu a banda com indiferença, preferindo focar na origem familiar. Supla foi logo comparado a Billy Idol e definido pelo JB do Rio como “punk burguês”.

O Sucesso da Tóquio e o Encontro com Nina Hagen

A Tóquio foi contratada pela CBS e, aproveitando a imagem e performance de Supla no palco (que a crítica não podia negar), a aposta deu certo. O LP Humanos (março de 1986) gerou o hit “Garota de Berlim”, após Supla convidar a alemã Nina Hagen – com quem teve um breve romance. A banda vendeu mais de 100.000 cópias, e Supla virou símbolo sexual.

Contudo, a pressão e a inexperiência dos jovens membros, que não tinham 20 anos, cobraram seu preço. O álbum seguinte, O Outro Lado (1987), vendeu apenas 40.000 cópias. Supla reclamava que a crítica “esquece de ouvir nossas músicas para falar de nossas famílias”. A banda se desfez em 1989, mas Supla já decolava em carreira solo, lançando seu primeiro disco e estrelando propagandas e o filme Uma Escola Atrapalhada ao lado de Angélica.

A Vida de Zé Ninguém em Nova York

No final dos anos 90, Supla rompeu o contrato e decidiu se mudar para os Estados Unidos. Em 1991, ele chegou a se apresentar no Rock in Rio no mesmo dia de Billy Idol, após ser convidado por Dodd Sirena.

Em 1993, Supla se mudou para Nova York para ser um “zé ninguém” e cortar todos os seus méritos pessoais ligados ao berço de ouro. O dinheiro acabou em cinco meses, e seus pais avisaram que não iriam ajudar. Para sobreviver, ele fez bicos, trabalhou até como demolidor de paredes, e chegou a ser contratado por Luciano Huck para gravações do programa H.

Sua vida em Nova York era sem glamour ou assédio, mas ele era livre. Ele formou a banda Cycle 69 e viveu situações perigosas, como levar um tiro no meio de uma confusão e jogar futebol para o time da máfia colombiana. Foi nesse período que compôs “Green Hair” (sobre Mônica, uma punk por quem se apaixonou), gravada na casa de um traficante.

O Retorno e a Redescoberta Pop

Após sete anos, Supla voltou ao Brasil para ajudar na campanha de sua mãe à prefeitura de São Paulo, que foi eleita.

Foi então que ele foi redescoberto. O VJ Marcos Mion, no programa Piores Clipes do Mundo da MTV, resgatou e fazia piadas com o clipe caseiro de “Green Hair”, bem como com o sotaque e trejeitos de Supla (como ao dizer “JP”). A música virou um clássico trash no Brasil, e Supla levou a situação na esportiva.

A consagração na mídia de massa veio com o convite de Silvio Santos para a primeira edição do reality show Casa dos Artistas no SBT. Supla ficou em segundo lugar e se envolveu com a vencedora, Bárbara Paz. O sucesso foi estrondoso: seu CD solo vendeu 300.000 cópias, e ele declarou ter ficado rico.

Carreira Recente e Status de Camaleão

Com o irmão João, ele montou a Brothers of Brazil, que mistura Punk e Bossa Nova, chegando a se apresentar nos EUA e na Inglaterra. Em 2014, ele estrelou o reality Papito in Love na MTV.

Durante a pandemia, Supla viralizou com um clipe de kung fu. Mais recentemente, ele passou a cantar com a banda Punks de Boutique, com quem lançou o single “Mamas Boy”.

Em uma coincidência incrível, ele foi confirmado como atração de abertura do show de Billy Idol em São Paulo, em novembro. Segundo Júlio Ettore, Supla é um camaleão, tal qual seu ídolo de verdade, David Bowie

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