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Cinema Experimental: videopoema e videoarte ganham espaço em formação audiovisual

Cena de um dos filmes produzidos a partir da formação. FOTO: DIVULGAÇÃO

A formação “Cinema Experimental: o videopoema e a videoarte como ensaios poéticos audiovisuais” reuniu estudos teóricos e práticas de criação ao longo de quatro módulos. Ao longo do curso, os participantes produziram 23 curtas-metragens. Agora essa produção integra a mostra “ANTI-RETRATO – Mostra de Cinema Experimental”, com exibição presencial marcada para esta quinta-feira, 17 de setembro, às 19h, na Casa da Linguagem (Av. Nazaré, 31, esquina com Assis de Vasconcelos, bairro de Nazaré). A entrada é gratuita.

Realizado no formato de Educação a Distância (EAD), o curso proporcionou aos participantes contato com conceitos, referências e práticas relacionadas ao cinema experimental. Além disso, eles desenvolveram trabalhos audiovisuais que exploram diferentes possibilidades de narrativa, linguagem e criação.

O quarto e último módulo foi dedicado à preparação da mostra com os trabalhos produzidos ao longo do curso.

Videopoema e videoarte como linguagens poéticas

O projeto nasceu da iniciativa de um grupo de artistas que atuam na interseção entre diferentes linguagens e desenvolvem trabalhos que aproximam, especialmente, poesia e audiovisual. Teve módulos conduzidos pelos escritores Rodrigo Briveira, Marcílio Caldas Costa e Andreev Veiga.

Nesse contexto, o videopoema e a videoarte exploram estruturas narrativas que podem fugir dos modelos tradicionais do cinema. Assim, as obras podem apresentar construções elípticas, não lineares e compostas por diferentes camadas de sentido.

Por isso, essas produções convidam o espectador a experimentar outras formas de olhar. Em vez de seguir necessariamente uma narrativa convencional, o público encontra uma linguagem que amplia as possibilidades de interpretação e cria novas relações entre imagem, som, palavra e pensamento.

Cinema experimental propõe outras formas de narrar

A proposta parte da compreensão de que o cinema não precisa se limitar a uma única estrutura narrativa ou a um modelo determinado de produção e fruição.

Ao longo da história, uma determinada “forma de cinema” tornou-se predominante. Essa estrutura consolidou modos específicos de produzir, exibir e assistir a filmes. No entanto, diferentes artistas passaram a questionar essas convenções e a experimentar outras possibilidades para a linguagem audiovisual.

É nesse território que aparecem categorias como videoarte, videopoema, videoinstalação e cinema de artista. Embora sejam frequentemente associadas ao chamado cinema experimental, essas práticas também ajudam a ampliar a própria compreensão do que pode ser considerado cinema.

A proposta do projeto parte justamente dessa expansão. Afinal, cinema não precisa seguir uma gramática fixa. Como linguagem artística, ele pode atravessar fronteiras, incorporar outras formas de expressão e criar novas maneiras de produzir sentidos.

A errância como possibilidade de criação

O cinema experimental pode ser compreendido como uma espécie de escrita ensaística. Nesse processo, o pensamento percorre caminhos diferentes para encontrar formas subjetivas, inventivas e, muitas vezes, poéticas de abordar determinado tema.

Essa característica aproxima o cinema experimental da poesia. Em ambos os campos, os artistas podem subverter formas estabelecidas de linguagem e buscar maneiras diferentes de construir um discurso.

Dessa maneira, a errância também se transforma em uma possibilidade criativa. O audiovisual deixa de funcionar apenas como instrumento para contar uma história e passa a construir experiências por meio da imagem, do som, da palavra, do ritmo e da montagem.

Formação gerou 23 curtas-metragens

Ao longo de quatro módulos, os participantes passaram por uma introdução ao conceito de videopoema, puderam aprofundar a relação entre audiovisual, poesia e experimentação, discutindo o videopoema e a videoarte como formas de escrita, e por fim trabalhar as possibilidades de experimentação e criação audiovisual. No final, os participantes produziram 23 curtas-metragens.

Participaram da formação Ireane Melo, Kylane Gomes, Yuri Amorim, Vinicius Azevedo, Cláudia Chini e Isis Katherine de Holanda.

A proposta foi estimular uma experiência expandida de cinema, baseada na invenção, na experimentação e na poesia. Nesse sentido, a formação também pretende fortalecer a prática cinematográfica e estimular um pensamento audiovisual contemporâneo.

A expectativa é que os participantes possam compartilhar os conhecimentos e as experiências adquiridas em diferentes espaços sociais, como escolas, associações comunitárias, cineclubes e grupos de estudo.

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