Cinco artistas paraenses decidiram transformar as próprias histórias em imagens. O resultado dessa experiência poderá ser visto a partir desta sexta-feira (4), em Belém, na exposição “Contemporâneas: um retrato na arte amazônica”, que reúne fotografias produzidas a partir dos corpos, memórias, territórios e ancestralidades das artistas. A abertura será realizada a partir das 19h, na Galeria Benedito Nunes, na Fundação Cultural do Pará.
Mais do que posar para uma fotografia, as artistas participaram da construção de seus próprios retratos. O projeto nasceu de uma expedição fotográfica que percorreu diferentes espaços, como bairros, ilhas, praias, praças, ateliês e bosques, escolhidos a partir das experiências e dos universos de cada uma delas. O processo também foi registrado em vídeo e transformado em um documentário, que será exibido durante a abertura da exposição.
Idealizado pela fotógrafa e multiartista Luísa Brasil, o projeto reúne, além dela, as artistas Alice Hermosa, Hgatadirua, Tarsila Rosa e Assucena Pereira. A proposta é mostrar como experiências pessoais podem se transformar em criação artística e, ao mesmo tempo, provocar uma reflexão sobre quem produz as imagens e narrativas sobre a Amazônia.
“A ideia por trás dessa exposição foi a de entender o que provoca essas artistas a criar, e o que faz com que suas criações venham para o mundo, para sensibilizar outras pessoas”, explica Luísa Brasil.
Entre os trabalhos estão diferentes perspectivas sobre ser mulher e viver na Amazônia. A atriz e dramaturga Tarsila Rosa utiliza a própria trajetória como matéria para discutir identidade, ancestralidade, desigualdades e a representação da região.
“Durante muito tempo, artistas e pesquisadores de fora vieram até a Amazônia para nos estudar e falar por nós, nos colocando apenas como objetos de pesquisa. Quando eu assumo a cena, me coloco como exemplo e uso minha própria dor para criar, quebrando essa lógica”, afirma.
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A artista Assucena Pereira, que veio do teatro e encontrou na palhaçaria uma forma de expressão, leva para seu trabalho questões relacionadas ao corpo negro, racismo e sexualização. Para ela, a arte também pode ser uma ferramenta de encontro e provocação.
Já Alice Hermosa desenvolveu seu trabalho a partir da relação com o calor e com a terra amazônica, investigando a transformação de pigmentos naturais provocada pelo sol. A artista atualmente integra a equipe do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e busca levar sua produção e sua relação com a Amazônia para outros espaços.
Além das fotografias, o público poderá conhecer parte do processo que deu origem às obras por meio do documentário “Contemporâneas”. O filme acompanha as artistas durante a expedição e registra performances construídas a partir de suas histórias, memórias, dores, sonhos e ancestralidades.
A exposição propõe, assim, um olhar sobre a Amazônia a partir de quem vive e produz na região. Em vez de serem apenas personagens de imagens produzidas por olhares externos, as cinco artistas assumem o papel de autoras e protagonistas das próprias narrativas.
SERVIÇO
Exposição “Contemporâneas: um retrato na arte amazônica” Vernissage e exibição do documentário “Contemporâneas”
Data: sexta-feira, 4 de setembro
Horário: a partir das 19h
Local: Galeria Benedito Nunes, Fundação Cultural do Pará (FCP), Batista Campos, Belém-PA






