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Artista faz intervenção poética no centro de Belém

Crédito: Danielle Fonseca

Qual o sentido da frase “O mundo dá voltas”? Esta é uma expressão comum que se refere à passagem de tempo, mas também pode significar uma expressão exitosa diante de algo, como se fosse um recado para dar a alguém. Bem como “O mundo dá voltas” na sua própria ação efetuada com o caminhão percorrendo a cidade, dando voltas, transformando-o numa espécie de caminhante urbano. Assim, a artista visual e doutora em Artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Keyla Sobral, busca democratizar a arte, permitindo que diferentes públicos tenham acesso a manifestações artísticas de forma gratuita e acessível, que é  o objetivo maior do projeto “O Mundo dá Voltas”.

Crédito: Danielle Fonseca

“Venho trabalhando há bastante tempo com a palavra como matéria poética e também visual, em diferentes suportes, como neon, desenho, GIF, painéis de LED. O que tem me interessado nesse processo poético é justamente perceber como uma mesma palavra ou frase pode ganhar outros sentidos dependendo do lugar onde aparece. E no caso deste projeto, o suporte é a própria cidade”, disse Keyla Sobral, explicando em seguida, que parte dessa vontade de fazer a arte circular, é da obra atravessar a cidade e se misturar à paisagem causando esse contato com as pessoas. 

“E nesse caso me aproprio de uma mídia que normalmente está a serviço da publicidade e do consumo e transformo em suporte para uma experiência poética”, acrescentou ela.

Projeto “O Mundo dá Voltas”

O projeto busca ampliar esse alcance da arte para além das paredes museais, invadindo as ruas através da exibição itinerante de uma obra de Keyla Sobral, utilizando um caminhão equipado com um grande painel em backlight. A ação acontece até hoje, 25, e o veículo vai trafegar pelos pontos mais importantes da cidade, desde o Ver-o-Peso, Cidade Velha, Ver-o-Rio, Comércio, Portal da Amazônia, entre outros.

“Gosto muito de jogos de palavras, me interesso por isso. Porque ao mesmo tempo que é no sentido que as situações se transformam, que o mundo muda, mas também é no sentido de dar voltas pela cidade, atravessar com a palavra essa paisagem”, falou Keyla

A ação começou na última quarta-feira, 23, quando passou desde Ananindeua até o centro histórico. E quinta, começou pelo centro histórico às 14h, com uma parada estratégica para interação com o público às 17h no Ver-o-Rio, e seguiu rodando pela noite.

Hoje, 25,  último dia da ação, o projeto vai percorrer o Ver-o-Rio, Doca de Souza Franco, Casa das 11 Janelas, MABE,  Ver-o-Peso, Mercedários, Estação das Docas, Mercado de São Brás e Presidente Vargas.

O público interage com a intervenção artística, se aproxima de forma espontânea, vem conversar sobre como a palavra os atravessa. Alguns fotografam, conversam e até se emocionam, o que emociona a artista também.

Crédito: Danielle Fonseca

Impacto e alcance da arte

“O jogo das palavras é muito interessante para mim, porque ouvi muitas histórias pessoais por exemplo de como a vida dela mudou profissionalmente, ou o outro dizendo da separação, ou outro falando que isso era o sentido da vida, enfim muitas leituras, muitos alcances carregados de emoção. Uma disse essa frase: ‘diz tudo pra mim!’.  Você não tem ideia de como pode afetar alguém e como pode atravessá-lo de maneiras tão diferentes. Ou seja, para mim não é apenas a artista que observa a cidade, a cidade também observa a obra”, contou Keyla, que está produzindo um vídeo dessa ação, que será divulgado nas suas minhas redes e fará uma exibição num espaço cultural da cidade, que ainda será definido.

Outros projetos e curadorias

“Queria percorrer mais cidades, seria interessante”, acrescentou ela. A Keyla também vem assumindo um papel de destaque em projetos de curadoria, assina a  curadoria da “Delírio Tropical”, juntamente com o Orlando Maneschy, que está no Sesc Pinheiros em São Paulo e este ano está na curadoria do 42° Arte Pará, que ocorrerá no dia 5 de novembro no Museu do Estado do Pará. Além de seu trabalho, “Eu Chorei Rios”,  está na FGV Arte, no Rio de Janeiro, com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff. Além de ter uma obra na exposição coletiva “Eu Chorei Rios: Arte  dos Povos das Américas”, o nome da exposição é em homenagem à arte de Keyla. A mostra fica em cartaz até dia 30 de setembro de 2026.

“Trabalhar com curadoria é também uma forma de pensar a arte enquanto pesquisa, um trabalho árduo que envolve o pensamento, atenção e cuidado tanto quanto faço com meus trabalhos artísticos”, finalizou Keyla.

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