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Ucrânia recruta brasileiros com salário de até R$ 51 mil para lutar na guerra; você encararia?

Portal oficial do governo ucraniano reúne vagas, salários, requisitos e orientações para estrangeiros interessados em integrar as Forças de Defesa da Ucrânia. Foto: divulgação/reprodução

A Ucrânia ampliou a campanha para recrutar combatentes estrangeiros e passou a mirar diretamente os brasileiros. Além da divulgação nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, o governo mantém um portal oficial em português com informações sobre vagas, requisitos, salários e benefícios para quem deseja integrar as Forças de Defesa da Ucrânia durante a guerra contra a Rússia.

A iniciativa ocorre em um momento de forte pressão sobre o efetivo militar ucraniano. Após mais de três anos de conflito, o país enfrenta dificuldades para repor soldados mortos, feridos e desertores.

Diante desse cenário, o governo intensificou a busca por voluntários estrangeiros e passou a investir em campanhas específicas para países como Brasil e Colômbia.

Na página oficial, a mensagem é direta. O governo convida estrangeiros a “Lutar pela Ucrânia” e afirma que os voluntários ajudarão a “defender a liberdade da Ucrânia, da Europa e do mundo inteiro”.

O site também informa que o Centro de Recrutamento para Estrangeiros foi criado para facilitar o ingresso de cidadãos de outros países em diferentes unidades das Forças de Defesa da Ucrânia.

Portal oficial apresenta vagas, requisitos e novos salários para militares estrangeiros. Foto: divulgação/reprodução

Requisitos e oportunidades de atuação

Além de um guia jurídico para estrangeiros, o portal explica todas as etapas do recrutamento e disponibiliza um formulário para envio de candidatura.

Segundo o governo ucraniano, o centro trabalha em parceria com diversas unidades militares que já possuem experiência com combatentes internacionais e acompanha os candidatos durante o processo de seleção e encaminhamento.

Os requisitos também aparecem detalhados na plataforma. De acordo com o governo, podem participar pessoas entre 18 e 60 anos. Os candidatos não podem possuir antecedentes criminais, precisam passar por avaliação médica, não podem apresentar doenças crônicas incompatíveis com o serviço militar e devem comprovar condições físicas para desempenhar atividades básicas de infantaria.

Outro requisito importante diz respeito à entrada no país. O portal informa que os candidatos precisam possuir condições legais para viajar até a Ucrânia, já que as unidades militares não fornecem vistos nem custeiam passagens ou despesas de deslocamento.

A página apresenta ainda diversas oportunidades de atuação. Entre as vagas anunciadas estão funções como motorista, atirador sênior, motorista-operador de rádio, instrutor médico, técnico sênior e outras especialidades distribuídas entre diferentes unidades militares.

Novos contratos militares prometem remuneração maior para quem atua na linha de frente. Foto: divulgação/reprodução

Salários e benefícios para voluntários

Um dos principais atrativos da campanha é a reformulação da política salarial anunciada pelo Ministério da Defesa da Ucrânia.

Segundo o portal oficial, o governo implantou um novo sistema de remuneração que aumenta significativamente os pagamentos para militares que atuam diretamente nas áreas de combate.

A prioridade, segundo a página, é atrair voluntários estrangeiros para funções consideradas de maior risco, como infantaria de assalto, médicos de combate, artilheiros, motoristas militares, atiradores de elite e batedores.

O chamado

Contrato de Infantaria de Assalto prevê pagamentos variáveis conforme o nível de exposição ao combate.

Segundo o governo ucraniano, o militar pode receber aproximadamente US$ 215 por dia quando permanece em posições de combate.

Durante missões de reconhecimento ou operações de menor intensidade, o pagamento informado é de cerca de US$ 435 por dia.

Já em operações de assalto, consideradas as mais perigosas, o adicional pode chegar a aproximadamente US$ 870 por dia.

Além desses valores, o contrato prevê um salário-base mensal de aproximadamente US$ 435.

De acordo com o governo ucraniano, a remuneração média de um militar contratado nessa modalidade pode alcançar cerca de US$ 6.520 por mês e, em determinadas condições operacionais, chegar a US$ 10 mil mensais ou R$ 51.296,00.

R$ 51 mil por mês: você deixaria o Brasil para lutar na Ucrânia?

O portal afirma que, com esse novo modelo, os soldados da infantaria de assalto passam a figurar entre os profissionais militares mais bem remunerados do mundo.

Ainda segundo a plataforma, caso o militar permaneça durante todo o mês na retaguarda por motivos justificados, como o período de treinamento básico — que dura cerca de um mês e meio —, receberá aproximadamente US$ 650.

Outra modalidade apresentada é o Contrato de Combate. Esse modelo é destinado a militares que atuam em unidades de drones, artilharia, guerra eletrônica e outras especialidades.

Conforme o governo, quanto mais próximo da linha de frente estiver o combatente, maior será a remuneração. Os pagamentos variam entre aproximadamente US$ 650 e US$ 2.610 por mês.

Já o Contrato Básico, voltado principalmente para atividades de retaguarda, teve reajuste de um terço, segundo o portal. A remuneração passou para aproximadamente US$ 650 mensais e pode atingir cerca de US$ 1.520 quando o militar participa de missões especiais ou operações de combate.

O portal também informa pagamentos adicionais por determinadas operações militares.

Segundo o governo ucraniano, grupos envolvidos na captura de um soldado inimigo podem receber aproximadamente US$ 2.175, valor dividido entre os participantes da ação.

Além disso, a plataforma informa um pagamento de aproximadamente US$ 325 por cada soldado inimigo eliminado em combate corpo a corpo ou confronto direto.

Os militares ainda podem receber uma ajuda anual de aproximadamente US$ 435 destinada a despesas com cuidados de saúde.

Segundo o governo, todos os pagamentos são realizados em hryvnias ucranianas (UAH) diretamente na conta bancária do voluntário estrangeiro. O portal destaca que a moeda pode ser convertida em dólares, euros e outras moedas internacionais.

Treinamento e tecnologia militar

Além da remuneração, o governo destaca que os voluntários terão acesso a treinamento profissional e poderão atuar em um dos exércitos mais experientes da guerra moderna.

Na própria página oficial, a Ucrânia afirma que desenvolveu novas técnicas de combate envolvendo drones de ataque, robôs terrestres armados, sistemas de guerra eletrônica, defesa antiaérea e operações de alta tecnologia.

Segundo o portal, voluntários internacionais participaram de algumas das campanhas consideradas mais importantes desde o início da invasão russa em larga escala.

O governo também afirma que estrangeiros terão oportunidade de aprender e atuar com equipamentos utilizados diariamente no conflito.

Campanha mira brasileiros e escassez de soldados

Nos últimos meses, vídeos produzidos por militares e representantes das Forças de Defesa da Ucrânia passaram a circular em grupos de WhatsApp, Telegram, Signal, YouTube, TikTok, Instagram e outras redes sociais.

Os conteúdos destacam salários, treinamento, seguro de vida e oportunidades profissionais para convencer brasileiros a integrarem a Legião Internacional da Ucrânia.

O governo também traduziu toda a plataforma oficial para o português, facilitando o acesso às informações sobre recrutamento.

Segundo reportagem publicada pelo UOL, brasileiros já demonstram interesse na campanha. Um dos casos é o do cinegrafista amazonense Renato Belém, ex-militar do Exército Brasileiro, que vendeu o carro e iniciou uma campanha de arrecadação para custear a viagem até a Ucrânia.

Escassez de soldados impulsiona campanha

A ampliação do recrutamento internacional acontece enquanto a Ucrânia enfrenta dificuldades para manter seu efetivo militar.

Estimativas apontam que cerca de 100 mil soldados desertaram desde o início da invasão russa, enquanto dezenas de milhares morreram nos combates.

Atualmente, Kiev afirma manter aproximadamente 800 mil militares em atividade.

Na tentativa de ampliar o contingente, o governo reduziu a idade mínima do serviço militar obrigatório de 27 para 25 anos e reforçou o controle nas fronteiras para impedir que homens em idade de recrutamento deixem o país.

Outro desafio é a crise demográfica. Dados oficiais apontam que a população ucraniana caiu de aproximadamente 50 milhões, em 1991, para cerca de 32 milhões de habitantes.

Segundo especialistas do país, a Ucrânia deverá depender cada vez mais da participação de estrangeiros tanto durante quanto após o fim da guerra.

No Brasil, dados do Itamaraty indicam que oito brasileiros morreram oficialmente no conflito desde 2022 e 13 permanecem desaparecidos.

Estimativas apontam que até 100 brasileiros integram atualmente a Legião Internacional da Ucrânia, embora não exista confirmação oficial desse número.

ENQUETE: O que mais pesa na decisão de quem aceita lutar em uma guerra no exterior?

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