Com o segundo turno da eleição presidencial de 2026 definido entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as propostas dos dois candidatos para os concursos públicos e o funcionalismo federal passam a ganhar maior atenção. Os programas apresentam diferenças na forma de administrar a máquina pública, na relação com servidores, na estrutura dos ministérios e no futuro das empresas estatais.
O levantamento feito pelo Qconcursos Folha Dirigida considera os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de declarações dos candidatos e integrantes das equipes durante a campanha. Embora nenhum dos programas apresente um cronograma fechado ou quantidade definida de vagas para novos concursos, existem diferenças importantes sobre a política de pessoal.
Flávio Bolsonaro: reforma e redução da máquina
O programa de Flávio Bolsonaro prevê a continuidade de uma reforma administrativa voltada à modernização do Estado e das carreiras públicas. Entre as medidas estão a redução de cargos comissionados e despesas administrativas e o corte de pelo menos dez ministérios.
O candidato também propõe combater supersalários e os chamados “penduricalhos” pagos no serviço público. O programa, entretanto, não detalha possíveis alterações relacionadas à estabilidade, progressão funcional ou remuneração dos servidores.
Outra diretriz é ampliar critérios técnicos para a escolha de dirigentes de agências reguladoras e profissionalizar a administração das empresas estatais. Para cargos de direção dessas companhias, a proposta prevê utilizar, quando possível, mecanismos de recrutamento semelhantes aos adotados pelo mercado.
O plano também defende o fortalecimento da Lei das Estatais, com redução de indicações políticas para empresas públicas e fundos de pensão.
Privatizações e empresas públicas
A política para as estatais representa outro ponto de diferença entre os candidatos. A coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, afirmou durante a campanha que mais de 20 empresas poderiam ser analisadas dentro de um eventual processo de desestatização.
A avaliação definiria quais companhias deveriam permanecer sob controle estatal e quais poderiam ser reestruturadas, privatizadas ou liquidadas. Entre as empresas mencionadas durante a campanha estão o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) e o Banco do Brasil.
A Caixa Econômica Federal, porém, ficaria fora desse processo. “A Caixa, principalmente, tem um papel muito importante no plano. A gente quer a Caixa como um braço na ponta, levando não só soluções de crédito, mas orientação financeira e capacitação para que o brasileiro possa crescer junto com o Brasil”, afirmou Daniella Marques.
Flávio Bolsonaro também propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização para avaliar empresas nas quais a presença do Estado seja considerada desnecessária.
Tecnologia no serviço público
A digitalização aparece entre as prioridades do programa de Flávio. A proposta é disponibilizar digitalmente todos os serviços públicos federais que possam funcionar nesse formato, ampliar a integração de documentos e dados no GOV.BR e aumentar a utilização de inteligência artificial.
O programa também prevê mecanismos de transparência, controle dos gastos públicos e avaliação de políticas governamentais.
Apesar das mudanças previstas na estrutura administrativa, o plano não estabelece quantidade de vagas, datas ou cronograma para novos concursos federais.
Lula: valorização de servidores e concursos periódicos
O programa de Lula segue outra direção e prevê aprofundar a política de valorização dos servidores públicos federais e manter a Mesa Nacional de Negociação Permanente.
Na gestão administrativa, o objetivo é compartilhar estruturas relacionadas a pessoal, orçamento e contratações entre ministérios e órgãos federais. A intenção é reduzir custos e melhorar a eficiência dos gastos.
Para os concursos, Lula propõe manter e aprimorar a política de cotas no serviço público e ampliar a participação da população negra tanto no funcionalismo quanto nos cargos superiores da administração.
O plano também estabelece a continuidade dos concursos públicos federais, embora não apresente número específico de vagas ou calendário de seleções.
CNU pode virar política permanente
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou durante a campanha que um eventual novo mandato de Lula deverá trabalhar com contratações menores e mais frequentes de servidores.
Segundo ela, ainda existe necessidade de pessoal em setores como Educação, Meio Ambiente, Administração Pública e Defesa Civil. A estratégia seria evitar longos períodos sem reposição de servidores.
“Ainda falta gente, mas estamos dimensionando a força de trabalho e considerando o impacto da IA. Hoje já temos mais de 180 soluções de IA implementadas no governo e cerca de 700 em andamento. O servidor de que você precisa no futuro não é o mesmo que precisava antes. O objetivo é ter entradas menores e constantes de servidores, como o Itamaraty faz”, afirmou Dweck.
A ministra também defendeu a realização periódica do Concurso Nacional Unificado (CNU). O modelo poderia ganhar edições anuais ou bienais e, futuramente, permitir a participação de estados e municípios.
Valorização dos servidores
O programa de Lula ainda prevê ampliar programas de formação e capacitação dos servidores, inclusive por meio de parcerias com estados e municípios.
Na Educação, estão previstas a manutenção do Piso Nacional do Magistério e políticas de formação e valorização dos professores. O plano também cita a expansão dos Institutos Federais, universidades e hospitais universitários.
Na Segurança Pública, a proposta é investir na valorização e qualificação dos profissionais. O programa também prevê modernização da administração federal e expansão dos serviços digitais.
Em relação às empresas públicas, Lula adota posição contrária à privatização dos Correios. Durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em 27 de agosto, o candidato afirmou: “Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios”.
Assim, enquanto Flávio Bolsonaro concentra suas propostas na redução da estrutura administrativa, reforma do Estado, revisão de estatais e digitalização, Lula aposta na manutenção dos concursos, contratação mais frequente de servidores, continuidade do CNU e políticas de valorização do funcionalismo.
O post Lula e Flávio Bolsonaro têm visões distintas para concursos e funcionalismo; conheça as propostas apareceu primeiro em Diário do Pará.






