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Desemprego cai, carteira assinada cresce, mas 6 milhões não estudam nem trabalham

Levantamento do Ministério do Trabalho mostra que o desemprego entre jovens caiu, mas permanecer no primeiro emprego ainda é um dos maiores desafios da juventude brasileira. Foto: gerada por IA

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentou um levantamento inédito sobre a realidade dos 32,9 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 24 anos. Com base nos dados da PNAD Contínua do primeiro trimestre de 2026, o estudo mostra avanços importantes no mercado de trabalho, como a queda do desemprego, o aumento da formalização e o crescimento do número de jovens ocupados. No entanto, o diagnóstico também revela um problema persistente: a dificuldade de permanência no primeiro emprego.

Panorama da juventude no mercado de trabalho

O estudo, intitulado “Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança”, foi apresentado à imprensa no Teatro CIEE, em São Paulo, pela Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET) nesta quinta, 25. O levantamento traça um amplo panorama sobre educação, empregabilidade, renda, informalidade, qualificação profissional e os desafios que ainda dificultam a inserção e o desenvolvimento da juventude no mercado de trabalho.

Ao todo, o Brasil possui 32,9 milhões de jovens, o equivalente a 15,4% da população. Desse total, 12,8 milhões (39%) apenas estudam, 9,6 milhões (29,1%) apenas trabalham, 4,3 milhões (13,2%) conciliam estudo e trabalho e 6,2 milhões (18,7%) não estudam nem trabalham, grupo conhecido como “nem-nem”.

O levantamento mostra que esse último grupo voltou a crescer de forma sazonal. O número passou de 5,5 milhões no fim de 2025 para 6,2 milhões no primeiro trimestre de 2026. Segundo o MTE, a situação atinge principalmente mulheres jovens negras, que frequentemente deixam os estudos e o trabalho para assumir responsabilidades com os cuidados da casa e da família.

Outro dado que chama atenção é a concentração dos jovens em ocupações de menor qualificação. Segundo o estudo, 84% trabalham em funções generalistas, como balconistas e escriturários, sem exigência de formação técnica específica. Além disso, 7,8 milhões recebem até um salário mínimo e meio, enquanto apenas um em cada sete jovens ocupa cargos técnicos ou de nível superior.

A pesquisa também revela que a jornada média semanal dos adolescentes trabalhadores é de 27,3 horas, ultrapassando em mais de sete horas o tempo normalmente destinado ao contraturno escolar. Na prática, o trabalho acaba competindo diretamente com o tempo dedicado aos estudos.

Avanços e desafios na inserção profissional

Durante a apresentação, a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, destacou que ampliar a escolaridade é fundamental para melhorar a qualidade da inserção profissional.

“Essa é uma realidade da nossa sociedade, mas precisamos lutar para que o jovem almeje postos de trabalho maiores e isso exige um esforço individual de uma maior escolaridade, mas também de uma sociedade que precisa entender que o jovem tem que chegar lá e facilitar a vida dele para isso e não criar empecilhos”, afirmou.

Paula Montagner apresentou os dados à imprensa. Foto: ascom CIEE

Apesar dos desafios, o levantamento também registra avanços importantes. O número de jovens ocupados chegou a 13,9 milhões, superando o período anterior à pandemia em 569 mil pessoas. Além disso, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos caiu para 13,8%, enquanto entre adolescentes de 14 a 17 anos ficou em 25,1%. Mesmo assim, os índices permanecem 2,4 vezes superiores à média nacional, atualmente em 5,8%.

Outro indicador positivo é a expansão da formalização. Hoje, 57,8% dos jovens ocupados possuem carteira assinada, o equivalente a 8 milhões de trabalhadores. A informalidade também apresentou redução entre jovens de 18 a 24 anos, chegando a 39,4%. No entanto, entre adolescentes de 14 a 17 anos, ela ainda alcança 72,8%.

Mesmo com o avanço das contratações, a pesquisa mostra que a rotatividade continua elevada. Segundo o diagnóstico, 52% dos adolescentes entre 14 e 17 anos permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 38,2%, indicando que conquistar a primeira oportunidade ainda não significa conseguir permanecer nela.

Propostas para fortalecer a integração escola-trabalho

Diante desse cenário, o MTE aponta uma série de medidas para fortalecer a integração entre escola e mercado de trabalho. Entre as propostas estão a ampliação da escolaridade, o combate à evasão escolar por meio de programas como o Pé-de-Meia e a Educação de Jovens e Adultos (EJA) profissionalizante, além da criação de capacitações específicas para o público “nem-nem”, com cursos em ensino a distância voltados principalmente para jovens mães e rapazes.

O estudo também recomenda ampliar as vagas de Aprendizagem Profissional nas regiões Norte e Nordeste, onde a população jovem é proporcionalmente maior e mais vulnerável, além de investir em letramento digital e em inteligência artificial, preparando os jovens para profissões de maior qualificação tecnológica e melhores salários.

Para o superintendente Institucional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Rodrigo Dib, a divulgação do levantamento reforça a importância da produção de dados para orientar políticas públicas e ampliar as oportunidades para a juventude.

“A divulgação desse panorama inédito reforça a relevância da nossa atuação institucional. Mais do que gerar oportunidades, nosso papel é subsidiar o mercado com inteligência e conhecimento para impulsionar a empregabilidade jovem.”

O CIEE, que completa 62 anos de atuação, informa que já contribuiu para a inserção de 7 milhões de brasileiros no mercado de trabalho e mantém cursos gratuitos de qualificação, além de projetos voltados ao fortalecimento da inclusão social e da formação profissional da juventude.

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