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Casas Bahia fecha 298 lojas, demite cerca de 2 mil e admite recuperação judicial; e como fica no Pará?

Crise financeira levou o Grupo Casas Bahia a fechar 298 lojas no país dentro de uma estratégia para reduzir custos.

A Casas Bahia atravessa uma das fases mais delicadas de sua história recente. Depois de fechar 298 lojas, promover uma forte rodada de demissões e adiar a divulgação do balanço do segundo trimestre, a varejista revelou neste domingo (16) um prejuízo de R$ 10,1 bilhões e informou que estuda medidas mais duras para reorganizar suas dívidas, inclusive uma nova recuperação extrajudicial ou até recuperação judicial.

O resultado representa o oitavo trimestre consecutivo de perdas. No mesmo período de 2025, o prejuízo havia sido de R$ 555 milhões. Com a nova baixa, o patrimônio líquido da companhia ficou negativo em R$ 8,1 bilhões, enquanto a dívida líquida encerrou junho em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Ainda não há confirmação pública e oficial de fechamento de lojas ou de número de demissões no Estado do Pará. Até maio deste ano o Grupo Casas Bahia informava oficialmente possuir 41 lojas no Pará, sem unidades da bandeira Ponto. Isso coloca o Estado entre os mercados relevantes da rede no Norte — atrás, em número de unidades, apenas de alguns dos grandes mercados do Nordeste e Sudeste.

Prejuízo bilionário e reestruturação

A companhia atribuiu parte expressiva do rombo a baixas contábeis. Entre os ajustes aparecem R$ 5,7 bilhões relacionados a imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e fechamento de lojas. A empresa vem reduzindo o tamanho da operação para tentar adequar custos, estoques e despesas ao atual nível de atividade.

A estratégia também passa por comprar menos mercadorias. Segundo a própria companhia, reduzir estruturalmente o volume de compras significa operar em escala menor, numa tentativa de preservar caixa em um ambiente de juros elevados e endividamento das famílias.

298 lojas fechadas

Um dos movimentos mais visíveis foi o fechamento de 298 unidades em diferentes partes do país. A Casas Bahia afirma que a retirada de lojas deficitárias deverá melhorar a rentabilidade média das unidades que permanecerem abertas. A companhia projeta aumento de 1,4 ponto percentual na margem de contribuição média do parque remanescente.

A empresa também espera ampliar de cinco a seis pontos percentuais a participação do tradicional carnê nas lojas mantidas em funcionamento. O crédito próprio continua sendo considerado uma peça estratégica para relacionamento com clientes e rentabilidade da operação.

Demissões atingem cerca de 2 mil trabalhadores

O fechamento das lojas veio acompanhado de demissões em massa. Cerca de 1,9 mil funcionários teriam sido desligados em apenas dois dias, sendo aproximadamente 600 na quinta-feira (13) e outros 1,3 mil na sexta-feira (14).

A Casas Bahia afirma que está revisando o quadro de colaboradores para adequá-lo ao novo tamanho da operação. Contratos, despesas e investimentos também estão sendo reavaliados em busca de uma estrutura de custos compatível com a geração de caixa esperada.

Os cortes provocaram reação sindical. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou que pretende ajuizar ação coletiva pedindo reintegração e indenização por danos morais. A entidade sustenta que trabalhadores teriam sido surpreendidos com unidades fechadas e que não houve negociação prévia adequada.

Balanço foi adiado

A divulgação dos resultados do segundo trimestre estava originalmente prevista para quarta-feira, mas acabou transferida para sexta-feira (14), após o fechamento do mercado. O adiamento ocorreu justamente quando aumentavam as notícias sobre fechamento de lojas e cortes de pessoal.

O site de Relações com Investidores da companhia confirma que os números do 2º trimestre foram programados para 14 de agosto, com videoconferência para perguntas e respostas marcada para 17 de agosto, às 14h, pelo horário de Brasília.

Recuperação judicial está no radar

Diante da deterioração financeira, a varejista admitiu formalmente que avalia uma reorganização de passivos. Entre as alternativas estão nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial, instrumentos utilizados para renegociar dívidas com credores e tentar preservar a continuidade da empresa.

A companhia já havia recorrido à recuperação extrajudicial em 2024. Desde então, buscou reduzir alavancagem e melhorar o perfil da dívida, inclusive por meio da conversão de debêntures em ações. O mercado, porém, continua cobrando sinais mais claros de geração recorrente de caixa.

Estratégia digital e cenário do varejo

A reestruturação não se limita às lojas físicas. A Casas Bahia informou que está revendo sua estratégia nos canais digitais e pretende priorizar margem, geração de caixa e retorno sobre o capital, em vez de perseguir crescimento de vendas em categorias ou operações que não apresentem retorno econômico adequado.

O desafio é especialmente grande porque o varejo de bens duráveis permanece pressionado pelos juros elevados e pelo crédito mais caro. Esses fatores prejudicam justamente compras parceladas de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, áreas historicamente centrais para a Casas Bahia.

Com menos lojas, menos funcionários e uma operação digital mais seletiva, a companhia tenta agora provar que consegue transformar a redução de tamanho em melhora de margem e geração de caixa. O risco é que, sem recuperação operacional suficiente, a reorganização financeira precise avançar para instrumentos mais profundos.

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