O agronegócio brasileiro é responsável por 28,40 milhões de empregos em todo o Brasil. Somente no ano de 2025, os trabalhadores do agronegócio representaram 26,3% do total de pessoas ocupadas (PO) no país. Os dados apontados por um estudo do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) representam um recorde desde 2012, quando a série histórica começou a ser analisada.
Mais do que isso, o cenário aponta um contexto de aquecimento do setor no mercado de trabalho nacional, onde cada vez mais profissionais qualificados são demandados. E no Estado do Pará não faltam cursos voltados para quem deseja fazer carreira na área. Entre as formações que estão preparando a nova geração de talentos do setor estão desde as voltadas para a área de tecnologia de alimentos, até a de engenharia cartográfica e de agrimensura.
Mercado aquecido e a formação de talentos
Com 75 anos de dedicação à formação de capital humano para o desenvolvimento sustentável do agronegócio regional, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) reúne 43 cursos de graduação distribuídos em seis campi localizados no estado do Pará: Capanema, Capitão Poço, Tomé-Açu, Paragominas, Parauapebas, além da capital Belém.
Somente em 2026, 2.290 vagas já foram ofertadas nos processos seletivos da instituição. Deste total, 47% estão vinculadas a cursos diretamente ligados ao agronegócio. É o caso, por exemplo, dos cursos de Agronomia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Engenharia Florestal, Engenharia de Pesca, Gestão do Agronegócio, Medicina Veterinária e Zootecnia.
Para além destes, o professor de Economia Regional e do Agronegócio em cursos de graduação e pós-graduação da Ufra, Prof. Dr. Marcos Antônio Souza dos Santos, destaca que a instituição também ampliou a oferta de graduações que oferecem suporte tecnológico e gerencial ao agronegócio. É o caso dos cursos de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis, Engenharia Cartográfica e de Agrimensura, Engenharia de Produção, Administração, Ciências Contábeis e Sistemas de Informação.
Entre tantas opções de cursos de graduação disponíveis no Pará, hoje, o professor destaca que os cursos ligados às ciências agrárias continuam representando uma boa oportunidade de formação para os jovens paraenses. E isso se traduz nas taxas de lotação das turmas ingressantes da Ufra, o que corresponde à relação entre o número de alunos efetivamente matriculados em disciplinas do primeiro semestre e o total de vagas ofertadas em cada curso.
“No primeiro semestre de 2026, alguns dos principais cursos da área registraram bons índices. No Campus Belém, por exemplo, Agronomia, Engenharia Florestal, Engenharia de Pesca e Medicina Veterinária apresentam taxas de lotação das turmas iniciantes superiores a 90%”.
Potencial de crescimento e sustentabilidade
Um destaque é o curso de Gestão do Agronegócio, criado em 2025. O professor considera que, embora esteja em sua segunda turma, o curso demonstra potencial de crescimento. “A expectativa é que a demanda por profissionais com formação voltada à gestão, inovação e competitividade das cadeias produtivas reforce a importância estratégica desse curso para os próximos anos”, avalia ele, que antes de se tornar professor, também foi formado pela Ufra no curso de engenharia agrônoma.
Esse potencial de crescimento apontado por Marcos Antônio considera, também, o próprio desempenho do setor do agro no Pará. Ele destaca que o estado possui o segundo maior rebanho bovino do país e o maior rebanho de búfalos. Na agricultura, é o maior produtor de mandioca, palma de óleo, açaí e amêndoas de cacau. Além de ser o segundo maior produtor de abacaxi e de pimenta-do-reino do Brasil.
“O desenvolvimento dessas cadeias exige a adoção de práticas alinhadas aos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança). Conservação ambiental, redução de emissões, rastreabilidade da produção, responsabilidade social e conformidade com exigências do mercado são decisivas para a competitividade e sustentabilidade”, contextualiza.
“Neste sentido, a Ufra entende que a formação de capital humano é fundamental para sustentar o desenvolvimento do agronegócio paraense nessas novas bases. Os instrumentos de planejamento da Universidade permitem o monitoramento e a análise dos cenários econômicos, sociais, tecnológicos e ambientais que influenciam o desenvolvimento regional. As informações geradas subsidiam a revisão e a adequação do Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC), garantindo uma formação alinhada às demandas da sociedade e às exigências do mercado de trabalho”.
Neste cenário, o professor considera que todos os segmentos do agronegócio paraense demandam mão de obra especializada, sejam agricultores familiares, produtores de médio e grande porte, cooperativas, agroindústrias ou empresas de agrosserviços.
Na agricultura familiar, por exemplo, ele destaca que existe demanda por profissionais para apoiar a implementação de sistemas de produção agroecológicos. Já os produtores de médio e grande porte necessitam de suporte em áreas como gestão da produção, agricultura de precisão, monitoramento ambiental, análise de dados e inteligência de negócios.
Da mesma forma, as cooperativas agropecuárias demandam profissionais das áreas de assistência técnica, gestão, comercialização e desenvolvimento territorial. Agroindústrias precisam fortalecer a rastreabilidade, controle de qualidade, segurança dos alimentos, logística e se adequar aos padrões dos mercados nacional e internacional.
E na área de agrosserviços, o professor destaca a demanda por assistência técnica, consultoria, projetos de financiamento, comercialização de insumos, tecnologias digitais, geoprocessamento e monitoramento ambiental. Ele destaca que, especialmente nesses casos, a demanda é por profissionais com a capacidade de integrar conhecimentos multidisciplinares.
Tendências e oportunidades de atuação profissional
Quando se busca analisar as tendências que devem movimentar o mercado do agronegócio nos próximos anos no Pará, o professor destaca quatro grande dimensões: pessoas, conhecimento, biodiversidade e adaptação às mudanças climáticas. “Quando falo em pessoas não estou tratando apenas da formação de profissionais. Mas, principalmente, da valorização dos agricultores familiares, comunidades tradicionais e todas as populações que vivem em áreas rurais. Precisamos nos preocupar com as mudanças demográficas e com a sucessão geracional, criando oportunidades de renda e trabalho digno”.
Neste sentido, ele avalia que o conhecimento permitirá transformar ciência, tecnologia e inovação em soluções para os desafios produtivos e ambientais. O uso sustentável da biodiversidade, associado à agregação de valor e à organização das cadeias produtivas, deverá fortalecer o que os pesquisadores chamam de sociobioeconomia. E a adaptação às mudanças climáticas deve ganhar ainda mais protagonismo, impulsionando temas como combate ao desmatamento, uso do solo, regularização ambiental, mercado de carbono, recuperação de áreas degradadas e agroecologia.
Com todo esse cenário em mente, o Prof. Dr. Marcos Antônio Souza dos Santos considera que os alunos que seguem graduações ligadas diretamente ao agronegócio encontram boas oportunidades de atuação profissional após a saída da universidade. “Agrônomos, engenheiros florestais, médicos veterinários, zootecnistas e profissionais das áreas de tecnologia de alimentos, gestão e meio ambiente são cada vez mais demandados para atuar em diferentes elos das cadeias produtivas do agronegócio paraense”, considera. “Na iniciativa privada existem oportunidades em empresas, cooperativas, agroindústrias, revendas de insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, logística e comercialização, além de organizações que prestam agrosserviços”.
Outra possibilidade de atuação está nas organizações não governamentais. Segundo o professor, essas ONGs também oferecem espaços importantes de atuação, especialmente em projetos voltados ao desenvolvimento territorial, fortalecimento da agricultura familiar, inclusão socioprodutiva e promoção de sistemas agroalimentares sustentáveis.
Já no serviço público, os egressos podem atuar em órgãos municipais, estaduais e federais ligados à assistência técnica e extensão rural, defesa agropecuária, planejamento e gestão ambiental, financiamento e operacionalização de políticas públicas.
“A formação oferecida pela Ufra também estimula o empreendedorismo ao oportunizar experiências relacionadas à liderança, gestão de projetos, planejamento de negócios e resolução de problemas reais do setor produtivo. Isso é viabilizado por meio da participação nas diferentes empresas juniores dos cursos de graduação ou então em movimentos autônomos de empreendedorismo universitário”, finaliza.
🌱 Cursos para trabalhar no agronegócio no Pará
🎓 GRADUAÇÃO
🏛️ UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia)
📍 Belém
- Agronomia
- Ciência e Tecnologia de Alimentos
- Engenharia Ambiental e Energias Renováveis
- Engenharia Cartográfica e Agrimensura
- Engenharia de Pesca
- Engenharia Florestal
- Medicina Veterinária
- Zootecnia
- Gestão do Agronegócio
📍 Capanema
- Agronomia
- Engenharia Ambiental e Energias Renováveis
📍 Capitão Poço
- Agronomia
- Engenharia Florestal
📍 Paragominas
- Agronomia
- Engenharia Florestal
- Zootecnia
📍 Parauapebas
- Agronomia
- Engenharia de Produção
- Engenharia Florestal
- Zootecnia
📍 Tomé-Açu
- Engenharia Agrícola
🏛️ UFPA (Universidade Federal do Pará)
📍 Belém
- Desenvolvimento Rural
- Engenharia de Alimentos
📍 Tucuruí
- Engenharia Sanitária e Ambiental
📍 Castanhal
- Medicina Veterinária
📍 Cametá
- Agronomia
- Educação no Campo
📍 Bragança
- Engenharia de Pesca
📍 Ananindeua
- Geoprocessamento
📍 Altamira
- Agronomia
- Educação no Campo
- Engenharia Florestal
📍 Abaetetuba
- Agroecologia
- Educação no Campo
- Engenharia de Produção
🏛️ UEPA
- Engenharia Ambiental
- Engenharia Florestal
🏛️ IFPA (Graduação)
📍 Belém
- Tecnologia em Saneamento Ambiental
📍 Ananindeua
- Tecnologia em Gestão Ambiental
📍 Castanhal
- Agronomia
- Engenharia de Pesca
📍 Conceição do Araguaia
- Agronomia
- Engenharia Ambiental e Sanitária
📍 Santarém
- Agronomia
📍 Itaituba
- Engenharia Ambiental e Sanitária
📍 Tucuruí
- Engenharia de Pesca
- Engenharia Ambiental e Sanitária
📍 Marabá Rural
- Tecnologia em Agroecologia
📍 Marabá Industrial
- Tecnologia em Gestão Ambiental
📍 Vigia
- Tecnologia em Produção Pesqueira
📍 Cametá
- Tecnologia em Agroecologia
📍 Bragança
- Tecnologia em Agroecologia
- Tecnologia em Gestão Ambiental
📍 Breves
- Tecnologia em Agroecologia
- Tecnologia em Gestão Ambiental
🏛️ UFOPA
📍 Santarém
- Ciências Agrárias (Bacharelado)
- Engenharia Florestal
- Agronomia
- Zootecnia
- Engenharia Sanitária e Ambiental
- Gestão Ambiental
- Engenharia de Pesca
- Ciências da Terra
- Ciências Atmosféricas
- Ciências Ambientais
📍 Monte Alegre
- Engenharia de Aquicultura
- Agronomia
📍 Juruti
- Agronomia
- Engenharia Florestal
📍 Rurópolis
- Agronomia
🏛️ UNIFESSPA
📍 Marabá
- Engenharia Florestal
- Educação do Campo
- Agronomia
📍 Xinguara
- Zootecnia
- Medicina Veterinária
📍 São Félix do Xingu
- Engenharia Florestal
🛠️ CURSOS TÉCNICOS
📚 Integrado ao Ensino Médio (IFPA)
📍 Belém
- Agrimensura
📍 Castanhal
- Agroindústria
- Agropecuária
📍 Tucuruí
- Agrimensura
📍 Itaituba
- Agroecologia
📍 Marabá Rural
- Agroecologia
- Agroindústria
- Agropecuária
📍 Altamira
- Agropecuária
📍 Breves
- Agropecuária
📍 Cametá
- Agropecuária
📍 Conceição do Araguaia
- Agropecuária
📍 Óbidos
- Agropecuária
- Florestas
📍 Santarém
- Agropecuária
📍 Bragança
- Aquicultura
- Pesca
📍 Vigia
- Aquicultura
📍 Abaetetuba
- Pesca
📚 Técnicos Subsequentes (IFPA)
📍 Belém
- Aquicultura
📍 Abaetetuba
- Aquicultura
📍 Óbidos
- Agroecologia
📍 Marabá Rural
- Agroindústria
- Agropecuária
📍 Bragança
- Agropecuária
📍 Castanhal
- Agropecuária
📍 Conceição do Araguaia
- Agropecuária
📍 Santarém
- Aquicultura
📚 EJA Integrada à Educação Profissional
📍 Castanhal
- Agropecuária
📊 Ao todo, o Pará oferece dezenas de cursos superiores e técnicos voltados ao agronegócio, formando profissionais para áreas como produção agrícola, pecuária, pesca, aquicultura, gestão ambiental, tecnologia de alimentos e inovação no campo.
O post Agro bate recorde de empregos no Brasil e abre milhares de oportunidades no Pará apareceu primeiro em Diário do Pará.







