O INSS e a Dataprev confirmaram a ocorrência de um vazamento de dados que expôs informações cadastrais de aproximadamente 2 milhões de brasileiros. O incidente, identificado originalmente em abril, acendeu o alerta sobre a segurança dos sistemas previdenciários, embora o perfil das vítimas apresente uma característica atípica: a grande maioria dos registros pertence a pessoas já falecidas.
De acordo com o balanço oficial das entidades, cerca de 97% dos dados vazados referem-se a cidadãos mortos. No entanto, o volume de pessoas vivas afetadas ainda é expressivo, com pelo menos 50 mil ocorrências confirmadas de CPFs ativos que tiveram suas informações devassadas pela falha de segurança.
A vulnerabilidade ocorria no momento da abertura de novos requerimentos de benefícios. Ao inserir o CPF de um cidadão no sistema, a interface exibia detalhes como o nome completo, data de nascimento e, o que é mais sensível, todo o histórico de vínculos empregatícios do segurado. Segundo a Dataprev, a falha foi corrigida assim que detectada, e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já foi formalmente notificada sobre a extensão do problema.
Prato cheio para os criminosos
Especialistas em segurança digital alertam que, embora a maioria das vítimas tenha falecido, o vazamento de 50 mil registros de pessoas vivas é um “prato cheio” para criminosos. Esses dados podem ser cruzados para a realização de fraudes, abertura de contas falsas e tentativas de contratação de empréstimos consignados.
O INSS reforçou que a concessão de créditos e benefícios hoje conta com camadas extras de proteção, como o bloqueio para empréstimos em benefícios novos e a exigência de biometria facial em diversos serviços. A recomendação para os segurados é que monitorem regularmente o extrato de pagamentos através do portal Meu INSS e fiquem atentos a qualquer movimentação estranha em seus históricos.
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