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São 11 milhões com FGTS atrasado: como descobrir se a sua empresa deixou de depositar

Atrasos no FGTS já atingem 11 milhões de trabalhadores e somam R$ 12,6 bilhões; consulta pelo aplicativo pode revelar meses sem depósito

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Milhões de trabalhadores têm depósitos do FGTS em atraso e podem descobrir o problema apenas quando precisam sacar o dinheiro. Foto: divulgação/reprodução
Milhões de trabalhadores têm depósitos do FGTS em atraso e podem descobrir o problema apenas quando precisam sacar o dinheiro. Foto: divulgação/reprodução

Até junho deste ano, 11 milhões de trabalhadores tinham depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em atraso. Segundo um levantamento feito pelo Jornal Nacional, a dívida das empresas chegou a R$ 12,6 bilhões.

O problema pode passar despercebido durante meses ou até anos. Muitas vezes, o trabalhador só descobre que há valores faltando quando precisa usar o dinheiro do fundo, principalmente após uma demissão sem justa causa.

Por isso, acompanhar o extrato do FGTS pode evitar uma surpresa justamente no momento em que o trabalhador mais precisa do recurso.

O que é o FGTS?

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado para proteger o trabalhador em situações previstas pela legislação, como demissão sem justa causa, aposentadoria e outras hipóteses que permitem o saque.

Todos os meses, a empresa deve depositar o equivalente a 8% do salário do trabalhador contratado pelo regime CLT em uma conta vinculada ao fundo.

Esse valor é uma obrigação do empregador. Portanto, a empresa não pode descontar o depósito do salário do funcionário.

Além de funcionar como uma reserva financeira para o trabalhador, os recursos do FGTS ajudam a financiar projetos de habitaçãoinfraestrutura e operações de microcrédito.

Dívida das empresas aumentou

O problema cresceu nos últimos meses. Em setembro de 2025, um levantamento apresentado pelo Jornal Nacional apontava que os atrasos nos repasses do FGTS afetavam aproximadamente 9,5 milhões de brasileiros. Na época, as empresas deviam cerca de R$ 10 bilhões.

Agora, o número subiu para 11 milhões de trabalhadores afetados. Ao mesmo tempo, a dívida dos empregadores chegou a R$ 12,6 bilhões.

A diferença mostra que tanto o número de trabalhadores prejudicados quanto o volume de dinheiro em atraso aumentaram.

FGTS atrasado pode ser descoberto apenas na demissão

A falta dos depósitos pode causar um problema ainda maior quando o trabalhador é demitido e percebe que não tem no fundo todo o dinheiro que deveria estar disponível.

Em quais situações o FGTS pode ser sacado?

O dinheiro do FGTS não pode ser sacado a qualquer momento. A legislação estabelece situações específicas em que o trabalhador pode acessar os valores.

Entre elas estão:

  • demissão sem justa causa;
  • aposentadoria;
  • compra da casa própria;
  • tratamento de doença grave;
  • saque-aniversário, para quem aderiu à modalidade;
  • outras situações previstas na legislação.

Por isso, manter os depósitos em dia é fundamental. Afinal, o trabalhador precisa ter os valores disponíveis quando surgir uma situação que permita o saque.

Aplicativo do FGTS permite ao trabalhador consultar o histórico de depósitos feitos pela empresa. Foto: divulgação/reprodução

Como saber se o FGTS está atrasado?

A principal forma de verificar a situação é consultar o extrato da conta do FGTS.

O trabalhador pode fazer essa consulta pelo aplicativo FGTS. A ferramenta mostra os depósitos realizados pelo empregador e permite identificar períodos em que não houve movimentação.

Se algum mês estiver sem depósito, o trabalhador deve guardar o extrato do FGTS e outros documentos que comprovem o vínculo de trabalho.

Esses registros podem ajudar na hora de buscar a regularização dos valores.

Empresas devem depositar mensalmente 8% do salário do trabalhador contratado pelo regime CLT no FGTS. Foto: divulgação/reprodução

Como consultar o extrato do FGTS?

A consulta pode ser feita pelo aplicativo FGTS e pelos canais oficiais da Caixa Econômica Federal.

No primeiro acesso ao aplicativo, o trabalhador precisa fazer um cadastro com o CPF e criar uma senha.

Depois de entrar na conta, basta acessar as contas vinculadas e consultar o histórico de depósitos realizados pelo empregador.

Dessa forma, o trabalhador consegue conferir se os valores estão sendo depositados normalmente ou se existem períodos em atraso.

O que fazer se a empresa não depositar o FGTS?

Ao identificar depósitos atrasados, o trabalhador pode procurar o Ministério do Trabalho para denunciar a irregularidade.

O atendimento pode ocorrer presencialmente ou pelos canais disponibilizados pelo órgão.

Além disso, a falta de regularidade pode gerar consequências para a própria empresa. Uma delas é a impossibilidade de obter o Certificado de Regularidade do FGTS (CRF).

Sem o certificado, a empresa pode enfrentar restrições para conseguir determinados empréstimos bancários e participar de licitações públicas.

Recuperação de valores

Segundo o Ministério do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho recuperou aproximadamente R$ 6,2 bilhões para o FGTS desde março do ano passado.

Por isso, mesmo que o salário esteja em dia, vale consultar o extrato do FGTS sempre que possível. Assim, o trabalhador consegue identificar eventuais atrasos com antecedência e buscar a regularização antes de precisar do dinheiro.

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