Quem nunca recebeu uma daquelas ligações inconvenientes no celular? O chamado “telemarketing” continua usando e abusando da paciência dos brasileiros. Um novo estudo, feito pelo Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec), mostra que, no Brasil, são realizadas mais de 1 bilhão de ligações abusivas por mês, sem que haja consentimento dos consumidores. Para coibir o abuso, o Idec propõe o fim do telemarketing ativo.
O levantamento feito pelo Instituto mostra que o país vive uma escalada sem precedentes de telemarketing abusivo. Com uma média de 305,7 mil ligações por minuto, o Brasil se consolidou como tetracampeão mundial em chamadas indesejadas realizadas sem consentimento. O estudo revela ainda que 92% das pessoas que recebem essas ligações não possuem qualquer relação com as empresas que fazem o contato, evidenciando o uso massivo e irregular de dados pessoais.
A partir desse cenário, o Idec defende medidas mais duras, com exigência de autorização prévia do consumidor. O estudo aponta que o problema deixou de ser apenas um incômodo e passou a envolver direitos do consumidor, proteção de dados e qualidade de vida.
Os números reforçam a dimensão do problema: entre 2022 e 2024, foram mais de 1 bilhão de ligações abusivas por mês, e só em 2025 houve 161,16 bilhões de chamadas curtas, muitas feitas por robôs; cerca de 24,1 bilhões chegaram efetivamente aos consumidores. No acumulado, já são mais de 126 bilhões de chamadas automatizadas.
Estresse e irritabilidade
Segundo o Idec, o excesso de ligações provoca perda de tempo, estresse, irritabilidade e até mudança de comportamento, com pessoas deixando de atender números desconhecidos. Há casos extremos, como consumidores que recebem dezenas de chamadas por dia, e impactos até em serviços essenciais, como dificuldades de equipes de saúde em contatar pacientes.
O estudo também aponta a exploração de públicos vulneráveis, especialmente idosos, com ofertas agressivas de crédito consignado. A estimativa é que mais de 4 milhões de aposentados e pensionistas tenham sido prejudicados.
Apesar de ações da Agência Nacional de Telecomunicações, da Secretaria Nacional do Consumidor e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, o Idec avalia que a regulação ainda é insuficiente.
Como alternativa, a entidade propõe um modelo em que o telemarketing ativo só ocorra com consentimento prévio (opt-in), além de limites de horário, restrições ao uso de robôs e criação de uma plataforma nacional para que o consumidor autorize — ou não — esse tipo de contato. O tema também avança no Congresso, em meio a discussões sobre proteção de dados e combate a fraudes.
Saiba como denunciar as ligações abusivas
As ligações de telemarketing te incomodam?
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