O empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandinho OIG”, passou ao centro de uma investigação da Polícia Federal após ser apontado como o possível proprietário da aeronave que entrou no Brasil com cinco malas sem inspeção, em um episódio ocorrido na noite de 20 de abril de 2025. O caso ganhou repercussão nacional por envolver no voo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira, além de outros parlamentares e um ex-vereador investigado por suspeitas de ligação com o crime organizado.
A apuração foi encaminhada ao Ministério Público Federal por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e agora está sob análise da Procuradoria-Geral da República, que deverá avaliar se há elementos para abertura de investigação formal envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que cinco volumes transportados na aeronave ingressaram no país sem passar por qualquer tipo de fiscalização aduaneira, incluindo inspeção por raio-x. A suspeita é de que tenha havido facilitação de contrabando e possível prevaricação por parte de um auditor da Receita Federal, que teria autorizado a entrada das bagagens sem o devido controle. O pouso ocorreu no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, um terminal privado voltado à aviação executiva.
Em depoimento, Fernando Oliveira Lima afirmou que sua empresa estava autorizada a operar no país e que seguia as normas do Ministério da Fazenda. Ele negou qualquer irregularidade, apesar de ter sido citado durante os trabalhos da comissão que apura o caso como um dos nomes relevantes dentro do setor. O empresário também declarou ter desenvolvido, a pedido da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), um sistema voltado à identificação de transações de empresas de apostas consideradas irregulares pelo governo federal, embora não tenha detalhado o funcionamento da ferramenta.
Além da atuação empresarial, Fernandinho OIG construiu uma presença expressiva nas redes sociais, onde soma mais de 1 milhão de seguidores. Em seu perfil, compartilha imagens de viagens internacionais, veículos de luxo, embarcações e jet skis, projetando um estilo de vida associado ao alto padrão financeiro.
No voo investigado também estavam os deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), além do ex-vereador de Teresina Victor Linhares, que já foi alvo de operação relacionada a suspeitas de vínculos entre o crime organizado e o setor de combustíveis. A Polícia Federal segue reunindo informações sobre a origem e o conteúdo das bagagens que entraram no país sem fiscalização, enquanto a decisão da PGR sobre eventual aprofundamento das investigações permanece pendente.
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