O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu aos 95 anos. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Sétimo ocupante da Cadeira nº 32 da instituição, para a qual foi eleito em outubro de 2014 na sucessão de Ariano Suassuna, Zuenir deixa uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, pela literatura e pela grande imprensa brasileira.
Carreira na imprensa
Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir Ventura iniciou sua trajetória no jornalismo em 1956, atuando como arquivista. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos de liderança e redação em diversos veículos de comunicação do país, incluindo o Correio da Manhã, as revistas Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja e IstoÉ, além do Jornal do Brasil e do jornal O Globo, onde atuou como colunista.
No âmbito acadêmico, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. A repercussão das matérias ultrapassou as fronteiras nacionais, levando publicações internacionais como o The New York Review of Books a classificá-lo como “um dos maiores jornalistas do Brasil”.
Obras
Zuenir Ventura é autor de obras de grande alcance na literatura e no jornalismo brasileiro:
- 1968 – O ano que não terminou (1988): Com mais de 400 mil exemplares vendidos e 48 edições, o livro tornou-se uma referência sobre o período histórico e serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo.
- Cidade partida (1994): Livro-reportagem sobre a violência urbana no Rio de Janeiro, que conquistou o Prêmio Jabuti de Reportagem e foi traduzido no exterior.
- Outras publicações: Escreveu títulos como Inveja – Mal Secreto, Chico Mendes – Crime e Castigo, 70/80 Cultura em trânsito e o romance Sagrada Família.
No cinema, atuou como codiretor do documentário Um dia qualquer e foi roteirista do filme Paulinho da Viola: meu tempo é hoje.
Reconhecimento e vida pessoal
Pela dedicação ao jornalismo social e investigativo, Zuenir recebeu em 2008 um troféu especial da Organização das Nações Unidas (ONU), que o apontou como um dos jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Zuenir Ventura foi casado por mais de seis décadas com Mary Ventura, com quem teve dois filhos, Elisa e Mauro.
O post Morre o jornalista e escritor Zuenir Ventura aos 95 anos: veja o legado e as obras apareceu primeiro em Diário do Pará.






