Ao se identificar no balcão de uma companhia aérea para fazer check in, em São Paulo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi agredido e recebeu uma ameaça de morte. O aeroporto onde ocorreu a ameaça não foi informado. Flávio Dino apresentou a identidade e a funcionária, ao reconhecer o ministro, ouviu dela, em relato ao agente da Polícia Judicial, que acompanhava Dino, que gostaria de xingá-lo.
Logo depois, essa atendente de aeroporto teria afirmado que seria “melhor matar do que xingar”. O ministro disse que não conhece a funcionária. “Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF”, disse o integrante do STF, atribuindo o episódio ao ambiente de radicalização política envolvendo decisões do Supremo.
O relato foi publicado pelo próprio magistrado nas redes sociais e provocou reação imediata do presidente do STF, Edson Fachin, além de manifestações de solidariedade de integrantes da Corte. Segundo Dino, a funcionária teria identificado seu nome ao verificar o cartão de embarque e, em seguida, ter revelado ao policial judicial, o desejo de matar o ministro. Na publicação, Dino afirmou que decidiu não divulgar o nome da funcionária, nem da companhia aérea, por considerar que o caso ultrapassa uma questão individual e evidencia um problema mais amplo de intolerância política e social. O ministro demonstrou preocupação com a possibilidade de comportamentos semelhantes atingirem setores sensíveis, como transporte e segurança pública.
“Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos”, escreveu. Flávio Dino também alertou para o risco de consumidores passarem a sofrer hostilidade em serviços públicos e privados por divergências ideológicas. Segundo ele, o ambiente eleitoral tende a aumentar a tensão política nos próximos meses.
“Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto”, afirmou o ministro.
Ao final do texto, o magistrado pediu que empresas e entidades empresariais promovam campanhas internas de “educação cívica”, com foco no respeito institucional, convivência democrática e tolerância nas relações profissionais.
A primeira reação institucional veio do presidente do STF, Edson Fachin, que divulgou nota oficial de solidariedade ao colega. Fachin classificou o episódio como grave e afirmou que divergências políticas não podem servir de justificativa para violência ou agressões pessoais.“A divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal”, afirmou o presidente da Corte.
Na nota, Fachin também declarou que “o respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, às instituições e às autoridades legitimamente constituídas é condição essencial da convivência republicana”. O ministro defendeu ainda a preservação da civilidade, da tolerância e da paz social em meio ao cenário político nacional.
O episódio ocorre em um momento de aumento da tensão política envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal, especialmente após julgamentos relacionados aos atos antidemocráticos e investigações envolvendo autoridades e grupos políticos ligados ao radicalismo ideológico.
Outro episódio
Flávio Dino já foi alvo de hostilidades e tentativa de agressão dentro de uma aeronave. O episódio ocorreu no dia 1º de setembro de 2025, durante um voo comercial que fazia o trajeto entre São Luís (MA) e Brasília. O ministro estava sentado e trabalhando, de cabeça baixa aguardando a decolagem, quando uma passageira embarcou aos gritos. Ela afirmou que o avião “estava contaminado” e que “não respeitava esse tipo de gente”.
A mulher tentou avançar em direção ao assento de Flávio Dino, mas foi contida pelo segurança do ministro. A Polícia Federal foi acionada e conduziu a passageira. Posteriormente, ela foi indiciada pelos crimes de injúria qualificada e incitação ao crime. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República, tornando-a ré também pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo.
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