A jovem Alana Anísio Rosa, de 20 anos, decidiu falar publicamente pela primeira vez após sobreviver a uma tentativa de feminicídio em fevereiro deste ano que provocou comoção nacional. O crime ocorreu dentro da própria casa dela, no bairro Galo Branco, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, depois que ela recusou um pedido de namoro.
O agressor, Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, invadiu o imóvel e desferiu mais de 15 facadas contra a vítima. Mesmo gravemente ferida, Alana resistiu, passou por diversas cirurgias e permaneceu internada por quase um mês. Durante esse período, ela chegou a ficar em coma induzido e precisou respirar com ajuda de aparelhos, o que evidenciou a gravidade das lesões e o risco real de morte.
Após semanas de tratamento intensivo, a jovem recebeu alta hospitalar no início de março. Ela deixou a unidade em uma cadeira de rodas, sob aplausos da equipe médica, familiares e amigos, que organizaram uma recepção marcada por emoção, orações e pedidos de justiça. A equipe de saúde também entregou uma carta à paciente, destacando que foi um privilégio participar da recuperação dela e reforçando a importância da luta pela vida diante da violência. Confira:
Agora em casa, ainda em recuperação física e emocional, Alana decidiu transformar a própria experiência em um alerta público sobre a violência contra mulheres. Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira, 6 de abril, pelo Instagram de sua mãe, ela afirmou que precisou preservar a própria privacidade nos primeiros momentos após o crime, mas que sentiu a necessidade de se posicionar para evitar que o caso fosse esquecido. O vídeo recebeu comentários da primeira-dama do Brasil, Janja Silva, ativistas pelos direitos de mulheres, atrizes e outras personalidades.
A jovem destacou que a violência contra a mulher continua sendo uma ameaça constante e afirmou que mulheres não estão seguras em diferentes ambientes, inclusive dentro de casa, local que deveria representar proteção e segurança. Ela também reforçou que o crime não pode ficar impune e que o agressor precisa receber a pena mais dura possível, como forma de proteger outras mulheres e evitar novos episódios semelhantes.
A primeira audiência do caso está marcada para o dia 15 de abril, no Fórum de Alcântara, em São Gonçalo. Diante disso, a vítima convocou a população para participar de uma manifestação em frente ao local, com o objetivo de cobrar justiça e demonstrar apoio às vítimas de violência de gênero.
Segundo familiares, o agressor já demonstrava comportamento obsessivo havia meses. Ele conheceu a jovem em uma academia e passou a enviar flores e presentes de forma insistente, muitas vezes de maneira anônima. Mesmo após descobrir a identidade dele, Alana manteve uma postura educada e respeitosa ao recusar o relacionamento, afirmando que estava concentrada nos estudos e nos próprios objetivos.
No entanto, de acordo com parentes, a recusa não foi aceita. As mensagens passaram a se tornar frequentes e insistentes, caracterizando um padrão de perseguição. Na véspera do crime, o homem tentou se aproximar novamente da jovem, mas foi impedido pelo cão da família.
No dia seguinte, ele conseguiu invadir a residência e atacar a vítima com golpes de faca. A mãe de Alana chegou ao local pouco depois da agressão e acionou a polícia. O suspeito foi preso em flagrante pela Polícia Militar e permanece detido na Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, onde responde por tentativa de feminicídio.
Enquanto se recupera, Alana afirma que pretende seguir com o sonho de cursar Medicina e reconstruir a própria vida, mas reforça que continuará lutando para que o crime não seja esquecido e para que outras mulheres não passem pela mesma situação.
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