O apresentador e empresário Luciano Huck voltou ao centro de uma polêmica nacional após críticas feitas ao Bolsa Família durante participação no 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá, em São Paulo. As declarações repercutiram negativamente nas redes sociais e fizeram ressurgir um episódio envolvendo o próprio comunicador: o financiamento de R$ 17,7 milhões obtido junto ao BNDES para a compra de um jatinho da Embraer com juros subsidiados.
Crítica ao Bolsa Família gerou reação
Durante o evento, Huck afirmou que o modelo atual de transferência de renda não cria incentivos suficientes para que famílias deixem a condição de vulnerabilidade social. Segundo ele, em algumas regiões do país, o programa acaba se tornando permanente para parte dos beneficiários.
“Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam atalhos para ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum”, declarou o apresentador.
A fala ocorreu enquanto Huck comentava sobre a baixa eficiência do Estado brasileiro e os obstáculos à mobilidade social no país.
Município baiano foi citado como exemplo
Durante o debate, Luciano Huck citou o município de Senhor do Bonfim, na Bahia, afirmando que mais da metade da economia local estaria ligada ao Bolsa Família.
Na sequência, o apresentador defendeu a criação de mecanismos que incentivem a ascensão econômica das famílias mais pobres.
“Como é que você motiva a família que precisa, que necessita do Bolsa Família, a ter vontade de querer sair desse programa?”, questionou.
Huck também mencionou estudos da OCDE sobre desigualdade social no Brasil.
“Uma família no Brasil, para sair da base da pirâmide social e chegar à classe média, leva nove gerações”, afirmou.
Redes sociais resgataram financiamento de jatinho
Após a repercussão das falas, internautas passaram a resgatar um episódio de 2013 envolvendo o apresentador. Na época, Huck utilizou um financiamento de R$ 17,7 milhões do BNDES, por meio do programa Finame, para adquirir um jatinho executivo da Embraer.
O empréstimo foi realizado pela empresa Brisair Serviços Técnicos e Aeronáuticos Ltda., da qual Luciano Huck e a apresentadora Angélica são sócios.
Segundo informações divulgadas à época, o contrato previa juros subsidiados de cerca de 3% ao ano e prazo de 114 meses para pagamento.
O programa Finame foi criado para estimular a indústria nacional, permitindo condições especiais para aquisição de máquinas, equipamentos e aeronaves fabricadas no Brasil.
Críticos apontam contradição
Nas redes sociais, usuários passaram a apontar contradição entre as críticas feitas ao uso de programas sociais por famílias de baixa renda e o fato de o próprio apresentador ter recorrido a crédito público subsidiado para a compra de um bem de luxo.
O debate ganhou ainda mais força porque Luciano Huck costuma associar sua imagem a discursos sobre empreendedorismo, meritocracia e mobilidade social.
Para parte dos críticos, o episódio evidencia diferenças na percepção pública sobre benefícios concedidos à população vulnerável e incentivos públicos destinados a empresários e grandes investidores.
Huck diz que fala foi tirada de contexto
Após a repercussão negativa, Luciano Huck afirmou que suas declarações foram divulgadas fora de contexto e tentou minimizar o impacto das críticas.
O apresentador reiterou que sua fala tinha como foco a discussão sobre mobilidade social e a necessidade de políticas públicas que ampliem oportunidades de ascensão econômica para famílias em situação de vulnerabilidade.
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