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‘Homem-Peixe’ que encantou Belém com 360 dias nadando já foi preso na Colômbia

A vida dupla do ‘Homem-Peixe’: celebrado pelos rios, preso na Colômbia

Durante 360 dias, ele enfrentou correntezas, maresia, cansaço e longas distâncias dentro d’água. Ao chegar a Belém, foi recebido como o “Homem-Peixe”, depois de percorrer cerca de 6,6 mil quilômetros a nado pelos rios da Amazônia em uma expedição com uma causa ambiental: chamar atenção para a poluição e a necessidade de preservar os cursos d’água.

Mas, antes de se tornar personagem de uma das mais longas jornadas aquáticas recentes na região amazônica, Wilber Honorio Muñoz Burbano, o “Súper H”, já tinha uma história conhecida na Colômbia e um capítulo bastante diferente daquele associado à imagem de superação que o levou a ganhar notoriedade.

O colombiano, professor de educação física, treinador e proprietário de uma escola de natação, também foi preso preventivamente após ser acusado de suposto abuso sexual contra uma menina de 13 anos, em Neiva, no departamento de Huila.

A acusação foi divulgada por portais de notícias de sua região em 2024 e provocou repercussão no meio esportivo local, justamente porque Wilber era conhecido pelo trabalho ligado à natação e pelas travessias que realizava em defesa do meio ambiente.

O “Guardião do rio Magdalena”

Antes da Amazônia, o cenário das grandes aventuras de Wilber era outro rio: o Magdalena, um dos principais cursos d’água da Colômbia.

Foi ali que ele ganhou o apelido de “Guardião do Rio Magdalena” e passou a ser reconhecido por usar a natação como instrumento de conscientização ambiental.

Em 2010, realizou uma das travessias que ajudaram a construir sua fama. Partiu de San Agustín, em Huila, e nadou até a desembocadura do Magdalena, em Bocas de Ceniza, em Barranquilla.

Foram aproximadamente 1.500 quilômetros em 34 dias, atravessando cerca de 50 municípios colombianos. Além do desafio físico, Wilber aproveitou a jornada para conversar com crianças e adultos sobre a preservação dos rios e chegou a produzir uma cartilha com histórias da travessia e mensagens de educação ambiental.

Era essa a imagem que havia sido construída em torno do colombiano: a de um atleta disposto a passar semanas dentro d’água em nome de uma causa.

Até que veio a acusação.

A denúncia que mudou a história

Em 2024, a imprensa colombiana noticiou a prisão de Wilber após uma investigação envolvendo uma adolescente de 13 anos.

Segundo as informações divulgadas na época, a investigação apontava uma possível agressão sexual contra a menor, com relatos de supostos “toques íntimos”, além de assédio e importunação física e verbal com finalidade sexual.

A mãe da menina teria encontrado conversas no computador e no celular da filha. Conforme relatado nas denúncias, a mulher afirmou que Wilber teria assediado a adolescente e dito para que ela não contasse a ninguém.

Depois da prisão, o caso chegou à Justiça. Em uma audiência virtual, a Promotoria apresentou elementos da investigação e um juiz de controle de garantias determinou a prisão preventiva.

Wilber foi acusado formalmente de crimes relacionados a abuso sexual contra menor de 18 anos, mas não aceitou as acusações durante a audiência.

É importante destacar: as informações disponíveis no material tratam de acusação e investigação, não de uma condenação.

A liberdade

O caso teve outro desdobramento no ano seguinte.

Em 7 de abril de 2025, Wilber deixou a prisão. Segundo sua defesa, a liberdade ocorreu pelo esgotamento dos prazos processuais, já que haviam passado mais de 150 dias desde a audiência de acusação sem que uma decisão tivesse sido proferida.

Após deixar a prisão, o colombiano publicou uma mensagem nas redes sociais agradecendo pela liberdade e afirmando que continuaria tentando demonstrar sua inocência.

E foi depois desse episódio que a história do “Súper H” ganhou um novo capítulo desta vez, nas águas amazônicas.

Veja as fotos:

360 dias dentro d’água

Wilber embarcou na expedição “Amazonas a Pulmão”, projeto que o levou a percorrer aproximadamente 6,6 mil quilômetros a nado pelos rios da Amazônia.

A proposta mantinha uma característica de suas antigas travessias: usar o desafio esportivo para chamar atenção para uma causa ambiental.

Desta vez, o foco estava nos impactos da poluição, especialmente no descarte de plásticos e outros resíduos nos rios amazônicos.

Foram 360 dias de jornada, passando por diferentes ambientes e enfrentando condições que tornaram a reta final particularmente difícil.

E foi justamente quando estava perto do destino que Wilber viveu um dos maiores sustos da expedição.

O desaparecimento na Baía do Marajó

Na sexta-feira (28/8), durante uma travessia de aproximadamente 24 quilômetros entre Ponta de Pedras e Barcarena, a equipe que acompanhava o nadador perdeu o contato visual com ele.

A forte maresia e a baixa visibilidade dificultaram o acompanhamento. Buscas foram iniciadas com lanchas, jet skis e drone.

Durante algumas horas, o paradeiro do “Homem-Peixe” era desconhecido. A força das correntes aumentava a preocupação sobre onde ele poderia ter sido levado.

O desfecho, porém, foi positivo.

Wilber acabou localizado vivo, ainda nadando na região de Vila do Conde, em Barcarena, acompanhado pelo caiaque de apoio e sem ferimentos.

Depois de ser encontrado, tranquilizou quem acompanhava a aventura e confirmou que continuaria o percurso até Belém.

O fim da jornada em Belém

Depois do susto, Wilber conseguiu completar os últimos quilômetros.

O ponto final escolhido foi a Pedra do Peixe, no Complexo Ver-o-Peso, em Belém. Ali, o colombiano foi recebido por pessoas que aguardavam sua chegada.

A capital paraense encerrou uma expedição de aproximadamente 360 dias e 6,6 mil quilômetros a nado pela Amazônia.

A chegada devolveu Wilber ao centro das atenções por uma história de resistência física e defesa dos rios.

Mas, por trás do personagem celebrado pela façanha esportiva, existe uma trajetória que passa também pela Colômbia, por uma prisão preventiva, por uma acusação grave que ele negou e pela posterior libertação por questão processual.

O “Homem-Peixe” encerra em Belém mais uma grande travessia carregando consigo uma história que vai muito além dos quilômetros percorridos dentro d’água.

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