A GloboNews fez um raro mea-culpa ao vivo nesta segunda, 23, após uma arte exibida no Estúdio I provocar forte reação nas redes sociais por sugerir, de forma indevida, ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao caso de fraudes investigado no Banco Master.
A retratação foi lida pela jornalista Andréia Sadi, que admitiu falhas graves no material levado ao ar na última sexta, 20. Segundo ela, a intenção era mostrar conexões entre personagens citados nas investigações, mas o resultado acabou sendo o oposto do esperado: uma peça confusa, incompleta e sem critério editorial claro — que misturou nomes, contextos e níveis distintos de relação.
Na prática, a arte colocava Lula dentro de um suposto “mapa” de conexões do caso, sem que houvesse, até o momento, qualquer comprovação de envolvimento direto do presidente nas investigações. A imagem rapidamente foi comparada ao controverso “PowerPoint” da Lava Jato, apresentado em 2016 por Deltan Dallagnol, que também foi criticado por associar o petista a esquemas sem provas materiais diretas naquele formato.
No pedido de desculpas, Sadi reconheceu que o conteúdo exibido misturou contatos institucionais — como encontros formais e relações públicas — com nomes tratados como se tivessem vínculos pessoais ou contratuais, além de incluir pessoas apenas sob análise preliminar da Polícia Federal. O resultado foi uma associação indevida, que não diferenciava o que era relação oficial do que, de fato, poderia indicar irregularidade.
Outro ponto sensível admitido pela emissora foi a omissão de personagens que já aparecem publicamente nas apurações do caso. Segundo a própria GloboNews, a arte deixou de fora nomes relevantes — incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal, políticos e ex-diretores do Banco Central que estariam sob escrutínio da Polícia Federal por suspeitas de corrupção envolvendo o banqueiro investigado.
Ou seja, enquanto incluiu indevidamente figuras sem ligação comprovada, como o presidente da República, o material ignorou personagens que, de acordo com informações já divulgadas, poderiam ter conexões mais diretas com o caso — o que reforçou a percepção de desequilíbrio e falta de rigor jornalístico.
“Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas”, afirmou Sadi ao encerrar a retratação.
O episódio reacende o debate sobre responsabilidade na apresentação visual de investigações complexas — especialmente quando gráficos e diagramas, se mal construídos, podem sugerir relações que não existem. Em tempos de informação acelerada, uma arte mal feita pode fazer mais estrago do que um texto mal escrito — e, como ficou claro desta vez, o público percebe rápido quando a conta não fecha.
O post GloboNews faz mea-culpa sobre erros em arte sobre caso Master; veja! apareceu primeiro em Diário do Pará.







