Uma onda de frio polar fora de época provocou a morte de ao menos 83 bovinos em cinco propriedades rurais do sul de Mato Grosso do Sul, segundo dados confirmados pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). As ocorrências foram registradas em Nova Andradina e Angélica, onde pecuaristas enfrentaram temperaturas abaixo de 7°C e sensação térmica próxima de 0°C, agravada por ventos fortes e chuva.
A maior parte das mortes ocorreu entre bezerros, vacas recém-paridas e animais debilitados. Técnicos da Iagro apontam que a combinação de frio intenso, umidade e vento levou os bovinos à hipotermia severa. O problema afeta principalmente rebanhos zebuínos, predominantes no Brasil e menos resistentes a quedas bruscas de temperatura.
A situação reacende um alerta vivido pelo agronegócio sul-mato-grossense em 2023, quando milhares de cabeças de gado morreram durante outra massa de ar polar extrema. Desta vez, a Iagro informou que já havia emitido avisos preventivos antes da chegada da frente fria, orientando produtores a reforçar a alimentação do rebanho, manter animais vulneráveis próximos a áreas protegidas e utilizar barreiras naturais contra o vento.
Meteorologistas alertam que o frio ainda não acabou. Embora haja uma breve elevação das temperaturas nos próximos dias em parte de Mato Grosso do Sul, uma nova massa de ar polar deve avançar pelo Centro-Sul do país no fim de maio, podendo provocar nova queda acentuada nos termômetros.
Geadas no sul do país
No Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, a previsão indica risco de geadas e mínimas próximas de 0°C em áreas serranas. O frio também deve alcançar partes de São Paulo e do Rio de Janeiro no início da próxima semana.
No Centro-Oeste, o avanço do ar polar pode provocar queda de temperatura em Goiás, no sul de Mato Grosso e no Distrito Federal. Em Brasília, a previsão aponta madrugadas mais frias nos próximos dias, com mínimas podendo ficar abaixo dos 15°C, algo relativamente incomum para maio.
Já na Região Norte, o fenômeno conhecido como “friagem” deve atingir áreas de Acre e Rondônia. No Pará, não há previsão de frio intenso como no Centro-Sul, mas a chegada de ventos mais frios pode provocar leve redução das temperaturas em municípios do sul e sudoeste do estado, especialmente durante as madrugadas. Em Belém, o calor e a umidade devem continuar predominando — a velha máxima amazônica segue firme: aqui, o “inverno” costuma vir mais em forma de chuva do que de casaco.
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