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Flávio Bolsonaro é investigado no STF por financiamento de cinebiografia

Inquérito sob relatoria de André Mendonça apura repasses ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito que apura possíveis irregularidades no financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi aberta por determinação do ministro André Mendonça e envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O procedimento permanece sob sigilo.

A existência da investigação ganhou repercussão nesta sexta-feira (11), depois de Mendonça retirar o sigilo de outros procedimentos relacionados ao caso Banco Master. O inquérito de “Dark Horse”, entretanto, continua reservado por ainda estar em fase de investigação. Também são investigados Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

Flávio Bolsonaro é investigado por financiamento de cinebiografia

Segundo as informações reveladas sobre o caso, a Polícia Federal apura a atuação de Flávio Bolsonaro na obtenção de recursos junto ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para viabilizar a produção cinematográfica. Mensagens e áudios reunidos pela investigação indicariam pedidos e cobranças do senador ao empresário relacionados aos repasses destinados ao projeto.

Flávio Bolsonaro é investigado em inquérito no STF que apura possíveis irregularidades na obtenção e destinação de recursos para o filme “Dark Horse”. Ministro André Mendonça é relator da investigação que analisa o financiamento da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Repasses milionários estão sob investigação

Um dos personagens centrais da apuração é o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), posteriormente homologado pelo ministro André Mendonça. Freixo Júnior é apontado como responsável por transferências para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, fundo utilizado no financiamento do longa.

Em sua colaboração, o empresário afirmou ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões na cotação atual, para o fundo. Segundo o relato do delator, os repasses teriam sido determinados por Vorcaro após solicitações de Flávio Bolsonaro. A delação é um elemento da investigação e suas declarações ainda precisam ser confrontadas com outras provas.

Antes da homologação, a CNN havia informado que os pagamentos eram encaminhados ao Havengate Development Fund, que administrava recursos destinados ao filme e os direcionava à Go Up Entertainment, produtora responsável pela obra. A investigação busca esclarecer se todo o dinheiro efetivamente chegou à produção cinematográfica e qual foi a destinação final dos valores.

Outro dado sob análise surgiu em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Conforme informações confirmadas pela CNN, Vorcaro teria feito um repasse de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, posterior à data que havia sido mencionada publicamente por Flávio como correspondente ao último pagamento do empresário ao projeto.

Polícia Federal investiga repasses relacionados a Daniel Vorcaro e busca esclarecer se os recursos obtidos foram integralmente destinados à produção do filme. Financiamento de “Dark Horse” é investigado em dois inquéritos no STF, incluindo uma apuração sobre possível utilização irregular de emendas parlamentares.

Flávio diz que recursos foram para o filme

Flávio Bolsonaro sustenta que os recursos obtidos junto a Vorcaro foram destinados à produção de “Dark Horse” e nega irregularidades. Ao ser questionado anteriormente sobre os valores, afirmou que a relação envolvendo o financiamento era privada e que caberia à produtora prestar os esclarecimentos técnicos sobre a utilização do dinheiro.

O senador também afirmou que não houve contrapartida pública ou vantagem indevida relacionada aos recursos. Em declarações anteriores, disse ter utilizado sua proximidade com potenciais investidores para ajudar na captação de financiamento para a cinebiografia do pai.

As investigações ainda estão em andamento e a abertura de inquérito não significa culpa ou condenação dos investigados.

Caso “Dark Horse” tem dois inquéritos no STF

O financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro é investigado atualmente em dois inquéritos no Supremo. O procedimento relatado por André Mendonça concentra-se nas possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento da produção.

Uma segunda investigação, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura o possível uso irregular de recursos provenientes de emendas parlamentares. Nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Entre os alvos estavam Mario Frias e Karina Gama, responsável pela produtora do filme.

Nesse segundo procedimento, a apuração envolve uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada pelo deputado Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil, entidade relacionada à produtora do longa. Frias negou irregularidades e afirmou ao STF que os recursos tiveram finalidade social.

Com a homologação da colaboração de Freixo Júnior e o avanço das diligências da Polícia Federal, os investigadores deverão confrontar movimentações financeiras, documentos e depoimentos para estabelecer a origem e o destino dos recursos relacionados ao projeto cinematográfico.

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