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Ex-bispo vira réu após denúncia de abuso sexual contra padre por cinco anos

Ex-bispo Valdir Mamede virou réu após a Justiça aceitar denúncia do MP por supostos abusos sexuais contra um padre. Foto: divulgação/reprodução

O ex-bispo de Catanduva, Valdir Mamede, virou réu por importunação sexual após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O processo tramita em segredo de Justiça por decisão da 2ª Vara Criminal e Anexo da Infância e da Juventude da Comarca de Catanduva. As informações são da coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.

Abusos e ameaças

Segundo o MP, o religioso praticou uma série de abusos sexuais contra um padre subordinado entre 2019 e 2023. A Promotoria afirma que Valdir Mamede aproveitou a posição de autoridade como bispo da Diocese de Catanduva para constranger a vítima e praticar atos libidinosos sem consentimento.

De acordo com a investigação, os episódios ocorreram na Residência Episcopal de Catanduva e também na Paróquia de São Sebastião, em Ibirá, no interior de São Paulo. O padre registrou um boletim de ocorrência em 22 de março de 2024.

Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do MP e tornou o ex-bispo Valdir Mamede réu no processo. Foto: divulgação/reprodução

Ainda conforme a denúncia, o ex-bispo fazia ameaças veladas de punições canônicas. Entre elas, estaria a retirada do padre da paróquia ou o impedimento do exercício do ministério sacerdotal caso ele não atendesse aos desejos e cuidados pessoais do superior religioso.

Detalhes dos crimes

A Promotoria descreve pelo menos quatro episódios considerados criminosos. Em um deles, o ex-bispo teria pedido que o padre realizasse sua depilação corporal. Segundo o MP, ele usava esse momento como pretexto para permanecer nu e praticar assédio sexual.

Além disso, a denúncia afirma que, em 2022, Valdir Mamede agarrou e beijou o padre à força enquanto os dois assistiam a um filme na residência episcopal.

O Ministério Público também relata que o religioso fazia chamadas de vídeo nas quais aparecia nu e se masturbava diante da câmera.

Já em 2023, conforme a acusação, o ex-bispo foi até a casa da vítima aparentemente embriagado. Depois de entrar no imóvel, ele teria tirado a roupa, deitado nu na cama do padre, se masturbado e tentado agarrá-lo sem consentimento.

Após esse episódio, o padre recolheu material biológico deixado em um lençol e encaminhou o material para perícia. Segundo a denúncia, o laudo confirmou que o vestígio era proveniente de um indivíduo do sexo masculino.

Medidas e renúncia

Além da condenação criminal, o MP pediu que Valdir Mamede pague indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais à vítima.

Ministério Público acusa ex-bispo Valdir Mamede de abusar sexualmente de padre entre 2019 e 2023. Foto: divulgação/reprodução

O promotor também rejeitou a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Segundo o Ministério Público, os crimes atingem a dignidade sexual da vítima e teriam sido praticados de forma reiterada durante cinco anos por alguém que ocupava posição de autoridade.

Além disso, a Promotoria pediu medidas cautelares para impedir qualquer contato entre o ex-bispo, a vítima e as testemunhas. Entre os pedidos estão a proibição de comunicação por qualquer meio, o afastamento mínimo de 500 metros, a proibição de frequentar a Paróquia de São Sebastião e a sede da Diocese de Catanduva, o impedimento de deixar a comarca onde reside sem autorização judicial e a entrega do passaporte, caso a Justiça determine a medida.

Valdir Mamede renunciou ao comando da Diocese de Catanduva em novembro de 2023. Na ocasião, os motivos da saída não foram divulgados. Até a última atualização da reportagem original, o Tribunal de Justiça de São Paulo não havia se manifestado sobre o caso.

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