A declaração de um voluntário identificado como Alderi, que participou das buscas iniciais pelos irmãos desaparecidos em Bacabal, voltou a repercutir depois da notícia de que os pequenos podem estar nos EUA. “Esses meninos foram vendidos”, disse à época.
“Vocês podem rodar nesse mato aqui o que vocês quiserem fazer, mas não acha não, senhor”, declarou Alderi, falando sobre a comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos.
Para ele, o desaparecimento de Ágatha e Allan pode ter sido facilitado por caçadores e pessoas que conhecem bem a geografia do lugar. “Esse menino não grita, esse menino não fala, esse menino não chora, rapaz. Só o que tem aí é caçador, e não acharam nada”.
“A polícia pode girar esse mato de cabeça para baixo… Como é que tu vai andar num lugar desse aqui se tu não conhecer nada, rapaz? Gente do povoado, com certeza tem alguma pessoa envolvida aí”, sustentou.
Esperança
A advogada da família, Nathaly Moraes, acionou a Polícia Federal e o Consulado Brasileiro nos EUA após a divulgação da Operação Escudo Estadual, realizada na Flórida, que resgatou 163 crianças vítimas de exploração e tráfico humano.
Paralelamente, a Interpol colocou suas ferramentas de cooperação internacional à disposição da família e das autoridades brasileiras para auxiliar na localização e em um eventual processo de repatriação, caso surjam indícios de que os irmãos estejam fora do país.
A mãe dos irmãos desaparecidos em Bacabal, Clarice Cardoso, viajou em caráter de urgência para São Luís na noite de terça-feira, 8, para se reunir com a Polícia Federal e alinhar os procedimentos.
Apesar da expectativa, a defesa e as autoridades ressaltam que o apoio da Interpol não significa que as crianças tenham sido encontradas ou que haja confirmação de que estejam fora do país.
Da mesma forma, não há indícios de que Ágatha e Allan estejam entre os menores resgatados na operação policial nos Estados Unidos.
O desaparecimento
Os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael sumiram no dia 4 de janeiro, no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Elas saíram para brincar acompanhadas do primo Anderson Kauã, de 8 anos.
O primo foi localizado sozinho e com vida três dias depois em uma área de mata. Na ocasião, mobilizações que reuniram bombeiros, policiais e cerca de 2 mil voluntários realizaram varreduras intensas em rios e matagais da região, sem encontrar pistas conclusivas.
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