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Casamento milionário do filho de Moraes ocorre em meio à crise do ministro no caso Banco Master

Festa para 450 convidados está marcada para 26 de setembro em espaço de luxo de São Paulo; celebração coincide com embate no STF após divulgação de documentos sobre relações com Daniel Vorcaro.

O casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está marcado para 26 de setembro em meio a um dos períodos mais delicados da trajetória institucional recente do magistrado. Enquanto a família prepara uma festa para cerca de 450 convidados em um dos espaços mais sofisticados de São Paulo, Moraes enfrenta questionamentos decorrentes das investigações sobre o Banco Master e um embate aberto com o ministro André Mendonça.

A cerimônia será realizada na Casa Fasano, no Complexo Cidade Jardim. O espaço possui 947 metros quadrados, capacidade para aproximadamente 800 pessoas e custo de locação divulgado entre R$ 800 mil e R$ 1,6 milhão, dependendo da configuração e dos serviços contratados. Esse valor, porém, corresponde ao preço atribuído ao espaço e não permite afirmar que esse será o custo efetivamente pago pela família nem representa o orçamento total do casamento.

A festa deverá receber 450 pessoas e terá cardápio inspirado na culinária italiana. Também está previsto esquema reforçado de segurança, com cerca de 20 profissionais mobilizados desde as 24 horas anteriores à celebração. As reportagens disponíveis não apresentam documentação que permita estabelecer o custo total do evento.

Festa em meio à turbulência no STF

O evento familiar ocorre justamente quando Alexandre de Moraes está no centro de uma crise interna no Supremo. O estopim foi a decisão de André Mendonça, em 1º de setembro, de retirar o sigilo de um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal na investigação do Banco Master. O documento contém mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas quais Moraes é mencionado como interlocutor.

A divulgação desencadeou uma sequência de decisões e acusações entre integrantes da Corte. Moraes questionou a atuação de Mendonça, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do relatório policial. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a condução institucional da crise e marcou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.

Nesta quinta-feira (10), Mendonça retirou o sigilo de outros 14 procedimentos, além do principal, atendendo parcialmente à determinação de Fachin para ampliar a transparência das apurações. Materiais considerados sensíveis para diligências em andamento permanecem protegidos.

Contratos de R$ 181 milhões vêm à tona

A crise ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (11), quando documentos divulgados pelo STF revelaram contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e empresas relacionadas a Vorcaro.

Um contrato firmado em 2024 previa R$ 131 milhões ao escritório por serviços jurídicos, compliance e consultoria estratégica perante diferentes órgãos. Outro acordo, que não chegou a ser concluído, previa R$ 50 milhões em serviços para a Viking Participações. Somados, os valores previstos alcançavam R$ 181 milhões.

O escritório sustenta que consultou Alexandre de Moraes previamente sobre possíveis impedimentos e afirma que não atuou perante o STF em questões relacionadas ao Banco Master. A existência dos contratos, por si só, não comprova irregularidade, e as responsabilidades estão justamente entre os pontos que deverão ser esclarecidos pelas instâncias competentes.

Moraes reage e pede sigilo zero

Nesta sexta-feira, Alexandre de Moraes reagiu à forma como os documentos foram divulgados e pediu ao presidente Edson Fachin o levantamento integral dos sigilos relacionados ao caso. Segundo o ministro, a decisão de Mendonça teria tornado públicos apenas parte dos procedimentos, mantendo aproximadamente 180 documentos reservados.

Moraes também solicitou que o plenário analise conjuntamente as suspeitas que o envolvem e os questionamentos feitos contra a atuação de Mendonça. Para ele, as Petições 16.662 e 16.704 compartilham elementos de prova e fatos, razão pela qual julgá-las separadamente poderia produzir decisões contraditórias.

O que acontece agora?

O próximo movimento decisivo está previsto para terça-feira (15). O plenário do STF deverá analisar o relatório da Polícia Federal que contém as mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes e o pedido da PGR para anulação do documento. Fachin também terá de decidir sobre a solicitação de Moraes para que as questões envolvendo Mendonça sejam examinadas conjuntamente.

Há ainda procedimentos de instrução em andamento. Em despacho oficial, Fachin estabeleceu etapas para manifestações da PGR e de André Mendonça antes da análise das imputações relacionadas à disputa institucional. O próprio STF ressalvou que essas providências não antecipam qualquer juízo sobre admissibilidade, regularidade ou mérito das acusações.

É nesse ambiente que, onze dias depois da sessão marcada para discutir o caso, a família Moraes deverá se reunir para o casamento de Alexandre Barci e Thaís. A proximidade das datas cria um contraste entre a celebração privada de alto padrão e a turbulência pública enfrentada pelo ministro, mas não há elemento nas fontes consultadas que estabeleça relação financeira entre o casamento e o Banco Master.

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