A Justiça da Itália proferiu uma decisão histórica nesta quinta-feira (26) ao autorizar o pedido de extradição da ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli. A política, que teve o mandato cassado e responde a diversos processos no Supremo Tribunal Federal (STF), estava em solo europeu desde que deixou o Brasil em meio a investigações sobre atos antidemocráticos e invasão de sistemas do Poder Judiciário.
O tribunal italiano acatou os argumentos da Procuradoria-Geral da República e do Ministério da Justiça do Brasil, entendendo que os crimes imputados à ex-parlamentar possuem natureza comum e não política, o que remove o principal obstáculo jurídico para o envio de cidadãos entre as duas nações. A decisão representa uma vitória diplomática e jurídica para as autoridades brasileiras, que buscam garantir a continuidade das ações penais contra a ex-deputada em território nacional.
Brasil cumpriu todos os requisitos
O processo de extradição envolveu uma análise minuciosa das garantias de defesa e das condições do sistema prisional brasileiro, pontos frequentemente questionados em tribunais internacionais. De acordo com fontes diplomáticas, o governo italiano considerou que o Brasil cumpriu todos os requisitos do tratado bilateral de cooperação judiciária, apresentando provas robustas e respeitando o devido processo legal.
Carla Zambelli é investigada por suposta participação em esquemas de contratação de hackers para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra um ministro do STF. A defesa da ex-deputada ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores na Itália, o que pode adiar o embarque final por algumas semanas, mas especialistas acreditam que as chances de reversão do mérito são reduzidas após este parecer favorável.
Zambelli vai direto para a “Colméia”
Com a autorização da extradição pela justiça italiana, o sistema penitenciário do Distrito Federal já definiu os protocolos de custódia para a ex-deputada federal Carla Zambelli. A previsão é que ela seja encaminhada para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), popularmente conhecida como “Colmeia”, localizada na região administrativa do Gama.
Por ser ex-parlamentar e possuir curso superior, Zambelli tem direito legal a permanecer em uma ala separada da massa carcerária comum, visando garantir sua integridade física e segurança institucional. O local destinado a ex-autoridades e presas com prerrogativas especiais oferece celas individuais ou coletivas de tamanho reduzido, com mobiliário básico composto por cama de alvenaria, colchão, pia e sanitário, seguindo o padrão de austeridade do sistema prisional da capital federal.
Rotina na prisão é rigorosa e monitorada
A rotina na Colmeia é rigorosa e segue horários fixos para banho de sol, alimentação e recepção de advogados. Diferente das alas comuns, a área de segurança onde a ex-deputada deverá ficar possui monitoramento constante por câmeras e presença reforçada de policiais penais, evitando contatos indevidos ou exposição a riscos externos.
A alimentação servida é a mesma distribuída a todas as internas, composta por café da manhã, almoço, lanche e jantar, preparados pela cozinha industrial do complexo. Além disso, as visitas de familiares são restritas a dias específicos da semana e dependem de prévio cadastramento junto à Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF), seguindo os mesmos critérios de revista e segurança aplicados a qualquer custodiado no Distrito Federal.
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