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Amigos inseparáveis morrem juntos no RS: um durante o velório do outro

Amizade que seguiu pela eternidade

Uma amizade de mais de 40 anos terminou de forma tão simbólica quanto comovente no interior do Rio Grande do Sul. Em Ibirubá, dois amigos inseparáveis partiram praticamente juntos, unidos até os últimos momentos por uma relação construída desde a infância, pela convivência diária e pela música.

Ibirubá foi palco de uma despedida que emocionou moradores da comunidade rural de Pinheirinho. João Sebastião Gularte Correa morreu na última quinta-feira (21), enquanto tocava gaita durante o velório do melhor amigo, Gentil Scapini, atendendo a um último pedido feito por ele antes da morte.

Gentil havia falecido um dia antes, aos 78 anos, após enfrentar um câncer. Antes de partir, pediu à família que João, companheiro de décadas e parceiro inseparável, fizesse uma homenagem musical em sua despedida. O desejo foi atendido.

Durante o velório realizado na Capela Mortuária de Ibirubá, João começou a tocar gaita — instrumento tradicionalmente associado à cultura gaúcha — enquanto o corpo do amigo era preparado para o translado até Pinheirinho. Foi durante a homenagem que ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no local.

“Foi a emoção do momento, era uma amizade de muito tempo, eles viviam juntos desde pequenos no interior”, relatou Rafael Correa, filho de João, em entrevista ao jornal Zero Hora.

Amigos cresceram juntos

Os dois amigos cresceram juntos na mesma comunidade rural e mantiveram, ao longo da vida, uma convivência marcada pela simplicidade, pela parceria e pela música. Segundo familiares, encontros para tocar gaita faziam parte da rotina, especialmente em datas comemorativas e reuniões entre amigos.

“A alegria dele era ver o João tocando gaita”, contou Leodete da Silva Scapini, nora de Gentil, ao portal gaúcho.

Familiares afirmam que João não apresentava problemas de saúde e era bastante conhecido e querido na região. Irmão do músico Ernesto Nunes, ele mantinha uma ligação profunda com a música, elemento que também fortalecia sua amizade com Gentil.

Descrito pela família como participativo e alegre, Gentil era presença constante nas atividades da comunidade. “Gentil se dedicava à comunidade. Era uma pessoa alegre, com muitos amigos, parceiro e participativo”, afirmou Leodete.

Em um desfecho que moradores definiram como impossível de separar, os dois amigos foram sepultados no mesmo cemitério da comunidade onde nasceram, cresceram e construíram uma amizade que atravessou gerações.

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