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Brasil busca acertar o passo

Ancelotti em conversa com a Seleção Brasileira na véspera do jogo contra a Escócia, no CT Columbia Park
Créditos: Nelson Terme/CBF

Acontece uma coisa esquisita na forma como a mídia cobre a Seleção. O maior destaque, a grande esperança da campanha do hexa, é Vinicius Jr. Ele é o artilheiro do time, com dois gols e boas atuações nos dois jogos disputados. Surpreendentemente, Vini é um dos menos badalados. As matérias destacam sempre Neymar, um jogador que pode nem entrar em campo no Mundial, embora esteja relacionado para esta noite, em Miami.

Confronto decisivo contra a Escócia

O confronto com a Escócia (19h) vai definir a classificação do Brasil no Grupo C. Pode ficar em 1º lugar, caso vença e Marrocos não goleie o Haiti. Com três gols de saldo, há o risco de cair para o 2º lugar, caso perca para os marroquinos nos critérios de desempate. A 3ª colocação só seria possível no caso de uma derrota diante dos escoceses.

É claro que ninguém conta com um tropeço nesta terceira partida. Pelo contrário, é uma oportunidade para a Seleção encontrar o ritmo certo e o entrosamento para entrar preparada e confiante na fase eliminatória.

Será a primeira atuação do Brasil fora de Nova Jersey. Terá uma grande torcida nas arquibancadas, levando em conta a quantidade de brasileiros que vivem em Miami. Não é aquela torcida de clube, apaixonada e engajada. É torcida de elite, que não sabe empurrar o time, mas que vai certamente botar camisa amarela e sacudir bandeirinhas.

Quando se projeta a caminhada do Brasil na Copa, o duelo com a Escócia é um detalhe quase inexpressivo. Todo mundo já olha lá na frente, pensando nos cruzamentos que a Seleção pode ter nas duas próximas fases.

O problema é que diante dos escoceses há a obrigatoriedade de vencer, e vencer bem. O Brasil precisa convencer que está de fato competindo em alto nível. Para isso, a dupla Vini Jr. e Matheus Cunha pode ter um papel decisivo. Ambos, fizeram a diferença contra o Haiti. O time bateu cabeça em alguns momentos, mas os dois atacantes resolveram os problemas.

Quando o ritmo diminuiu perigosamente no 2º tempo, os dois já estavam de saída, o que só acentua o quanto são importantes para a movimentação do time. Matheus pode ocupar espaço no meio, à frente de Bruno Guimarães, mas também aparece na área para definir.

O papel de Vini merece destaque. Pela primeira vez desde que se destacou mundialmente, faz uma competição focada e com um nível de qualidade que lembra seu desempenho como protagonista no Real Madrid. Tem boas chances de igualar a impressionante marca de seu companheiro de time, Mbappé, que já assinalou quatro gols em duas partidas.  

Neymar: um ponto de interrogação na Seleção

Como programado pela comissão técnica, Neymar está relacionado pela primeira vez nesta Copa. Inativo por 30 dias, apareceu nos treinos dos últimos dias, fazendo seus fãs acreditarem que pode finalmente estrear. A impressão inicial, porém, é que Carlo Ancelotti não vai arriscar uma escalação em partida que requer força máxima.

O longo tempo fora dos campos não permite uma aposta definitiva na presença do jogador. Deverá ser utilizado por 10 ou 15 minutos em jogos que já estejam controlados. Difícil imaginar isso contra a Escócia, time que marca intensamente e costuma jogar com rispidez.

Neymar não pode correr o risco de sofrer uma nova lesão. Por isso, vai ficar no banco de reservas na maior parte do tempo, mesmo que a torcida no Hard Rock Stadium peça sua presença em campo.  

Diante do clamor nacional por Endrick no comando do ataque, as chances de Neymar entrar no time dependem de um plano especial de jogo, ocupando possivelmente uma função no centro do ataque, como Cristiano Ronaldo é utilizado no time português.

Segundo relatos dos últimos treinos, o camisa se movimentou normalmente com o grupo, ganhando autorização médica para ficar no banco de reservas. Vale lembrar que Neymar esteve no banco de reservas contra Marrocos, mas apenas para fazer selfies e aparecer para as câmeras.

Na partida contra o Haiti, ele ficou em Morristown para reforçar o tratamento na panturrilha direita. Ganhou em definitivo o apelido de “craque home office”, o que parece ter incomodado a comissão técnica, a ponto de apressar seu retorno – mesmo que por alguns minutos apenas.

Ele não disputa um jogo pela Seleção desde outubro de 2023, quando enfrentou o Uruguai em Montevidéu, pelas Eliminatórias. Saiu lesionado e nunca mais se recuperou até ser incluído na lista final, por um portentoso lobby midiático e dos patrocinadores da CBF.

A presença de Neymar, teoricamente em condições de entrar, representa também um alívio para a mídia brasileira, que elegeu o jogador como seu assunto favorito durante toda a primeira fase da Copa, às vezes de forma patética – como no dia em que ele apareceu de chinelos e isso virou manchete nos principais telejornais do país.

Polêmica da camisa vermelha da Seleção

O presidente da CBF, Samir Xaud, que já se envolveu em fofocas de alta combustão nesta Copa, surge agora no noticiário por ter vetado o uso do uniforme na cor vermelha pelo goleiro Alisson. Estava certo que ele iria trajar vermelho contra a Escócia, como estabelecido pelo protocolo da Fifa.

Xaud teria feito uma pausa nos problemas conjugais para aconselhar Alisson a não botar o amaldiçoado uniforme, que tanta preocupação causa aos conservadores que dominam a CBF por ser associado às cores do PT e da esquerda. Tremenda bobagem.

Vale lembrar que, no começo do mandato, o dirigente foi contra a fabricação de uma terceira camisa da Seleção em vermelho, como havia acertado o seu antecessor, Ednaldo Rodrigues, com a fabricante Nike.

Lá, como agora, Xaud perdeu uma bela oportunidade de estender uma ponte à parcela da sociedade que hoje resiste em comprar a camisa amarela para não ser associada a fanáticos de extrema direita – mesmo depois que o próprio presidente Lula defendeu que o torcedor tem o direito de usar a camisa amarela, que não pertence a nenhum grupo político. 

O post Brasil busca acertar o passo apareceu primeiro em Diário do Pará.

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