A confirmação da presença da torcida do Santa Cruz na Curuzu, neste sábado (27), às 17h, pela Série C do Campeonato Brasileiro, levou o Paysandu a montar, junto às forças de segurança, uma operação reforçada e com logística detalhada para o acesso dos visitantes.
O plano prevê que a torcida tricolor entre no estádio a partir das 13h, quatro horas antes da bola rolar, pelo Portão P12, com todo o setor isolado por tapumes. A medida busca evitar qualquer tipo de cruzamento entre fluxos de torcedores dentro do estádio e garantir o controle total do perímetro.
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Além da separação física, o clube determinou que a venda de ingressos para o setor visitante será encerrada na sexta-feira, às 18h. No dia do jogo, não haverá bilheteria aberta na Curuzu. O acesso será exclusivamente digital, com exigência de biometria facial e ingresso validado.
Mas o que explica a atenção redobrada?
Nos bastidores das arquibancadas, o jogo envolve um cenário mais complexo de relações entre torcidas organizadas no Brasil. A principal organizada do Santa Cruz, a Inferno Coral, não possui alianças em Belém. O mesmo ocorre com a organizada do Paysandu, onde a Torcida Bicolor, antiga Terror Bicolor, também não mantém vínculos com grupos pernambucanos.
Apesar de integrarem, em escala nacional, o mesmo bloco de alianças, a lógica muda quando o recorte passa a ser regional e histórico. No país, duas grandes frentes ajudam a organizar essas relações: a Dedo Para o Alto (DPA) e a União Punho Cruzado (UPC).
A DPA reúne, entre outras, torcidas como Mancha Verde (Palmeiras), Força Jovem (Vasco) e Galoucura (Atlético-MG), enquanto a UPC agrega grupos como Torcida Jovem Fla (Flamengo), Independente (São Paulo) e Máfia Azul (Cruzeiro). Essas alianças funcionam como redes de apoio e também de rivalidade indireta em diferentes regiões do país.
No entanto, no Norte e Nordeste, essas conexões se reorganizam em blocos próprios, conhecidos como “Lado A” e “Lado B”, que cruzam estados e rivalidades locais. Nesse cenário, a Inferno Coral aparece ligada a grupos como a Leões da TUF, do Fortaleza, (aliada à Remoçada, do Clube do Remo), enquanto a Terror Bicolor mantém conexões com a Cearamor, do Ceará.
Essas alianças funcionam como redes de apoio, deslocamento e proteção entre torcidas organizadas, baseadas na lógica de reciprocidade e rivalidade compartilhada. Em jogos interestaduais, essas conexões influenciam diretamente o comportamento das caravanas e a dinâmica de presença nos estádios.
Em partidas anteriores envolvendo Paysandu e Santa Cruz, já houve registros de restrições e conflitos de acesso, inclusive com casos de torcedores visitantes impedidos de entrar na própria Curuzu, no ano de 2015, após confronto. Isso reforça a adoção de protocolos mais rígidos em jogos considerados sensíveis.
No Vovô da Cidade, o cenário é de atenção preventiva. A operação montada pelo Paysandu, junto aos órgãos de segurança, busca justamente reduzir qualquer risco de contato direto entre grupos e garantir que a partida ocorra dentro de um ambiente controlado.
O clube reforça que todas as medidas têm como objetivo preservar a segurança de torcedores, atletas e equipes envolvidas, em um jogo que, além do campo, também mobiliza uma das redes mais complexas do futebol brasileiro fora das quatro linhas.
Confira a lista de alianças no Brasil:
União Dedo para o Alto
- Mancha Verde (Palmeiras)
- Força Jovem (Vasco)
- Galoucura (Atlético Mineiro)
- Terror Bicolor (Paysandu)
- Torcida Cearamor (Ceará)
- Torcida Jovem (Botafogo)
- Mancha Azul (Avaí)
- Mancha Verde (Juventude)
- Império Alviverde (Coritiba)
- Torcida Jovem (Grêmio)
- Geral do Grêmio
- Torcida Bamor (Bahia)
- Torcida Trovão Azul (Confiança)
- Torcida Mancha Negra (ASA)
- Mancha Azul (CSA)
- Inferno Coral (Santa Cruz)
- Torcida Jovem do Botafogo (Botafogo-PB)
- Torcida Ira Jovem (Vasco)
- Tubarões da Fiel (Sampaio Corrêa)
- Força Jovem Goiás
- Ira Jovem (Gama)
- Torcida Esporão do Galo (River-PI)
União Punho Cruzado
- Torcida Jovem Fla (Flamengo)
- Torcida Independente Tricolor (São Paulo)
- Camisa 12 (Internacional)
- Mafia Azul (Cruzeiro)
- Dragões Atleticanos (Atlético Goianiense)
- Torcida Guerrilha Jovem (Criciúma)
- Pavilhão Jovem (Vitória)
- Pavilhão Independente (Cruzeiro)
- Torcida Jovem do Leão (Sport)
- Torcida Uniformizada Piratas Azulinos (Remo)
- Torcida Facção Jovem (Campinense-PB)
União Punho Colado
- Torcida Fúria Independente (Guarani)
- Torcida Pavilhão 6 (Remo)
- Young Flu (Fluminense)
- Fúria Independente (Paraná)
- Falange Tricolor (Fluminense)
- Raça Tricolor (Paulista de Jundiaí)
- Torcida Máfia Vermelha (América-RN)
- Fúria Marcilista (Marcílio Dias)
Lado A
- Remoçada (Remo)
- Inferno Coral (Santa Cruz)
- Mancha Azul (CSA)
- Torcida Trovão Azul (Remo)
- Torcida Jovem do Galo (Treze-PB)
- Fúria Jovem Baraúnas (Baraúnas-RN)
- Leões da TUF (Fortaleza)
- Torcida Máfia Vermelha (América-RN)
Lado B
- Terror Tricolor (Bahia)
- Terror Bicolor (Paysandu)
- Torcida Garra Alvinegra (ABC)
- Torcida Cearamor (Ceará)
- Torcida Esporão do Galo (River-PI)
- Comando Alvinegro (Ceará)
- Torcida Jovem do Botafogo (Botafogo-PB)
- Tubarões da Fiel (Sampaio Corrêa)
- Torcida Jovem Crato (Crato Esporte Clube-CE)
- Torcida Jovem Fanáutico (Náutico)
- Comando Alvi-Rubro (CRB)
- Fúria Icasiana (Icasa-CE)
- Torcida Império Vermelho (Potiguar-RN)







