O crédito especial para entregadores, mototaxistas, motofretistas e outros profissionais que trabalham sobre duas rodas permitirá o financiamento integral de motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas zero-quilômetro. Batizado de Move Brasil – Entregadores e Motoapp, o programa oferecerá juros abaixo dos praticados no mercado, dois meses para o início do pagamento e prazo de até 48 meses para quitar o veículo.
A nova linha foi criada pelo governo federal por meio da Medida Provisória nº 1.366, de 12 de junho de 2026, e regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional no dia 19 de junho. As contratações deverão começar em 13 de julho, por meio da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e de outras instituições financeiras que forem habilitadas.
O financiamento poderá cobrir até 100% do valor do veículo, sem necessidade de entrada. Cada trabalhador terá direito a adquirir apenas uma moto ou bicicleta. Também será possível incluir o seguro prestamista, destinado a ajudar na quitação da dívida em situações graves previstas no contrato, como morte ou invalidez do beneficiário.
Para os homens, a taxa anunciada é de 12,5% ao ano, equivalente a aproximadamente 0,99% ao mês. Para as mulheres, os juros serão menores: 11,5% ao ano, ou cerca de 0,91% ao mês. Em uma simulação divulgada pelo governo, o financiamento de R$ 21 mil resultaria em prestação mensal próxima de R$ 552, conforme as condições da operação.
Quem pode participar do programa Move Brasil?
Poderão participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas digitais há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 corridas ou entregas nesse período. A linha também atenderá ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que tenham carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.
Nos casos em que o veículo exigir habilitação, o interessado deverá possuir Carteira Nacional de Habilitação na categoria A. A adesão inicial é feita na plataforma do Move Brasil, com autorização para o compartilhamento dos dados necessários à verificação dos requisitos. O trabalhador deverá receber a resposta sobre sua elegibilidade em até cinco dias úteis.
A aprovação nessa primeira etapa, entretanto, não garante a liberação do dinheiro. O pedido ainda será submetido à análise de crédito do banco responsável pelo financiamento, que poderá considerar renda, histórico financeiro, capacidade de pagamento e outras informações do solicitante.
Quais veículos podem ser financiados?
Pelas regras estabelecidas, poderão ser financiadas motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas produzidos no Brasil. Também serão aceitos veículos elétricos de duas rodas com potência de até 7.500 watts, desde que fabricados no país ou vinculados a projetos de investimento para produção nacional. Bicicletas e equipamentos autopropelidos elétricos poderão ter potência de até 1.000 watts.
Entre as motos que, em princípio, apresentam características compatíveis com o programa estão:
Suzuki Haojue DK 160: entre R$ 16.900 e R$ 17.600
Haojue DR 160: cerca de R$ 21 mil
Haojue Master Ride 150: entre R$ 18 mil e R$ 18.500
Shineray Free 150 EFI: entre R$ 12.900 e R$ 13.500
Shineray New Jet 125: entre R$ 11.490 e R$ 12 mil
Honda Elite 125: entre R$ 14 mil e R$ 15 mil
Honda Biz 125 ES: cerca de R$ 13 mil
A inclusão efetiva dependerá da relação oficial de fabricantes, marcas e versões que será publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A lista também poderá contemplar bicicletas elétricas nacionais e modelos vinculados a projetos de fabricação no Brasil:
Biobike Urbana (bicicleta elétrica)
Potência: 350W
Preço médio: R$ 6.299
Oggi Big Wheel 8.2 (bicicleta elétrica)
Potência: 250W
Preço médio: R$ 15.716,50
Two Dogs Classic S3 (bicicleta elétrica)
Potência: entre 250W e 350W
Preço médio: R$ 6.990
Two Dogs Extreme E1 (bicicleta elétrica)
Potência: 500W
Preço médio: R$ 7.990
Shineray SH3 (veículo autopropelido)
Potência: 800W
Preço médio: R$ 11.290
Meta é financiar 100 mil unidades
As montadoras participantes poderão conceder descontos adicionais sobre os preços dos veículos. A meta do governo é financiar aproximadamente 100 mil unidades, ajudando trabalhadores a substituir motos antigas ou alugadas, reduzir despesas com manutenção e ampliar a segurança durante as jornadas.
Durante o lançamento, o ministro em exercício do Trabalho e Emprego, Chico Macena, afirmou que motos, bicicletas elétricas e ciclomotores usados pela categoria “não são bens de consumo: são instrumentos de trabalho”. Segundo ele, a proposta busca melhorar as condições de atividade e geração de renda dos profissionais.
O programa também prevê uma modalidade para empresas interessadas em instalar estações de recarga, sistemas de gerenciamento energético e estruturas para troca rápida de baterias. A medida pretende estimular a mobilidade elétrica, reduzir emissões e facilitar a utilização de motos elétricas por profissionais que percorrem longas distâncias diariamente.
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