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Desenrola: 3,3 milhões autorizam FGTS, mas só 17 mil acordos avançam

Trabalhadores podem autorizar o uso do FGTS para amortizar ou quitar dívidas renegociadas pelo Novo Desenrola Brasil.

Desenrola já recebeu autorização de aproximadamente 3,3 milhões de trabalhadores para consultar e utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na renegociação de dívidas, com potencial de movimentar cerca de R$ 3,8 bilhões. O volume, porém, ainda contrasta com o número de operações efetivamente concluídas: até 16 de junho, somente 17.085 contratos haviam avançado nos bancos participantes, reservando R$ 10,3 milhões para o pagamento dos credores.

O balanço foi apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego durante reunião do Conselho Curador do FGTS. O valor médio das operações concluídas ficou em R$ 604,73 por trabalhador. Os primeiros repasses serão feitos pela Caixa Econômica Federal diretamente às instituições financeiras em 25 de junho, após a formalização e a validação dos acordos.

Como funciona a renegociação de dívidas com o FGTS?

A diferença entre as autorizações e as operações concluídas ocorre porque permitir o acesso ao saldo pelo aplicativo FGTS não significa que a dívida já foi renegociada. A autorização é apenas a primeira etapa. Depois dela, o trabalhador precisa procurar o banco ou a instituição credora, verificar as condições oferecidas, negociar o desconto e formalizar um novo contrato dentro das regras do Novo Desenrola Brasil.

Quando o acordo é concluído, a instituição financeira registra a operação nos sistemas da Caixa. Após a validação, o dinheiro sai da conta vinculada do FGTS e é transferido diretamente ao credor. O trabalhador não recebe o valor em espécie nem pode movimentá-lo livremente, pois o recurso é destinado exclusivamente à amortização ou quitação da dívida renegociada.

Regras e limites para uso do FGTS no Desenrola

Pelas regras do programa, pode ser utilizado até 20% do saldo disponível no FGTS ou até R$ 1 mil por titular, prevalecendo o maior valor permitido. Podem ser usados recursos de contas ativas e inativas, com prioridade para as contas vinculadas a contratos de trabalho já encerrados.

O Novo Desenrola Brasil tem capacidade máxima prevista de R$ 8,2 bilhões em recursos do FGTS. O programa atende pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 em 2026. São aceitas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, conhecido como Crédito Direto ao Consumidor.

As dívidas precisam ter sido contratadas até 31 de janeiro de 2026 e apresentar atraso entre 91 dias e dois anos. As instituições participantes podem oferecer descontos de 30% a 90%, conforme o tipo de dívida e o tempo de inadimplência. O novo financiamento terá juros limitados a 1,99% ao mês, prazo de até 48 parcelas e até 35 dias para o pagamento da primeira prestação.

O limite do novo crédito será de R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira, com parcela mínima de R$ 50. A participação dos bancos é voluntária, o que significa que nem todas as instituições são obrigadas a oferecer a renegociação. O trabalhador precisa verificar se o credor aderiu ao programa e quais condições estão disponíveis para o contrato.

Atenção ao saque-aniversário e recomendações

Outro ponto exige atenção dos trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário. O uso do saldo no Desenrola suspende temporariamente os saques anuais e impede novas antecipações até que o valor retirado seja recomposto na conta do FGTS. Dados citados no levantamento indicam que 94,3% das pessoas que autorizaram o uso dos recursos estavam vinculadas à modalidade.

Depois que o FGTS é transferido para a instituição credora e utilizado na liquidação da dívida, a operação não pode ser desfeita. Por isso, a recomendação é avaliar o desconto, a taxa de juros, o valor das parcelas, o impacto sobre a reserva trabalhista e a capacidade de pagamento antes de assinar o novo contrato.

Para iniciar o procedimento, o trabalhador deve atualizar ou baixar o aplicativo FGTS, acessar a função do Novo Desenrola e autorizar a instituição financeira a consultar o saldo disponível. Em seguida, precisa negociar diretamente com o banco. As instituições têm prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos e encaminhar as informações à Caixa.

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