O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (15) que navios comerciais já retomaram a navegação pelo Estreito de Ormuz, poucos dias após o anúncio do acordo de paz firmado entre Washington e Teerã para encerrar mais de três meses de conflito no Oriente Médio. Segundo o líder norte-americano, as embarcações estão utilizando uma rota ao sul do estreito, próxima a Omã e à Arábia Saudita, considerada segura para a circulação marítima.
Acordo de paz e retomada do tráfego
A retomada do tráfego é vista como um dos primeiros efeitos concretos do entendimento alcançado entre os dois países e ocorre em uma das áreas mais estratégicas do planeta para o abastecimento energético. O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra cerca de 20% de todo o petróleo e gás transportados mundialmente. Durante o período de confrontos, a região esteve sob forte tensão, provocando preocupações sobre uma possível interrupção do fluxo de energia e impactos nos mercados globais.
O acordo que prevê a suspensão das hostilidades foi anunciado no domingo (14) e deverá ser formalmente assinado na próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. As negociações tiveram mediação do governo do Paquistão e contaram com o envolvimento de diversos atores internacionais. Apesar das declarações de Trump, o governo iraniano ainda não havia confirmado oficialmente a retomada total da navegação pelo estreito até o fechamento desta reportagem.
Divergências sobre taxas e impacto global
Outro ponto que segue gerando dúvidas é a cobrança de taxas para embarcações que utilizam a rota marítima. Enquanto Trump afirmou que o acordo garante a livre circulação sem pedágios, autoridades iranianas anunciaram a intenção de cobrar valores relacionados a serviços de navegação, proteção ambiental, seguros e apoio operacional aos navios que cruzarem a região. A divergência poderá se tornar um dos primeiros testes para a implementação do acordo.
Durante entrevista, Trump também afirmou que os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin contribuíram para a construção do entendimento diplomático. O republicano ainda revelou divergências com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre os termos do acordo, destacando que a negociação enfrentou resistências de aliados importantes dos Estados Unidos.
A reabertura do Estreito de Ormuz é acompanhada com atenção por governos, investidores e empresas do setor energético. Analistas avaliam que a normalização da circulação de navios pode reduzir as pressões sobre o mercado internacional de petróleo, favorecer a queda dos preços da commodity e contribuir para uma maior estabilidade econômica global após semanas de incerteza provocadas pelo conflito.
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