Ocorreu ontem, 11, o cortejo fluvial que marca a abertura dos Arrastões do Pavulagem 2026. Uma balsa, que saiu da avenida Bernardo Sayão, percorreu a Baía do Guajará e aportou na Escadinha da Estação das Docas. Durante o trajeto, mestres de carimbó, como Sandra Silva, benzeram os mastros e os participantes que carregavam os artefatos pelas ruas. Ela definiu o evento como uma manifestação de devoção e conexão com a natureza.
“É um momento principalmente de fé, de tudo aquilo que a gente acredita, na emoção de estar num momento tão bonito como esse. A gente tem a natureza muito presente, e esse ano, com o tema do mastro, as pinturas vieram todas da natureza, o que fortifica ainda mais a nossa raiz e aquilo que a gente representa, que é a nossa cultura”, afirmou.
Ela também destacou elementos simbólicos do ritual, como o banho de cheiro. “Essa infusão de ervas da Amazônia, dando esse banho nas pessoas, é uma forma de buscar energia, de renovar. Quando o mastro está banhado, a gente pede que cada desejo seja realizado, que São João interceda por cada pedido. É uma transmissão de saberes de fé e uma união muito forte”, disse.
Participando pelo segundo ano do cortejo, o jornalista Wallace Ferreira, 40, contou que carrega o mastro movido por promessas. “É um propósito de sorte e boas comemorações. A sensação de participar é muito especial, tem uma promessa envolvida, é algo pessoal, mas que todo mundo acaba entendendo porque envolve casamento”, relatou. Entre os brincantes mais experientes, Márcia Almeida, 60, destacou o caráter simbólico da participação. “Eu subo no mastro todo ano, já são dez anos. No Arraial do Pavulagem, já tenho vinte anos. Isso aqui significa alegria. E todo mundo precisa conhecer, pegar no mastro, porque dizem que ajuda até você arrumar um pretendente”, brincou.
A aposentada Maria Santana, de 64 anos, fez questão de assistir a programação na praça e reforçou a dimensão do evento. “É uma cultura muito linda, que representa o Pará. É alegria, chama o povo para brincar. Se eu pudesse fazer um pedido, seria saúde e paz, porque sem saúde a gente não faz nada. Enquanto eu tiver, vou participar sempre”, afirmou.
Presidente do Instituto Arraial do Pavulagem, Walter Figueiredo destacou a importância da tradição para a identidade cultural da região. “É um momento de significado muito forte. A gente preserva uma tradição que vem das culturas populares, e essa união das comunidades é fundamental. A cultura tem um papel importante na promoção da paz, da solidariedade e da convivência”, disse. Sobre a programação deste ano, ele ressaltou o tema escolhido. “A bandeira de guarnição vem para mostrar que o arraial é um espaço seguro, para a família. É uma forma de fortalecer esse trabalho, que já é patrimônio da cidade e referência da cultura brasileira”, concluiu.
O primeiro arrastão vai ocorrer neste domingo, 14, a partir das 9h, com saída da Praça da República em direção à praça Waldemar Henrique.
O post Banho de cheiro, promessas e fé: cortejo abre Arrastões do Pavulagem 2026 apareceu primeiro em Diário do Pará.






