Salvador pode voltar a ocupar o centro do poder brasileiro, ainda que de forma simbólica. A possibilidade ganhou força nesta quarta-feira, 10, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou um projeto que transfere para a capital baiana a sede dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no dia 2 de julho, data que marca a consolidação da Independência do Brasil na Bahia.
A proposta avançou com pedido de urgência e agora segue para o Plenário do Senado, onde passará por uma nova votação. O texto, apresentado pelo deputado Leo Prates, estabelece que a mudança tenha caráter simbólico, mas carregue forte valor histórico e institucional.
Na prática, o projeto autoriza a realização de atos oficiais dos Três Poderes em Salvador, transformando a cidade no principal palco das celebrações da Independência da Bahia. O objetivo é reconhecer oficialmente a importância do episódio que expulsou as tropas portuguesas do território baiano e consolidou a soberania brasileira.
O relator da proposta, o senador Jaques Wagner, defendeu a aprovação da matéria e destacou o peso histórico da capital baiana. Segundo ele, Salvador foi o local onde a independência brasileira se concretizou de fato, ultrapassando o simbolismo da proclamação às margens do Ipiranga.
O texto deixa claro que a medida não interrompe o funcionamento da máquina pública em Brasília. Pelo contrário. As atividades essenciais continuarão normalmente. Enquanto isso, os eventos realizados na Bahia terão caráter protocolar e comemorativo. Além disso, caberá ao governo federal organizar toda a estrutura necessária para a realização das solenidades.
A proposta também resgata momentos marcantes da história recente. Em 1993, uma lei federal já transferiu temporariamente a sede do governo para Salvador durante um encontro internacional de chefes de Estado. Mais recentemente, em 2025, o governo federal adotou medida semelhante ao levar simbolicamente a sede da República para Belém, durante a realização da COP-30.
Agora, com o avanço da matéria na CCJ, cresce a expectativa sobre a votação em plenário. Caso o texto seja aprovado nas próximas etapas, Salvador passará a receber oficialmente, todos os anos, os principais representantes dos Três Poderes em uma das datas mais emblemáticas da história nacional.
A proposta amplia a visibilidade da celebração do 2 de Julho, considerada por muitos historiadores como o episódio que garantiu, na prática, a independência do Brasil. Por isso, a votação desperta atenção não apenas no Congresso Nacional, mas também entre lideranças políticas, historiadores e representantes da sociedade civil.
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