A Ypê voltou ao centro das atenções um mês após o recall determinado pela Anvisa. Desta vez, consumidores relatam dificuldades para obter orientações, concluir devoluções e receber os valores referentes aos produtos incluídos na medida sanitária. Enquanto as reclamações aumentam, a empresa afirma que ampliou seus canais de atendimento e contesta parte das denúncias.
Um levantamento realizado pelo jornal O Globo/Extra identificou ao menos 230 reclamações registradas nos últimos sete dias na plataforma Reclame Aqui relacionadas à demora na análise dos pedidos de reembolso. Além disso, o Procon de São Paulo informou ter recebido 415 reclamações contra a Química Amparo, fabricante da Ypê, no último mês. Desse total, 117 registros estavam ligados ao recall e outros 109 tratavam da dificuldade de contato ou da lentidão no atendimento.
A própria reportagem relatou dificuldades para concluir um pedido de ressarcimento. Segundo o jornal, uma solicitação feita em 27 de maio para devolução de produtos afetados resultou apenas no envio de um e-mail de confirmação. Até a publicação da matéria, o reembolso não havia sido concluído.
Entre os consumidores impactados está a auxiliar de coordenação pedagógica Larissa Lopes. Ela informou que cadastrou produtos no sistema da empresa logo após o anúncio do recall. Apesar disso, recebeu apenas o valor referente a dois detergentes e afirma não ter sido ressarcida por um sabão líquido para roupas que também constaria na lista divulgada pela Anvisa.
Por outro lado, a Ypê afirma que o caso não foi finalizado porque as informações enviadas estavam incompletas. A empresa também declarou que alguns dos produtos apresentados pela reportagem não pertenciam aos lotes afetados pela medida sanitária.
Enquanto busca resolver as demandas dos consumidores, a fabricante tenta reverter parte das restrições impostas pela agência reguladora. Os produtos dos lotes suspensos passam por testes laboratoriais em instituições credenciadas pela Anvisa. Caso os resultados sejam aprovados, os itens poderão voltar a ser comercializados e utilizados.
Em nota oficial, a Ypê informou que todos os “protocolos legítimos” seguem recebendo prioridade e que os reembolsos são realizados via Pix. A companhia também declarou ter triplicado a estrutura dos canais de atendimento desde o início da crise e afirmou que atualmente existem apenas 18 casos em aberto relacionados ao tema.
Além disso, a empresa reforçou que os consumidores devem manter os produtos físicos guardados, sem descarte e sem utilização, até novas orientações da Anvisa. A lista completa dos lotes envolvidos continua disponível nos canais oficiais da marca.
O episódio mantém a repercussão em torno do recall e aumenta a pressão sobre a fabricante para acelerar as respostas aos consumidores. Ao mesmo tempo, a expectativa agora gira em torno dos resultados das análises laboratoriais, que poderão definir os próximos passos da empresa e dos produtos atualmente suspensos.
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