A chegada da Copa do Mundo costuma transformar a rotina dos brasileiros, levando a paixão pelo futebol para escritórios, fábricas, repartições públicas e empresas de todos os portes. Com a estreia do Brasil marcada para este sábado (13), no Mundial disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, cresce também a preocupação de gestores e trabalhadores sobre a melhor forma de conciliar a torcida pela Seleção com as responsabilidades profissionais.
Embora o clima de festa faça parte da cultura do país, especialistas alertam que os jogos não suspendem automaticamente o expediente. Por isso, mais importante do que saber se será possível assistir às partidas é entender como se comportar no ambiente de trabalho para evitar conflitos, preservar a produtividade e manter um ambiente respeitoso para todos.
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CONHEÇA AS REGRAS DA EMPRESA ANTES DO APITO FINAL
O primeiro passo para atravessar a Copa sem problemas profissionais é verificar quais orientações foram definidas pela empresa. Algumas organizações optam por liberar os funcionários mais cedo, instalar telões em áreas comuns ou flexibilizar horários. Outras mantêm o expediente normal.
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Como não existe obrigação legal para dispensar trabalhadores durante os jogos, a decisão cabe ao empregador. Por isso, especialistas recomendam alinhar expectativas com gestores e colegas antes das partidas para evitar mal-entendidos.
TORCER É PERMITIDO, MAS SEM EXAGEROS
A empolgação com um gol do Brasil pode ser compreensível, mas o ambiente corporativo continua sendo um espaço profissional. Segundo Renato Mendes Baptista, CEO da Mendes Talent, gritos excessivos, provocações a colegas, discussões acaloradas e palavrões devem ser evitados. O respeito mútuo é considerado fundamental para que a convivência permaneça saudável durante o torneio.
Além disso, nem todos os profissionais acompanham futebol ou torcem com a mesma intensidade. Forçar a participação de colegas em bolões, comemorações ou transmissões dos jogos pode gerar desconforto desnecessário.
RESPEITE QUEM NÃO GOSTA DE FUTEBOL
Uma das principais recomendações dos especialistas é lembrar que a Copa não desperta o mesmo interesse em todas as pessoas. Enquanto alguns trabalhadores acompanham cada lance da Seleção, outros preferem manter a rotina habitual ou simplesmente não têm interesse pelo esporte.
O ambiente corporativo deve acolher ambos os perfis sem julgamentos ou cobranças. Para especialistas em recursos humanos, o respeito à diversidade de interesses é tão importante quanto a própria confraternização.
CUIDADO COM O CELULAR E AS REDES SOCIAIS
A facilidade de acompanhar jogos em aplicativos e redes sociais exige atenção redobrada. Segundo especialistas, verificar o placar ocasionalmente não costuma gerar problemas. O que pode prejudicar a imagem profissional do trabalhador é passar boa parte do expediente acompanhando comentários, vídeos, memes ou transmissões em vez de executar suas tarefas.
O uso excessivo do celular pode transmitir desatenção, desinteresse e queda de comprometimento com as atividades da empresa.
NÃO ABANDONE SUAS RESPONSABILIDADES
Independentemente da importância da partida, reuniões, prazos e atendimentos continuam existindo. Especialistas orientam que os profissionais procurem antecipar tarefas, organizar demandas e manter a qualidade das entregas. O objetivo é garantir que o entusiasmo com o futebol não afete clientes, colegas ou resultados da organização.
Quando houver autorização para acompanhar os jogos, o ideal é retornar às atividades normalmente assim que a partida terminar.
O QUE A CLT PERMITE DURANTE A COPA
A legislação trabalhista não prevê folga automática para assistir aos jogos da Seleção Brasileira. Os artigos 2º e 4º da CLT determinam que cabe ao empregador dirigir a prestação dos serviços e que o período em que o empregado permanece à disposição da empresa é considerado tempo de trabalho. Isso significa que o trabalhador não pode simplesmente interromper suas atividades ou deixar o local de trabalho sem autorização.
Já o artigo 473 da CLT lista as situações em que a ausência pode ocorrer sem prejuízo salarial. Assistir aos jogos da Copa não está entre elas.
FALTAR PARA VER O JOGO PODE GERAR CONSEQUÊNCIAS
Quem decide faltar sem autorização corre riscos que vão além do desconto salarial. O artigo 6º da Lei nº 605/1949 prevê reflexos sobre o repouso semanal remunerado em casos de faltas injustificadas.
Além disso, o artigo 130 da CLT estabelece que o excesso de ausências sem justificativa pode reduzir o número de dias de férias do trabalhador. Dependendo da situação, a empresa também pode aplicar advertências ou outras medidas disciplinares.
BANCO DE HORAS PODE SER A MELHOR SOLUÇÃO
Para muitas empresas, a alternativa mais equilibrada é a compensação de jornada. Os parágrafos 2º e 5º do artigo 59 da CLT permitem acordos de banco de horas, possibilitando que o trabalhador acompanhe a partida e recupere posteriormente o período não trabalhado.
Essa prática tem sido amplamente utilizada em grandes eventos esportivos por permitir a conciliação entre lazer e produtividade.
PARTICIPAÇÃO DEVE SER OPCIONAL
Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, destaca que qualquer ação promovida pela empresa durante a Copa deve ser voluntária. Segundo ele, ninguém deve sentir-se pressionado a assistir aos jogos, participar de comemorações ou integrar atividades relacionadas ao torneio.
O trabalhador que preferir seguir sua rotina normalmente deve receber o mesmo respeito dispensado aos torcedores mais entusiasmados. O mesmo vale para confraternizações, que precisam observar regras claras, inclusive em relação ao consumo de bebidas alcoólicas.
O que fazer e o que evitar durante os jogos
Atitudes recomendadas
- Respeitar as regras definidas pela empresa;
- Conversar com gestores sobre horários e demandas;
- Utilizar banco de horas quando houver acordo;
- Assistir aos jogos apenas em locais autorizados;
- Manter o foco nas entregas e nos clientes;
- Respeitar colegas que não acompanham futebol;
- Retomar as atividades normalmente após a partida.
Atitudes que devem ser evitadas
- Faltar sem autorização;
- Abandonar o posto de trabalho;
- Exagerar nas comemorações;
- Criar discussões ou provocações;
- Passar o expediente acompanhando redes sociais;
- Descumprir prazos e compromissos;
- Pressionar colegas a participar das atividades da Copa.
COPA PASSA, A REPUTAÇÃO PROFISSIONAL FICA
Especialistas concordam que é perfeitamente possível torcer pela Seleção e manter uma postura profissional. O segredo está no equilíbrio. A Copa do Mundo oferece momentos de descontração e integração entre colegas, mas não elimina responsabilidades nem altera as regras do ambiente corporativo.
Em outras palavras, o trabalhador pode vibrar com cada gol do Brasil, desde que não esqueça que, durante o expediente, a principal camisa que veste continua sendo a da empresa.







