A vila de Serra Pelada, no município de Curionópolis, ganha nesta quinta-feira (11) um novo espaço dedicado à preservação da própria história. Será inaugurado o Museu Orgânico Zé Branquinho, iniciativa que transforma a antiga residência do ex-garimpeiro Lucindo Ferreira em um local de memória, pertencimento e valorização da identidade local.
O museu nasce a partir do acervo reunido pelo próprio Zé Branquinho ao longo de mais de quatro décadas. Fotografias, documentos, reportagens, vídeos e outros registros ajudam a contar a trajetória da comunidade que ficou conhecida mundialmente durante a corrida do ouro nos anos 1980.
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A proposta vai além da preservação histórica. O espaço foi pensado como uma ferramenta de fortalecimento do turismo de base comunitária, criando oportunidades de geração de renda e incentivando o desenvolvimento econômico da região.
A iniciativa integra o programa Juntos Contra a Pobreza, articulado pela Vale, em parceria com a Prefeitura de Curionópolis, Instituto Rede Terra, Museu da Pessoa e Fundação Casa Grande, além do coinvestimento das empresas Ápia, Enesa, EGTC, Instituto Sotreq e Plamont.
Memórias que conectam gerações
Antes mesmo de se tornar um museu, a casa de Zé Branquinho já era ponto de encontro para pesquisadores, visitantes e moradores interessados em conhecer mais sobre a história de Serra Pelada. Foi essa relação espontânea com a comunidade que inspirou a criação do Museu Orgânico, conceito que transforma residências e territórios em espaços vivos de preservação cultural.
“O envolvimento da família e da comunidade garante que o museu continue sendo um patrimônio vivo, inspirando novas gerações a valorizar suas raízes e as memórias de Serra Pelada”, destaca Junior dos Santos, da Fundação Casa Grande.
As ações também estão ligadas ao projeto “Memórias de Serra Pelada: Mina de Histórias”, desenvolvido pelo Museu da Pessoa por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Vale. A iniciativa promoveu oficinas com jovens da comunidade sobre registro de memórias e preservação de acervos, além da catalogação e digitalização do material reunido por Zé Branquinho.
Livros e melhorias para o turismo local
A programação de inauguração contará ainda com o lançamento de dois livros. O primeiro, “Máquinas Humanas”, é de autoria de Zé Branquinho e reúne lembranças e reflexões sobre a vida no garimpo. Já “Mina de Histórias” foi escrito por 12 jovens de Serra Pelada a partir dos relatos de moradores da vila.
Também serão entregues melhorias em empreendimentos selecionados pelo Instituto Rede Terra para fortalecer o turismo comunitário, entre eles o Restaurante da Dona Meire, Espetinho do Cavalinho, Dormitório Vitória e Restaurante Fernandes.
As intervenções buscam preparar Serra Pelada para receber visitantes com mais estrutura, ampliando a circulação de renda dentro da própria comunidade.
O guardião das histórias de Serra Pelada
Lucindo Ferreira chegou à vila no início dos anos 1980 e testemunhou de perto o auge do garimpo. Ao perceber o interesse de jornalistas brasileiros e estrangeiros pela região, decidiu registrar a história sob a ótica dos próprios moradores.
No fim daquela década, adquiriu uma filmadora e passou a documentar festas, manifestações culturais, reuniões e acontecimentos do cotidiano. Ao longo dos anos, reuniu um dos mais importantes acervos populares sobre Serra Pelada, tornando-se referência na preservação da memória local.
Agora, a história que Zé Branquinho ajudou a construir ganha um espaço permanente para seguir inspirando moradores e visitantes, transformando lembranças do passado em oportunidades para o futuro







