O cinema brasileiro se despediu na última terça-feira (9) de um dos principais nomes por trás de grandes produções nacionais. Tulé Peake, renomado diretor de arte e cenógrafo que ajudou a construir a identidade visual de filmes icônicos como Cidade de Deus, Tropa de Elite e Ensaio sobre a Cegueira, morreu aos 69 anos após sofrer um infarto fulminante.
Conhecido por transformar cenários em peças essenciais da construção narrativa, o cineasta acumulou quase 30 anos de atuação no setor audiovisual. Ao longo da carreira, contribuiu para a estética de algumas das produções mais relevantes do cinema brasileiro e de projetos internacionais realizados no país, consolidando seu nome como uma das maiores referências da direção de arte.
Carreira
Nascido em São Paulo, no ano de 1957, Tulé Peake formou-se em Arquitetura pela Faculdade Braz Cubas e iniciou sua carreira na publicidade durante os anos 1970. Antes de migrar para o cinema, assinou a cenografia e a direção de arte de mais de mil comerciais, além de acumular experiências em diferentes emissoras de televisão.
A trajetória de Tulé Peake no cinema começou com Os Matadores (1997), dirigido por Beto Brant. A partir de então, ele esteve envolvido em obras que marcaram a história do audiovisual brasileiro, contribuindo para a construção visual de filmes como Domésticas, Cidade de Deus, Casa de Areia, Tropa de Elite, Ensaio sobre a Cegueira, A Suprema Felicidade e Serra Pelada.
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Reconhecimento
Ao longo da carreira, Peake recebeu importantes prêmios por sua competência. Pela direção de arte de Ensaio sobre a Cegueira, conquistou o Prêmio Grande Otelo em 2009. Também venceu o Prêmio ABC de Melhor Direção de Arte por filmes como Cidade de Deus, Casa de Areia, A Suprema Felicidade e Serra Pelada.
Em 2019, foi premiado no Festival de Gramado com o Kikito de Melhor Direção de Arte pelo longa Veneza, dirigido por Miguel Falabella.
Últimas produções
Nos últimos anos, Tulé Peake também deixou sua marca em produções para a televisão e plataformas de streaming. Seu talento esteve presente em séries como Betinho – No Fio da Navalha, Arcanjo Renegado, O Jogo que Mudou a História, Pico da Neblina, A Névoa, Nada Será Como Antes e Felizes Para Sempre?.
Seu trabalho mais recente era a série Delegacia de Homicídios, produzida pela AfroReggae Audiovisual para o Disney+, que ainda estava sendo gravada.
A notícia de sua morte provocou grande repercussão entre profissionais do setor audiovisual. Em comunicado, a Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) lamentou a perda e ressaltou a importância de sua trajetória para o desenvolvimento e a valorização do cinema nacional.
Familiares, amigos e colegas poderão se despedir do artista durante o velório, que será realizado nesta quarta-feira (10), a partir das 12h, nas Casas Casadas, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro.







