A trajetória da Ypióca começou no século XIX e transformou a marca em uma das cachaças mais tradicionais do Brasil. Produzida desde 1846 em Maranguape, no Ceará, a bebida ganhou notoriedade nacional e internacional ao longo de quase dois séculos de história.
A origem da empresa está diretamente ligada à família Telles de Menezes. Segundo o Mapa da Cachaça, em 1843 o português Dario Telles de Menezes chegou ao Ceará e se estabeleceu em uma propriedade localizada entre as serras de Maranguape e Aratanha, em uma área conhecida como Ypióca. O nome tem origem tupi-guarani e significa “terra roxa”.
Três anos depois, em 1846, ele produziu o primeiro lote da bebida utilizando um pequeno alambique de cerâmica trazido de Portugal.
Naquele período, todo o processo era artesanal. Os trabalhadores moíam a cana-de-açúcar manualmente, realizavam a destilação em equipamentos simples e transportavam a produção em recipientes levados por jumentos para comunidades próximas.
O português permaneceu à frente do negócio por mais de cinco décadas e em 1851 oficializou a compra da propriedade Ypióca.
A empresa passou de geração em geração
A segunda geração da família assumiu o comando em 1895, quando Dario Borges Telles passou a liderar a empresa. Nessa fase, a companhia conseguiu ampliar a capacidade produtiva depois de adquirir um engenho de ferro fundido.
Ao mesmo tempo, a cachaça deixou de ser vendida apenas a granel e passou a ser engarrafada manualmente em recipientes de 600 ml. Em 1924, inclusive, a garrafa ganhou um acessório que se tornou a sua marca registrada: o revestimento de palha de carnaúba trançada.
A iniciativa tinha como objetivo proteger as garrafas no transporte pelas estradas de terra da época, mas acabou conferindo uma identidade à marca. Além disso, a demanda pela palha acabou envolvendo o trabalho de milhares de artesãs locais.
Após a morte de Dario Borges, sua esposa, Eugênia Menescal Campos, assumiu a administração da empresa e permaneceu à frente dos negócios durante 13 anos.
Posteriormente, a terceira geração chegou com Paulo Campos Telles. Sob sua liderança, a empresa entrou em uma nova fase de expansão. Em 1931, a produção anual alcançou 120 mil litros.
Décadas depois, em 1968, a Ypióca ultrapassou as fronteiras brasileiras pela primeira vez e exportou sua cachaça para a Alemanha.
Crescimento dentro e fora do Brasil
A partir de 1970, a quarta geração da família, liderada por Everardo Ferreira Telles, deu continuidade ao crescimento da marca.
Além de ampliar as operações com novas destilarias, o grupo diversificou suas atividades e passou a atuar também nos segmentos de embalagens e água mineral.
Com o passar dos anos, a Ypióca fortaleceu sua presença no mercado brasileiro e conquistou espaço em outros países. Em datas como os aniversários de 150 e 160 anos da marca, a empresa lançou edições especiais para celebrar sua história.
A compra que chamou atenção do mercado
O sucesso da cachaça brasileira acabou despertando o interesse de investidores internacionais.
Em 2012, a Ypióca foi adquirida pela Diageo, multinacional do setor de bebidas alcoólicas que também controla marcas como Johnnie Walker e Smirnoff.
Para incorporar a fabricante brasileira ao seu portfólio, a empresa desembolsou US$ 453 milhões, cerca de R$ 900 milhões na cotação da época.
A operação reforçou a estratégia da companhia de ampliar sua presença no mercado brasileiro. Ainda assim, a marca preservou a tradição iniciada pela família Telles no século XIX e segue como uma das referências da cachaça brasileira dentro e fora do país.
Antigo casarão abrigou Museu da Cachaça
Nos anos 2000, o antigo casarão que abrigou a primeira destilaria da Ypióca abrigou o Museu da Cachaça de Maranguape (CE). Ao entrar na construção original de 1854, os visitantes tinham contato com a história da aguardente brasileira e da família Telles.
O espaço reunia mapas, documentos, equipamentos agrícolas, filmes, máquinas e garrafas centenárias da Ypióca. Além disso, o museu também exibia o maior tonel de cachaça do mundo, reconhecido pelo Guiness.
Porém, hoje o museu aparece como “permanentemente fechado” em buscas na internet.
O post Cachaça de 180 anos: como a Ypióca virou destaque no mercado global apareceu primeiro em Diário do Pará.







