“Há caminhos que não começam quando a gente dá o primeiro passo. Começam antes — no gesto de escutar, no corpo que reconhece o som antes mesmo de saber nomeá-lo.”
É a partir dessa percepção sensível sobre o tempo, a escuta e a própria existência que Badi Assad apresenta Badi Assad — 35 anos musicais, álbum que chega às plataformas digitais neste dia 2 de junho. Além de celebrar uma trajetória, o disco propõe um mergulho íntimo em memórias, afetos e transformações que atravessaram a artista ao longo de mais de três décadas de carreira.
O trabalho nasce como uma espécie de autobiografia sensorial. Não uma retrospectiva linear, mas um percurso vivo, emocional e profundamente humano.
“Entre palcos e estradas, aeroportos e silêncios, fui atravessando geografias visíveis e invisíveis. De cidade em cidade, de país em país, mas, sobretudo, de dentro pra dentro”, escreve Badi no poema-manifesto que acompanha o lançamento.
Álbum revisita diferentes momentos de Badi
Reconhecida internacionalmente por sua linguagem única, que une canto, violão, percussão corporal, vocalizações e experimentação sonora, Badi revisita no álbum canções que marcaram diferentes momentos de sua caminhada artística e pessoal. Algumas já passaram por sua discografia; outras aparecem aqui pela primeira vez, ressignificadas pela maturidade, pela memória e pelo tempo.
O repertório percorre múltiplas paisagens da música brasileira, do samba à canção política, da tradição caipira às cantigas populares, atravessando compositores como Chico Buarque, Milton Nascimento, Tom Jobim, Dorival Caymmi, João Bosco, Gonzaguinha e Billy Blanco. Em cada faixa, a cantora constrói mais do que interpretações: cria atmosferas afetivas onde técnica e emoção coexistem de forma orgânica.
“Cada som traz mais do que intenção — traz o tempo, memória, presença”, escreve a artista. Gravado em diferentes momentos e estúdios, com sessões presenciais e colaborações realizadas à distância, o álbum assume a forma de uma delicada “colcha de retalhos” musical, conceito que espelha a própria trajetória de Badi: múltipla, intuitiva e em constante transformação.
Canções viram experiência sensorial
Apesar das diferentes atmosferas e formações instrumentais, existe um fio invisível que conecta todas as faixas: a maneira singular com que a artista transforma canções em experiência sensorial. Entre os momentos mais emocionantes do disco está Estrada do Sol, que começa com uma gravação rara da própria Badi aos quatro anos de idade, cantando ao lado do irmão, Sérgio Assad, ao violão. Sem ruptura tonal, a faixa atravessa décadas até encontrar sua voz adulta, criando um encontro delicado entre infância e maturidade.
Se o disco revisita o passado, ele também aponta uma zona de segurança.
“O que mais reconheço é a permanência de algo que nunca mudou: a curiosidade da menina que fui — e que sigo sendo. Talvez seja isso que me mantém aqui: não a resposta, mas o desejo.”
Liberdade estética marca obra da artista
Ao longo de 35 anos de carreira, Badi Assad consolidou uma obra singular, marcada pela liberdade estética e pela recusa em caber em categorias rígidas. Neste novo trabalho, essa liberdade aparece menos como ruptura e mais como maturidade artística: uma disposição contínua para escutar, experimentar e permanecer aberta ao encontro.
“Depois de tantas voltas ao mundo, descubro que a viagem mais profunda continua sendo essa — a de permanecer disponível. Disponível ao som, ao silêncio, ao encontro. Disponível ao mistério de continuar.”
Badi Assad — 35 anos musicais é um álbum sobre permanência e transformação. Um trabalho que olha para trás sem nostalgia e reafirma a artista como uma das vozes mais inventivas e sensíveis da música brasileira contemporânea.
SERVIÇO
Badi Assad — 35 anos musicais
Lançamento nas plataformas digitais: 2 de junho de 2026
O post Badi Assad celebra 35 anos de carreira com autobiografia musical apareceu primeiro em Diário do Pará.







