Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Tecnologia promete substituir microscópio na realização de cirurgias neurológicas

A tecnologia tem transformado cada vez mais a rotina dentro dos hospitais e, na sala cirúrgica, essa evolução já começa a mudar até a forma como os médicos enxergam uma cirurgia. Durante a 31ª edição da Feira Hospitalar 2026, maior evento de saúde da América Latina, uma inovação apresentada chamou a atenção justamente por apresentar um equipamento que pode substituir o tradicional usado há décadas em procedimentos neurológicos: o microscópio cirúrgico.

A novidade é a exoscopia cirúrgica, uma tecnologia de visualização digital que permite ao cirurgião operar olhando para um monitor de alta definição, e não mais diretamente para as lentes do microscópio. O sistema foi apresentado pela B. Braun, multinacional alemã de tecnologia médica, e começa a ganhar espaço em centros cirúrgicos ao redor do mundo.

Na prática, a tecnologia, chamada de Aesculap Aeos, oferece imagens em 3D com resolução 4K, zoom óptico e assistência robótica, recursos que ajudam a ampliar a precisão durante procedimentos delicados, especialmente em áreas como a neurocirurgia. Mas os impactos vão além da qualidade da imagem.

O cirurgião Thiago Brandão conta que já conhecia o exoscópio por meio de congressos internacionais e afirma que a ergonomia foi um dos primeiros aspectos que chamaram sua atenção.



“Minha primeira impressão foi de curiosidade, com um toque de ceticismo, algo natural para quem passou anos operando com o microscópio tradicional. Mas o fato de não precisar ficar curvado sobre as lentes e poder operar olhando para uma tela muda completamente a postura do cirurgião. Foi aí que pensei que essa tecnologia tinha futuro”, explica.

A mudança também pode representar mais conforto e qualidade de vida para os próprios cirurgiões. Isso porque, diferente do microscópio tradicional, que exige posturas fixas e muitas vezes desconfortáveis durante horas, a exoscopia permite mais liberdade de movimento dentro da sala cirúrgica.

E essa não é uma questão pequena. Um estudo publicado na revista científica World Neurosurgery mostrou que 74% dos cirurgiões relatam dores osteomusculares relacionadas ao trabalho e 35% já precisaram reduzir o número de cirurgias por conta dessas lesões.

Segundo Thiago Brandão, além da ergonomia, a tecnologia representa um avanço importante na precisão cirúrgica e também no ensino médico.

“A neurocirurgia trabalha com estruturas milimétricas, onde qualquer pequeno desvio pode trazer consequências graves. O exoscópio oferece excelente profundidade de campo, iluminação e ampliação de imagem. Além disso, toda a equipe acompanha exatamente o que o cirurgião está vendo, em tempo real. Isso transforma o centro cirúrgico também em um ambiente de aprendizado”, afirma.

Além de favorecer a ergonomia médica, a tecnologia também muda a dinâmica dentro do centro cirúrgico. Como toda a equipe consegue acompanhar o procedimento no monitor com a mesma qualidade de imagem do cirurgião, o processo se torna mais integrado e colaborativo.

“A chegada da exoscopia ao Brasil representa uma mudança importante na forma como a cirurgia passa a ser visualizada e conduzida. É uma tecnologia que contribui para mais integração dentro da sala cirúrgica e responde a demandas reais de precisão e ergonomia”, afirma Michael Dickscheid, vice-presidente de Marketing & Vendas Aesculap & Avitum da B. Braun Brasil.

O modelo apresentado já é utilizado em hospitais de referência internacional, como o Helsinki University Hospital, na Finlândia, o Hospital Niguarda, em Milão, e o Policlinico Gemelli, em Roma. Atualmente, existem mais de 160 unidades instaladas no mundo, principalmente na Europa, China e Estados Unidos.

Veja como funciona: 



Ainda em fase inicial no Brasil, a exoscopia chega em um momento em que hospitais e especialistas buscam soluções cada vez mais digitais, precisas e sustentáveis para a prática médica. Para quem trabalha diariamente dentro de um centro cirúrgico, a expectativa é que tecnologias como essa possam tornar as cirurgias mais seguras, eficientes e menos desgastantes ao longo dos anos.

Para Thiago Brandão, a tendência é que a tecnologia ganhe cada vez mais espaço no futuro da neurocirurgia.

“O microscópio tradicional ainda é uma ferramenta extremamente consolidada, então essa substituição não deve acontecer de forma imediata. Mas a medicina caminha cada vez mais para o digital. O exoscópio agrega recursos como integração com neuronavegação, filtros de imagem em tempo real e gravação em 4K. Hoje, as principais barreiras ainda são o custo e a curva de aprendizado, mas acredito que, nos próximos anos, ele deve se tornar o novo padrão em muitas cirurgias”, conclui.

Mais do que substituir equipamentos, a proposta da exoscopia é transformar a experiência dentro da sala de cirurgia, tanto para os profissionais quanto para os pacientes.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest