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Risco de fuga: presa, Deolane vai ter que retirar mega hair

Deolane ocupa cela individual em ala especial destinada a advogadas presas preventivamente no interior paulista.

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, de 38 anos, presa preventivamente na última quinta-feira, 21 de maio de 2026, enfrentará restrições rígidas no sistema prisional paulista. Após ser transferida na sexta-feira (22), para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada no interior de São Paulo, a detenta terá de remover completamente o seu mega hair.

A medida atende estritamente às normas internas de segurança da instituição para mitigar o risco de fuga. Conforme os protocolos detalhados pela administração penitenciária, o comprimento e a resistência do alongamento capilar representam ameaças estruturais: os fios podem ser utilizados por outra presa para a alteração de identidade visual em uma tentativa de se passar por visitante ou, em casos extremos, podem ser amarrados a outros objetos, como lençóis, para servir de corda (teresa) em escaladas de muros.

Ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro

A prisão de Deolane decorre de uma extensa investigação policial que aponta o envolvimento direto da influenciadora em um sofisticado esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo os relatórios dos investigadores da Polícia Civil e do Ministério Público, ela atuava como uma espécie de caixa para a facção criminosa.

Movimentações milionárias não declaradas

O monitoramento financeiro identificou que Deolane recebeu depósitos bancários considerados altamente suspeitos entre os anos de 2018 e 2021, movimentando cerca de R$ 7 milhões em um período de quatro anos, embora tenha declarado apenas 7,5% desse montante total à Receita Federal.

O estopim para a operação policial incluiu a interceptação de bilhetes manuscritos encontrados em celas de presídios de segurança máxima e a tentativa frustrada de sua irmã em sacar R$ 1 milhão em espécie, transação que foi bloqueada e reportada pelo banco Itaú como atividade flagrante de lavagem de dinheiro.

O inquérito detalha que a lavagem dos recursos financeiros da família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o líder máximo do PCC, era viabilizada por meio de uma rede de empresas de fachada e sociedades de papel. Entre os alvos principais da ação judicial está uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior do estado, que recebia os valores ilícitos e realizava repasses subsequentes para as contas de Deolane e de outros laranjas identificados pela Promotoria. A complexidade do caso mobilizou cooperação internacional, incluindo a inserção de nomes em uma lista secreta da Interpol e comunicações formais com a Promotoria italiana para rastrear ativos no exterior.

STF nega pedido de prisão domiciliar

A defesa de Deolane Bezerra protocolou um pedido formal de prisão domiciliar, sustentando sua inocência  e alegando que os repasses financeiros identificados possuem justificativas comerciais lícitas e decorrem de contratos publicitários firmados regularmente. Os advogados argumentam também que a manutenção da prisão preventiva em regime fechado viola preceitos constitucionais, uma vez que não há condenação definitiva imposta contra ela. Em decisão anunciada hoje, o Ministro Flávio Dino, do STF, negou o pedido de prisão domiciliar

A relação de Deolane com a família de Marcola é direta e íntima. Ela utilizou, inclusive, contas dela e de laranjas, por isso o indiciamento ao crime organizado e lavagem de dinheiro. O caso segue sob segredo de Justiça na comarca de Presidente Venceslau, e novos depoimentos dos investigados devem ocorrer nos próximos dias.

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